Segurança

“Pra ver ele hoje é só na foto”, lamenta avô de menino que morreu baleado pelo irmão

O irmão da vítima, um adolescente de 14 anos, afirmou que encontrou o revólver em um matagal e que estava manuseando a arma quando deu o disparo acidental

Redação RIC Mais
Redação RIC Mais com informações de Adriana Lopes, da RICtv
“Pra ver ele hoje é só na foto”, lamenta avô de menino que morreu baleado pelo irmão
(Fotos: Redes Sociais)

9 de maio de 2022 - 11:50 - Atualizado em 9 de maio de 2022 - 13:02

O avô e a tia de Alyston Diego Rodrigues de Bairros, o menino de nove anos que foi baleado pelo irmão, deram entrevista para a RICtv e lamentaram a morte da criança. Alyston levou um tiro na cabeça na tarde deste sábado (7), no bairro Jardim Califórnia, em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba, chegou a ser encaminhado para o hospital, mas morreu horas depois. O irmão da vítima, um adolescente de 14 anos, afirmou que encontrou o revólver e que disparou acidentalmente.

Emocionados, os familiares contaram que a criança sofria maus-tratos. Conforme os familiares, a mãe “renegava” o filho, o deixava ir para a escola com fome e o colocava de castigo ajoelhado em grãos de feijão.

A tia de Alyston, Juliana Paes, foi quem disse que a criança era renegada e argumentou que ainda existem muitas coisas que não foram explicadas sobre a morte do sobrinho. “É difícil aceitar que foi uma tragédia, né? Ficam muitas perguntas. Ela [a mãe da criança] vivia colocando de castigo a criança, falava pra gente que ela não aceitava a criança e chegou pra acontecer esta tragédia de hoje”, afirmou.

Já o avô da vítima, Rui de Bairros, disse que a criança chegou a ser tirada da mãe quando era bebê, mas foi devolvida para a família.

“Tiraram da mão deles, mas depois desta época, ele continuou sofrendo. De joelho, atrás da porta, com grão de feijão, quando não era atrás da porta era no banheiro fechado, ia para a escola com fome. Eu lamento um negócio desses, eu sinto muito que eu pra ver ele hoje é só na foto, me dói muito o coração”,

contou o avô, emocionado.

À polícia, o adolescente disse que encontrou a arma em um matagal, levou para casa e estava brincando com o revólver quando aconteceu o disparo. O irmão mais velho dos envolvidos, um adolescente de 16 anos, foi quem prestou socorro e levou o menino de 9 anos ao Hospital Municipal de Araucária. Depois, a criança foi transferida para o Hospital Evangélico, em Curitiba, devido a gravidade dos ferimentos, mas não resistiu.

O velório e o sepultamento de Alyston aconteceram neste domingo (8), no Cemitério Jardim Independência, em Araucária.

A RICtv entrou em contato com o Conselho Tutelar de Araucária, que confirmou que atendia a família, após receber uma denuncia de maus-tratos da mãe com o menino.

O RIC Mais pediu informações sobre o andamento das investigações à Polícia Civil e aguarda retorno.

Atualização

A Polícia Civil informou que o adolescente chegou a ser ouvido, mas não ficou detido pois o delegado entendeu que não houve dolo. Outras testemunhas devem ser ouvidas nos próximos dias.

Veja a nota na íntegra:

“A PCPR segue investigando o caso e realizando diligências a fim de esclarecer o fato. Por não haver dolo, o adolescente não está apreendido. O menor de idade foi ouvido e testemunhas deverão ser ouvidas nos próximos dias.”