Segurança

Delegado revela que conversou com suspeito de matar sogros: “me disse que iria subtrair a própria vida”

“Ele me disse que iria subtrair a própria vida dele, que iria se suicidar, eu disse que não, em hipótese nenhuma, que se ele fez algo, ele teria que ter a honra de pagar por isso em vida”, disse o delegado

Daniela
Daniela Borsuk / Editora com informações de Thais Travençoli, da RIC Record TV Curitiba
Delegado revela que conversou com suspeito de matar sogros: “me disse que iria subtrair a própria vida”
(Foto: RIC Record TV)

28 de outubro de 2021 - 15:23 - Atualizado em 28 de outubro de 2021 - 15:23

O delegado da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Tito Barichello, revelou em entrevista para o programa Balanço Geral Curitiba, que Sérgio Baduy, suspeito de matar os sogros na madrugada desta quinta-feira (28), disse que pretendia cometer suicídio. Conforme Barichello, ele conversou com o suspeito por telefone e tentou convencê-lo a se entregar para a polícia e arcar com as consequências de seus atos.

O suspeito ainda não foi localizado, mas as investigações apontam que Sérgio já não está mais em Curitiba, onde o crime foi registrado. O homem mandou um áudio para o primo da ex-esposa nesta manhã, falando para que ela fosse até a casa dos pais e que levasse a polícia. Ao chegar, a mulher encontrou os pais mortos a facadas, na cama. A polícia localizou uma corda com diversos nós na residência e acredita que a ferramenta tenha sido usada pelo suspeito para acessar o quarto do casal, no Bairro Alto.

“Ele passou por um muro alto, demonstrando o que? Uma premeditação. Porque ele conhecia a casa, conhecia a estrutura da casa, ele convivia naquele ambiente. Então ele passou por um muro de mais de três metros de altura, preparou uma corda em momento anterior, com nós. Se você visualizar a corda, você nota que aquilo foi organizado de forma premeditada, em momento anterior.”

disse o delegado.

Tito Barichello revelou ainda que conversou com o suspeito por telefone. “Eu consegui o telefone dele, e como é de praxe, eu tento entrar em contato com o criminoso sempre. Nos crimes passionais isso é possível. Na maior parte dos casos, nos crimes de tráfico de drogas [por exemplo], o criminoso nós não sabemos quem é. No crime passional, nós conseguimos com facilidade chegar a ele, por todo o contexto. Eu conversei com ele, pedi que ele se entregasse, que a minha função era aplicar a lei, mas que ele teria todas as garantias legais, inclusive com um defensor público pago pelo Estado”, disse o delegado.

“Ele me disse que iria subtrair a própria vida dele, que iria se suicidar, eu disse que não, em hipótese nenhuma, que se ele fez algo, ele teria que ter a honra de pagar por isso em vida […]. No entanto, ele me disse que já era tarde demais, então estou até pedindo para ele, se ele estiver nos assistindo, Sérgio, desista dessa ação negativa, que é o suicídio, enfrente os atos que você fez, e o faça com a mesma coragem que você teve para subtrair a vida de dois idosos.”

contou ainda Barichello.

Conforme o delegado, Baduy diz ser uma vítima da situação. “Ele argumenta para mim que ele é vítima, que é vítima de todo um contexto, então ele pode trazer essa versão, ele pode informar no inquérito o que levou ele a praticar esse ato ilícito”, explicou.

Uma amiga da família afirma que o suspeito cometeu o crime para atingir a ex-esposa, de quem estava separado há seis meses. Conforme a mulher, a ex era muito próxima da família e apoiada pelos pais.

“Eles estavam meio apreensivos, pelo motivo da separação da moça, que ela também estava sofrendo ameaças verbais dele, estava com medida protetiva em relação a isso, e eles estavam meio receosos. Mas nunca, ninguém imaginava, que isso fosse acontecer. Eles eram muito ligados nos filhos, foi a maneira que teve de afetar ela, eles tinham um amor muito grande, eram uma família muito unida. Então eles temiam por ela, os pais avisavam ela também, de alguma coisa, se cuide, e ela se culpa por isso. Perder os pais dessa forma brutal como foi, não é uma coisa fácil de aceitar”. 

disse a mulher, que não quis ser identificada.