Segurança

Testemunha relata desespero de ver amigo morrendo baleado ao seu lado

Jovem contou que marginais abordaram Douglas Felipe Moraes de Oliveira e disseram “passa o carro”

Giselle
Giselle Ulbrich
Testemunha relata desespero de ver amigo morrendo baleado ao seu lado
(Fotos: Colaboração e Reproduçã/Redses Sociais)

20 de dezembro de 2021 - 20:15 - Atualizado em 20 de dezembro de 2021 - 20:16

O homem que presenciou a execução de Douglas Felipe Moraes de Oliveira, 22 anos, prestou depoimento à Polícia Civil. Ele relatou a morte do amigo ao seu lado e indicou que pode ter sido uma tentativa de assalto.

O depoimento foi prestado na Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). O jovem, que não terá o nome identificado nesta reportagem, mora em São Paulo e contou que veio a Curitiba exclusivamente para o aniversário de sua prima, de quem Douglas é muito amigo. Os dois já se conheciam antes, desde o ano passado. E na festa se encontraram e ficaram juntos.

O jovem relatou que Douglas não teve nenhum desentendimento durante a festa. Pelo contrário, foi uma noite divertida e alegre para todo mundo. Na saída, decidiram fazer um after (continuar a comemoração na casa de alguém) e foram à casa da aniversariante, no Bigorrilho. Antes disso, na porta da casa noturna, todos embarcaram no carro da aniversariante e o jovem viu que Douglas iria sozinho no carro dele. Então se ofereceu para ir junto, para não deixar o amigo só no trajeto.

Assalto

Quando chegavam à casa da aniversariante, declarou o rapaz, estacionaram perto do portão e decidiram telefonar à dona da casa, para que abrisse o portão para eles entrarem com o automóvel. O rapaz conta que já estava ligando quando notou um carro emparelhando com o carro de Douglas. Havia dois homens na frente e um atrás e os quatro vidros do carro dos supostos ladrões abertos. A testemunha não conseguiu descrever fisicamente nenhum deles, nem a cor exata e modelo do carro. Como estava ao telefone, só notou que era um veículo de cor clara.

A testemunha disse que não viu qual dos três desceu do carro. Apenas escutou algum deles falar “Passa o carro”. Em seguida, Douglas acelerou o veículo. Foi neste momento que a testemunha disse ter ouvido um disparo, mas que na hora pensou que fosse qualquer outra coisa, menos um tiro de verdade.

Ele relatou que Douglas acelerou por alguns metros, cruzou o semáforo do supermercado Pão de Açúcar, na Rua Euclides da Cunha, quando o carro começou a desacelerar, parou e começou a voltar de ré. Foi então que o rapaz perguntou a Douglas: “O que tá acontecendo?”. Em seguida, Douglas já tossiu cuspindo sangue. Foi aí que ele notou o amigo baleado e puxou o freio de mão.

Um choque atrás do outro

Depois de um primeiro momento de desespero, tentando amparar o amigo ferido, o rapaz primeiro ligou para o Siate. “Eu não sabia o nome da rua. Eu falava que se eu saísse do carro, ele (o Douglas) ia embora. Eu não podia sair”, contou o jovem, que teve que sair para olhar o nome da rua. Assim que o Siate chegou, o rapaz teve um novo choque.

“O socorrista colocou um lençol branco em cima dele. Aí eu perguntei se ele não ia nem tentar. Ele me falou que ele (o Douglas) já tinha ido”,

relatou a testemunha.

Em seguida, a aniversariante e os amigos chegaram e tiraram Douglas dali.

“Eu me coloquei muito no lugar dele ali. Também pensei diversas vezes que eu podia estar baleado junto com ele“,

declarou o rapaz a polícia, emocionado e chocado.

O jovem ainda relatou que Douglas não tinha namorado, como também não era o tipo de pessoa de ter desafetos. Por isto, e pelo fato dele ter ouvido a frase “passa o carro” durante a ação dos marginais, ele acredita que o caso se tratou de um assalto. Os bandidos, por motivo que a testemunha desconhece, não foram atrás de Douglas e do amigo, depois do tiro, e também não levaram nada.