Segurança

Vigaristas usam aplicativos de namoro de rede social para dar golpe em mulheres

Os falsários costumam usar fotografias de pessoas que existem, na maioria das vezes estrangeiros, mas não fazem ideia de que suas imagens são usadas em crimes

Redação RIC Mais
Redação RIC Mais com reportagem de Emanuel Pierin, da RIC Record TV Curitiba
Vigaristas usam aplicativos de namoro de rede social para dar golpe em mulheres
Foto: Reprodução/Grupo RIC

1 de novembro de 2021 - 17:18 - Atualizado em 1 de novembro de 2021 - 17:25

Golpistas têm cada vez mais utilizado aplicativos de namoro para encontrarem suas vítimas e aplicarem golpes financeiros. A RIC Record TV conversou com duas mulheres e encontrou em seus relatos várias similaridades na forma de agir dos criminosos. (Assista reportagem abaixo)

Existe um padrão: os falsários costumam usar fotografias de pessoas que existem, na maioria das vezes estrangeiros que não fazem ideia de que suas imagens são usadas em crimes; contam histórias tristes ou muito extraordinárias; não poupam elogios e promessas e, muitas vezes, afirmam que precisam mandar encomendas para o Brasil.

A primeira delas, que não será identificada, conta que conheceu o criminoso por aplicativo de namoro do Facebook. Viúva há 19 anos, ela começou a ouvir muitas promessas e confessa que se encantou. 

“Parecia ser uma pessoa com um perfil correto e no início foi tudo bem. Ele contou a vida dele, onde ele trabalhava, que ele era da Holanda, era engenheiro e a gente continuou a conversar. Ele sumiu uma época e daí voltou com mensagens compridas. Falando que queria vir para o Brasil e eu concordei. Como eu sou viúva, tenho 68 anos, e meu namorado tinha falecido na Itália, eu queria uma companhia, um amigo só. Ele começou a me pedir em casamento, falar que eu era linda”,

explica a vítima. 

O golpe tomou forma quando ele mentiu ter enviado presentes do exterior para a amada. Na ocasião, a vítima recebeu uma mensagem informando que a encomenda estava no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, mas não poderia ser despachada até o valor de R$ 3.899 em impostos ser pago. 

Na mesma conversa, a mulher recebeu ainda o número da conta para qual deveria efetuar o pagamento. Mas, por sorte, ela percebeu que vinha sendo enganada. “Como eu já tinha mandado um pacote da Itália para minha filha aqui no Brasil, eu desconfiei por causa da embalagem, que eles colocaram uma fita crepe transparente e isso não é permitido lá. Lá é tudo lacrado”, completa. 

A outra vítima, que também prefere ter a identidade preservada, diz ter encontrado, do mesmo modo, o golpista em um aplicativo de namoro. Assim como o primeiro criminoso, ele disse viver no exterior, se um homem bem sucedido à procura de um amor e não poupava elogios e promessas para a vítima

“Ele falava em casamento, que queria uma pessoa para vida toda. Me elogiava todo o tempo”,

conta a mulher que afirma ter percebido que se tratava de um golpe desde o começo. 
O golpista afirmou que trabalhava em uma plataforma de petróleo. (Foto: Reprodução/Grupo RIC)

Dessa vez, o vigarista mentiu trabalhar em uma plataforma de petróleo e declarou precisar enviar documentos para o Brasil. Mais uma vez, o imposto a ser pago seria o fruto do golpe“Querida estamos no Oceano Atlântico agora e não é seguro aqui por causa dos piratas do mar. Esperamos a equipe de resgate chegar, eu tenho documentos de aposentadoria aqui e não tenho ninguém confiável para enviá-los. Meu coração realmente escolheu você para me ajudar e aguardar até eu chegar. Vai cobrar um pequeno imposto quando chegar no Brasil, talvez 350-400 dolares, queria pagar aqui, mas eles disseram que tem que ser pago em seu país. Pode ficar tranquila que o valor que você pagar, eu vou devolver”, escreveu o falsário. 

“Eu falei então tá, pode mandar. Ele pediu meu endereço, eu não quis dar e falei que ele poderia enviar pelo Correio que eu pegaria lá quando chegasse. Daí, me ligaram pedindo para eu depositar uma quantia em dinheiro para poder liberar os pertences. Eles queriam R$ 2.500 para eu fazer o depósito e depois disso ficaram me ligando porque eu já sabia que era um golpe. Essa história de príncipe encantado não vai achar em uma rede social. Ser você está em uma rede social para encontrar alguém, fique esperta. Falou em dinheiro, caia fora”,

diz a mulher. 

Assim como as duas mulheres que conversaram com a equipe de reportagem, algumas vítimas conseguem se livrar do prejuízo, no entanto, muitas outras caem na lábia dos bandidos. A situação é tão recorrente que a Polícia Civil já preparou até um vídeo-informativo com o objetivo de orientar as possíveis vítimas. 

“Não confiem em histórias incríveis ou muito trágicas, pois os criminosos se aproveitam da carência afetiva e do desejo de ajudar das pessoas para obter vantagens. Não enviem ou depositem dinheiro para pessoas que você conheça apenas virtualmente. Nunca é demais lembrar para ter cuidado com a inclusão e compartilhamento de informações pessoas na Internet”, ressalta o delegado Emmanoel David, da Delegacia de Estelionatos da Polícia Civil do Paraná. 

Veja a reportagem: