Segurança

“Foi um circo de horrores”, conta uma das vítimas que teria sido agredida por GM de Londrina

A mulher conta que os agentes teriam confundido o endereço da denúncia e agredido ela e outras pessoas na frente de crianças

Redação RIC Mais
Redação RIC Mais com informações de Lamartine Cortes, da RIC Record TV Londrina
“Foi um circo de horrores”, conta uma das vítimas que teria sido agredida por GM de Londrina
Foto: Divulgação/Defesa Social

16 de setembro de 2021 - 15:05 - Atualizado em 16 de setembro de 2021 - 15:05

Depois do afastamento das ruas de 11 guardas municipais de Londrina, uma das vítimas das denúncias de agressões explicou o que teria acontecido no dia 18 de julho. Conforme a mulher, que não quer se identificar, aconteciam duas festas próximas: uma em sua casa e em outra residência, que estava com som alto. Os guardas teriam entrado em sua casa por engano e dado golpes de cassetetes, chutes, socos e usado arma de eletrochoque.

Conforme seu depoimento, oito pessoas comemoravam um aniversário no imóvel. No outro endereço, haveriam pessoas com som alto e na rua. Os agentes públicos teriam confundido os endereços e entrado atirando para cima com armas de fogo, além de outros tipos de violência. Ela conta que o filho de cinco anos e outra criança, de quatro, presenciaram a ação. “Foi um circo de horrores”, lembra.

A mulher ressalta que um dos guardas não teria sido truculento e tentou ajudá-la. Entretanto, o gesto não teria impedido os traumas.

“Eu sinto medo, eu não ando sozinha mais na rua. A única coisa que eu faço sozinha é trabalhar. Eu não vou ao mercado sozinha, eu não vou à padaria sozinha, eu não vou a lugar nenhum sozinha. Eu não fico mais na minha casa, no final de semana, porque eu tenho medo de eles chegarem lá. Como eu entrei com processo, eu tenho medo de eles fazerem alguma coisa comigo. Porque eles não podem chegar perto de mim, mas eles podem mandar alguém“,

a mulher conta.

Ela ainda diz que precisou de ajuda psicológica e medicação após o ocorrido. A advogada Isabeau Lobo, que representa a vítima, acredita que o Estado deve indenizá-la. O trauma vivido grande ao ponto de ter alterado a rotina da cliente. “Se o Estado não tem condição de preparar um agente público para policiar, monitorar e guarda a rua, então que ele pelo menos ressarça ela”, defende Lobo.

Em publicação no site, o Ministério Público do Paraná (MPPR) informou que, “na Delegacia de Polícia, os guardas municipais teriam imputado falsamente às vítimas a prática de crimes de ameaça, desacato, resistência e infração de medida sanitária, prestando declarações falsas para desviar o curso das investigações”.

O Coronel Pedro Ramos, responsável pela Secretaria de Defesa Social de Londrina, disse que o ofício impede que os denunciados se aproximem em até 500 metros dos denunciantes. Cada um deles foi realocado. “Nós tomamos como verdadeiro o documento dele e, de maneira preventiva, até para salvaguardar os direitos dos guardas, que até então não tinham sido ouvidos sobre isso, retiramos eles das atividades de rua”, explicou Ramos. Os documentos foram encaminhados para a Corregedoria Municipal fazer a análise e o caso segue sendo investigado.