Segurança

Bannon se entrega ao FBI para responder sobre envolvimento em ataque ao Capitólio

Reuters
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15 de novembro de 2021 - 12:19 - Atualizado em 15 de novembro de 2021 - 12:36

Por Jan Wolfe e Sarah N. Lynch

WASHINGTON (Reuters) – Steve Bannon, conselheiro de longa data do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump, entregou-se ao FBI nesta segunda-feira para enfrentar as primeiras acusações criminais por envolvimento na organização do ataque ao Capitólio, em 6 de janeiro, e por se recusar a colaborar com a investigação sobre o caso.

Falando a seus apoiadores, Bannon olhou diretamente para a câmera que estava transmitindo ao vivo no site de mídia social de extrema-direita GETTR, criada por ex-assessores de Trump, e os incentivou a manter o foco.

“Estamos derrubando o regime de Biden”, disse Bannon, vestindo três camisas pretas e um casaco verde. “Quero que vocês fiquem focados … Isso é tudo barulho.”

Na sexta-feira, um grande júri federal indiciou Bannon por desacato ao Congresso por se recusar a comparecer para um depoimento e por se recusar a apresentar documentos. A desobediência ao Congresso é uma contravenção penal com pena de até um ano de prisão e multa máxima de 1.000 dólares, disse o Departamento de Justiça norte-americano.

Bannon, 67 anos, deve fazer sua primeira aparição no tribunal federal na segunda-feira.

O ex-assessor de Trump, que é próximo do deputado Eduardo Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro, é uma das mais de 30 pessoas próximas ao ex-presidente republicano que foram convocadas pelo Comitê Selecionado da Câmara dos Representantes dos EUA para testemunhar sobre o que aconteceu no 6 de janeiro, quando milhares de pessoas invadiram o edifício do Capitólio em uma tentativa de impedir a certificação formal do Congresso da eleição de Joe Biden.

Os investigadores da Câmara esperam que a ação contra Bannon motive outras testemunhas, como o ex-chefe de gabinete Mark Meadows, a depor. Bannon se recusou, citando a insistência de Trump – já rejeitada por um juiz – de que ele tem o direito de manter confidencial o material solicitado sob uma doutrina legal chamada executive privilege .

O deputado americano Adam Schiff, presidente democrata do Comitê de Inteligência da Câmara e membro do painel de 6 de janeiro, disse acreditar que a prisão levaria outros a abandonar a decisão de desafiar as ordens do Congresso.

“Isso terá um efeito de foco muito forte na tomada de decisões”, disse Schiff ao programa “Meet the Press” da NBC, no domingo.

(Reportagem de Sarah N. Lynch e Jan Wolfe, reportagem adicional de Matt Spetalnick)