Segurança

Caso Daniel completa três anos e julgamento dos réus ainda não foi marcado

A expectativa da acusação é que os sete envolvidos no assassinato sejam submetidos ao Júri Popular; seis pessoas aguardam o julgamento em liberdade 

Redação RIC Mais
Redação RIC Mais
Caso Daniel completa três anos e julgamento dos réus ainda não foi marcado
Daniel foi assassinado após uma festa na casa da família Brittes. (Foto: Montagem/RIC Mais)

27 de outubro de 2021 - 17:03 - Atualizado em 27 de outubro de 2021 - 17:21

O assassinato brutal do jogador Daniel Correa Freitas completa três anos nesta quarta-feira (27) e até agora o julgamento dos sete réus ainda não foi marcado pela Justiça. Enquanto a família da vítima e a sociedade aguardam uma resolução, apenas um dos acusados por envolvimento no crime – o assassino confesso Edison Brittes – está atrás das grades. 

Para o advogado Nilton Ribeiro, que representa a família de Daniel e faz parte da acusação, é provável que todos os réus sejam submetidos ao Tribunal do Júri, mesmo aqueles que não foram indiciados por homicídio. No entanto, é preciso aguardar um novo julgamento de recursos feitos pela defesa. 

“Quem estava escapando do júri era a Cristiana, mas com uma apelação nossa, da acusação, ela foi trazida de volta para o júri. O recurso em sentido estrito é para os outros. A tendência é que os desembargadores refutem, já refutaram uma vez, esses recursos em sentido estrito, que são de autoria dos réus, e todos desçam para o júri. Inclusive tem gente que não é acusada de homicídio, mas o crime que ela está acusada é conexo a homicídio. Então, vai ser julgada pelo Tribunal do Júri”,

explica o advogado. 

Ainda segundo Ribeiro, existe a possibilidade de que os julgamentos sejam desmembrados e ocorram separadamente. “O que pode acontecer é que desmembrem esses autos, por exemplo, vai primeiro o Edison para julgamento, depois os outros réus, ou de repente vai a Cristiana agora e o Edison depois. Tem várias hipóteses que podem acontecer, dependendo dos recursos, mas com certeza não serão feitos todos de uma vez. Deve ser feito um três ou quatro júris. Eu acredito que o primeiro vai ser do Edison”.  

Quem são os acusados

  • Edison Brittes: homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual, corrupção de menor e coação no curso do processo;
  • Cristiana Brittes: coação do curso de processo, fraude processual e corrupção de menor;
  • Allana Brites: coação no curso do processo, fraude processual e corrupção de menor;
  • Eduardo da Silva: homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual e corrupção de menor;
  • Ygor King: homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual;
  • David Willian da Silva: homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual;
  • Evellyn Brisola: fraude processual. 

Relembre o Caso

O jogador Daniel foi morto, na manhã de 27 de outubro de 2018, após uma confusão ocorrida na residência dos Brittes. Na ocasião, cerca de 15 pessoas estavam na casa participando de um after como continuação do aniversário de Allana Brittes, que havia ocorrido em uma casa noturna de Curitiba. 

Daniel foi flagrado por Edison Brittes com sua esposa, Cristiana Brittes, no quarto do casal. Segundo o depoimento de Cristiana, ela teria acordado com o jogador Daniel apenas de cueca no local. A defesa da família Brittes alega que o jogador tentou estuprar Cristiana, enquanto os advogados da família de Daniel defendem que tudo não passou de uma brincadeira infantil e de mau gosto do jovem.

O resultado do flagrante foi o espancamento do jogador ainda na casa dos Brittes e seu assassinato em uma área de mata na Colônia Mergulhão, em Pinhais, na região metropolitana da capital paranaense. O atleta teve seu pescoço parcialmente decapitado com uma faca de churrasco e o órgão sexual extirpado por Edison Brittes

Antes de ser morto, o jogador mandou fotos para os amigos ao lado de Cristiane Brittes. (Foto: Reprodução/Grupo RIC)

Eduardo da Silva, Ygor King e David Willian da Silva estavam presentes no momento em que o jogador foi morto em uma plantação de pinus. Os três negam participação direta no crime. No entanto, o Ministério Público do Paraná (MP-PR) não acreditou em suas versões e indiciou os três por homicídio.

Nos dias que seguiram após o assassinato, a família Brittes tentou convencer as testemunhas, que estavam na casa, a confirmarem que o jogador havia ido embora sozinho do local, quando na verdade todos haviam visto o começo das agressões contra Daniel. Na tentativa de despistar a polícia e os familiares da vítima, Allana postou no Instagram uma fotografia com o jogador como forma de luto e mentiu para Eliane Corrêa,  mãe do jogador, sobre o que havia ocorrido. Já Edisson chegou a ligar para Eliane para dar os pêsames e oferecer auxílio em um momento tão difícil.

Edison confessou o crime e foi preso em novembro do mesmo ano. Sua esposa e filha, Cristiana e Allana, também chegaram a ser detidas, mas, assim como todos os outros réus, conseguiram o direito de aguardar o julgamento em liberdade.

Seis acusados respondem por várias crimes, conforme o seu envolvimento no assassinato. Evellyn Brisola é a única indiciada por apenas um delito, fraude processual. De acordo com a investigação, ela estava na residência e ajudou a limpar as marcas de sangue de Daniel deixadas na casa da família Brittes.