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Secretaria não descarta participação do PCC e vingança policial em atentados de Londrina

Redação RIC Mais
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30 de janeiro de 2016 - 00:00 - Atualizado em 30 de janeiro de 2016 - 00:00

Após o último crime contra um PM nesta madrugada, Londrina teve uma onda de assassinatos com o saldo de nove mortos

Em entrevista coletiva realizada na tarde deste sábado (30) na sede da Secretaria Estadual de Segurança Pública, o órgão afirmou que não descarta o envolvimento do Primeiro Comando da Capital (PCC) em dois atentados contra policiais militares, nos últimos dias, em Londrina, no norte do Paraná. O primeiro caso aconteceu na segunda-feira (25), quando um soldado foi baleado na porta de uma farmácia, no Conjunto Vivi Xavier, na zona norte de Londrina. Ele levou três tiros, mas resistiu aos ferimentos. Imagens de câmeras de segurança mostram o momento do atentado.

No último crime, ocorrido na noite desta sexta-feira (29), o soldado Cristiano Luiz Botino, de 33 anos, foi baleado dentro do próprio carro, quando retornava para casa, numa avenida do Conjunto Milton Gavetti. Ele chegou a ser socorrido com vida, mas morreu momentos depois no hospital.

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Horas depois da morte do policial, vários assassinatos foram registrados nos quatro cantos de Londrina e em três municípios da Região Metropolitana. O Instituto Médico Legal (IML) recebeu, ao final da noite, doze corpos, sendo dez deles com ferimentos por armas de fogo. Os hospitais de plantão atenderam outras 16 pessoas baleadas.

Os crimes ocorreram num intervalo de seis horas, entre a noite de sexta-feira e a madrugada deste sábado (30). Em uma das execuções, cinco jovens foram baleados dentro de uma mesma casa – três morreram na hora.

PCC ordena morte de policiais

A série de execuções desta madrugada gerou uma reação imediata. Interceptações telefônicas realizadas por fontes policiais, segundo o jornal o Estado de São Paulo, mostram que o PCC vai reagir. Numa gravação, um membro da facção considera as mortes uma “deselegância extrema contra nossos irmãos” e ordena um “salve geral para matar polícia”.

Em resposta a chacina, a Secretaria Estadual de Segurança Pública encaminhou para a cidade profissionais do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope). Devido a gravidade dos acontecimentos, o comandante da PM do Paraná também virá para Londrina, o Coronel Maurício Tortato também se deslocou para Londrina. Segundo a SESP montada uma espécie de gabinete de gestão de crise para discutir a onda de violência na cidade e outros casos no Paraná.

Vingança policial

Logo após o atentado contra o Policial Militar na porta de uma farmácia, oito pessoas foram mortas misteriosamente nas horas seguintes. A Polícia Civil informou que algumas das mortes estavam ligadas a uma briga entre rivais que disputavam pontos de tráfico de drogas.

No entanto, a participação de policiais nos crimes não foi descartada. “Se porventura comprovarmos o envolvimento, seja de policiais civis ou militares nos homicídios, eles terão que responder pelos crimes que praticaram”, afirmou o delegado-chefe da 10ª SDP, Sebastião Ramos, em entrevistada à RICTV Record. A Polícia Civil ainda não esclareceu nenhuma autoria desses crimes ocorridos nesta semana na cidade.

Onda de atentados

No últimos dias, diversos policiais militares do Paraná foram vítimas de atentados. Dois soldados foram mortos a tiros em Curitiba e Colombo no dia 18 de janeiro. Na noite de quinta-feira (21), um soldado do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) deparou-se com bandidos fortemente armados quando saía de um motel, em São José dos Pinhais. Durante o fim de semana, um quarto militar foi morto a tiros em Colombo. Na segunda-feira (25), um soldado foi baleado em Pato Bragado e encontrado dentro de uma valeta.