Segurança

“Consegui três clínicas, só que não deu tempo mais”, desabafa mãe de jovem morta por dívida de drogas

A mãe da vítima aceitou falar após saber que dois, dos três suspeitos presos pelo crime, estão respondendo ao processo em liberdade

Daniela
Daniela Borsuk com informações de Tiago Silva, da RIC Record TV Curitiba
“Consegui três clínicas, só que não deu tempo mais”, desabafa mãe de jovem morta por dívida de drogas
(Foto: Redes Sociais)

19 de agosto de 2021 - 15:39 - Atualizado em 19 de agosto de 2021 - 15:39

A mãe de Emellyn Pereira Knupp, a jovem que foi assassinada junto com o marido, Luiz Carlos Ribeiro Junior por causa de uma dívida de drogas, quebrou o silêncio e falou com exclusividade com a equipe do programa Balanço Geral Curitiba. Emocionada, a mulher contou que a filha queria deixar de usar os entorpecentes, mas que não teve tempo. A mãe da vítima aceitou falar após saber que dois, dos três suspeitos presos pelo crime, estão respondendo ao processo em liberdade.

Os suspeitos de envolvimento no duplo homicídio tinham sido detidos no dia 22 de julho, durante uma ação da Polícia Civil. Um dos suspeitos é um ex-policial militar, que agora está solto. Conforme as investigações, o crime foi registrado no dia 29 de junho deste ano, no bairro Cajuru, em Curitiba. A mãe de Emellyn relatou que está preocupada com o fato dos suspeitos estarem nas ruas e contou que o desejo da filha era ser internada para se recuperar.

“Ela chorava para mim e falava ‘mãe, eu quero sair dessa vida, mas eu não consigo’. Tanto que nesse domingo que ela apareceu, eu falei ‘filha, então você fique aqui em casa hoje, tome teu banho, descanse, que eu vou arrumar uma clínica novamente para você’, porque uma vez ela já foi internada. Aí na segunda-feira eu já fui atrás, consegui três clínicas, só que não deu tempo mais”. 

disse a mulher, que não será identificada.

A mulher contou que mesmo com a aflição pela filha estar usando drogas, não imaginava que ela pudesse ser mantida em cativeiro e morta pelos traficantes.

“Sempre nas minhas orações eu pedia para que Deus alcançasse a Emellyn, tirasse ela dessa vida, mas nunca imaginei, tanto que no dia que isso aconteceu, eu vi a reportagem de manhã de um casal executado. Eu olhei, mas não abri, e pensei ‘ah, mais um casal, né’, fui trabalhar tranquila. Quando eu soube de tarde que era ela e o meu genro, eu falei ‘meu Deus, eu não estou acreditando que é verdade”. 

afirmou a mãe da vítima.

A mãe da vítima acredita que a filha e o genro tenham sido assassinados após Luiz Carlos roubar droga dos traficantes enquanto embalava os entorpecentes. “E também ele [Luiz Carlos] fazia as entregas. Só que daí como ele era usuário, eles [suspeitos] faziam ele separar as drogas lá na mesa, lá na sala, e em um desses dias ele roubou um pouquinho dessa droga, e eles viram. Então aí, provavelmente, foi o final, que eles [suspeitos] ficaram revoltados. Ou foi uma armadilha para executar eles [as vítimas]”, relatou ela.

“Ela [Emellyn] era só usuária, não ameaçava ninguém, jamais. E o Júnior também, poxa, ele estava devendo, mas ele fazia tanta coisa lá para eles. Então ficou esse buraco, essa lacuna”.

disse a mãe de Emellyn.

O casal tinha três filhos e as crianças agora estão sob os cuidados dos avós e da bisavó.

Os assassinatos

De acordo com a Polícia Civil, as vítimas eram casadas e tinham uma dívida de aproximadamente R$ 4 mil com traficantes do bairro Cajuru. A equipe de reportagem da RIC Record TV Curitiba apurou, com a PC, que Emellyn e Luiz Carlos foram sequestrados e levados até um cativeiro. Eles foram mantidos em cárcere privado por cerca de 10 dias e foram obrigados a embalar as drogas vendidas pelos traficantes durante o período. Ainda, os suspeitos mandavam mensagens para as famílias das vítimas para que elas levantassem o dinheiro da dívida e quitassem o valor.

No entanto, antes de conseguirem pagar o valor pedido, a polícia afirma que Luiz Carlos teria usado uma pedra de crack sem a permissão dos suspeitos, o que teria motivado os assassinatos. Câmeras de segurança registraram o momento em que as vítimas foram levadas até o meio da Rua Doutor José Giostri Sobrinho – local onde foram encontradas baleadas – e, na sequência, o atirador correndo na direção contrária, fugindo.

Luiz Carlos não resistiu aos ferimentos e morreu no local. Já Emellyn chegou a ser socorrida, mas teve a morte confirmada dentro da ambulância. O casal foi atingido com tiros na cabeça e estavam com as mãos e pés amarrados.