Feminicídio

‘A gente vive com medo’, desabafa mãe da adolescente morta pelo namorado em Sertanópolis

A mulher contou à equipe da RICtv que tem recebido ameaças do jovem que matou sua filha e da família dele

Redação RIC Mais
Redação RIC Mais com informações de Pedro Marconi, da RICtv Londrina
‘A gente vive com medo’, desabafa mãe da adolescente morta pelo namorado em Sertanópolis
(Foto: Reprodução / Redes Sociais)

19 de janeiro de 2022 - 15:36 - Atualizado em 19 de janeiro de 2022 - 16:29

Maria Aparecida Gallardini, mãe de Eduarda Karollaine, de 13 anos, que foi morta pelo namorado em Sertanópolis, no norte do Paraná, conversou com exclusividade com a equipe da RICtv Londrina. Em entrevista, a mulher contou que, desde o assassinato, no dia 4 de janeiro, vive com a dor da perda e o medo. Segundo ela, Sérgio Henrique da Silva, de 19 anos e autor do crime, fez ameaças de morte.

“É um lugar pequeno e a gente vive totalmente com medo. As ameaças dele na delegacia, onde eu vi ele lá de fora, foram muito desagradáveis para a gente […] nenhuma mãe queria que isso acontecesse. Se ele fez isso com ela tão fácil ele pode fazer com qualquer uma. Eu quero que a Justiça seja feita. Hoje, eu tô sem trabalhar, o meu marido anda doente, porque ele é pré-diabético e não vive bem. A gente vive em uma situação com medo porque vai saber o que pode acontecer. Até do serviço eu sai para não deixar ele sozinho e não ficar andando sozinha na rua.”

comenta a mãe de Eduarda.

Sonhos interrompidos

Maria disse que, desde o dia do crime, vive à base de remédios e contando com o apoio da família. “Ela não era só uma filha, era uma amiga, tudo para mim. Aonde estava uma estava a outra. Ele destruiu a família toda”, fala, emocionada, a mãe. Ela também comenta que não sai mais de casa, com medo das ameaças do jovem e da família dele. “Tô ficando presa na minha própria casa”, finaliza.

Eduarda tinha acabado de começar um curso profissionalizante e sonhava em abrir um salão de beleza com a mãe, como ela mesma conta. Junto do luto e das ameaças, Maria diz que ainda enfrenta o julgamento das pessoas nas redes sociais, em relação a ela e sua filha. A mãe comenta que as roupas curtas que a menina usava e a tatuagem em uma adolescente de 13 anos são o que mais têm gerado os comentários negativos.

“Muitas pessoas estão falando dela, que ela era uma menina de 13 anos que tinha uma tatuagem e perguntando cadê a família. Só que nem todo tempo a gente fica no pé do filho porque o filho também não vai ficar 24 horas debaixo do pé da gente. Eu acho que, para as pessoas julgarem eu e ela é fácil, agora eles têm que olhar o lado deles também para não ver se eles têm filho e se são perfeitos […] quero que eles parem com isso, pensem um pouco e sintam o que eu tô sentindo hoje. Uma mãe perder o filho da maneira que eu perdi ela, acho que nenhuma mãe queria.”

destaca Maria.

Relembre o caso

Eduarda Karollaine Gallardini foi morta a facadas pelo namorado no dia 4 de janeiro, em Sertanópolis. O casal havia começado o relacionamento no dia anterior. Sérgio contou que assassou a jovem por ciúmes depois de ver a menina com outro garoto, segundo ele. O jovem foi até a casa de um tio pegar uma faca para matar o rapaz e a garota. A vítima seguiu o namorado para tentar acalmá-lo e foi esfaqueada até a morte, na Rua Olímpio Daniel, conforme apurado pela Polícia Militar.

Instantes antes do crime acontecer, Sérgio assumiu o relacionamento nas redes sociais. Depois do crime, o jovem ainda atualizou o status para “viúvo”. Foi o próprio rapaz que chamou a polícia e confessou o assassinato.

De acordo com informações colhidas no local, Eduarda morava em Bela Vista do Paraíso, na mesma região do Estado, mas estava em Sertanópolis, na casa do namorado. À RICtv, a mãe da menina disse não saber do namoro da filha muito menos que ela estava na cidade do rapaz. Por telefone, ela falou que a menina contou que estava na casa de uma amiga em Bela Vista do Paraíso. Cerca de duas horas depois, diz Maria, ela recebeu, por ligação, a notícia do assassinato da filha

Justiça

Sérgio já tinha passagens pela polícia e usava tornozeleira eletrônica, de acordo com informações da PM. O jovem está preso em Ibiporã e foi denunciado, pelo Ministério Público do Paraná (MPPR), por feminicídio e estupro de vulnerável. Se a Justiça aceitar a acusação, ele irá para júri popular.

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