Segurança

700 famílias passam por problemas com casas cedidas por programa social

Os moradores da vila Boa Esperança, no bairro Tatuquara, em Curitiba, conversaram com a equipe da RIC Record TV e relataram que as casas correm risco de desabamento

Mônica
Mônica Ferreira / Estagiária Com informações de Adriana Lopes e supervisão de Caroline Berticelli, da RIC Record TV Curitiba
700 famílias passam por problemas com casas cedidas por programa social
(Foto: Reprodução/RIC Record TV)

8 de novembro de 2021 - 16:57 - Atualizado em 9 de novembro de 2021 - 12:55

O sonho da casa própria virou um pesadelo para cerca de 700 famílias que estão passando por problemas nos imóveis cedidos pelo programa social: Minha Casa Minha Vida, da Caixa Econômica Federal. Os moradores da vila Boa Esperança, no bairro Tatuquara, em Curitiba, conversaram com a equipe da RIC Record TV e relataram que as residências correm risco de desabamento. (Assista à reportagem abaixo)

De acordo com a reportagem do Balanço Geral Curitiba, as famílias carentes ganharam ou compraram as casas do programa social por um preço “acessível”. Porém, elas apresentam problemas desde 2014. Além das enormes rachaduras nas paredes, a fiação elétrica e os encanamentos também colocam a população da região em risco.

“Os fios derretem e levantou um fogo na parede e eu precisei de ajuda pra poder apagar o fogo. Não fui no bombeiro porque se eu fosse até lá, minha casa pegava fogo, quando chegasse aqui já estaria tudo queimado”,

relatou Terezinha dos Santos.

Já Jussara Ribas explicou que, em dias de chuva, sua casa alaga devido ao mau funcionamento do encanamento e o mau cheiro atrai os animais. Por conta disso, ela foi ao hospital nesta semana, pois está com suspeita de leptospirose.

Foto: Reprodução/RIC Record TV

“Estou com falta de ar, dor de cabeça, dor no corpo, não consigo andar sozinha que minhas pernas amolecem, eu caio. […] O rato morreu dentro do meu fogão, não tem capacidade de usar, eu estou cozinhando aqui fora, está bem difícil”,

contou Jussara.

No caso da Maria Lima, sua residência chegou a ser reconstruída por uma empreiteira contratada pela própria Caixa Econômica. Conforme ela explica, a família recebeu um aluguel social e teve que deixar a casa.

“No final começaram a chorar para pagar o aluguel para a gente, daí a gente pegou a chave e se mudou para cá, porque não tinha condição de ficar em casa alugada”,

contou Maria.

Ao voltar para sua casa, viu que ainda tinha outro prejuízo. A empreiteira usou a água do seu imóvel para fazer a reforma e a dívida com Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) é de R$5mil. 

Em um dos acidentes mais recentes, Arionaldo de Paula estava sentado na sala de casa, junto com a neta de 5 anos, quando a escada de concreto que levava para o andar superior desabou. Por sorte, os dois sofreram apenas ferimentos leves, mas depois do susto, o aposentado, que toma remédios controlados, passou a ter medo de ficar sozinho no local e foi necessário que seu filho fosse morar com ele. Além disso, a criança também ficou perturbada.

“Assustou bastante, ficou uns dois dias grudado com a gente, não queria mais brincar, foi bem complicado. A escada para ela foi um susto bem grande, caiu bem nas costas dela. Se não fosse meu pai, tinha pego ela”,

contou Fernando de Paula, filho de Arionaldo e pai da menina.

O que diz a Caixa Econômica Federal

O portal RIC Mais entrou em contato com a Caixa Econômica Federal. Confira a nota na íntegra:

A CAIXA informa que os Condomínios Boa Esperança I, II e III localizados em Curitiba (PR) foram contratados no âmbito do Programa Minha Casa, Minha Vida – Faixa I – FAR pela Construtora Veloso, que paralisou as obras, sendo concluídos pela FMM Construções Civis e entregues aos beneficiários em 2012.

O banco esclarece que, após levantamentos realizados, foram identificados vícios construtivos em algumas unidades residenciais, razão pela qual a CAIXA, na condição de representante do FAR, promoveu a contratação de empresas para execução de reparos nas unidades.

A CAIXA informa que a empresa contratada está realizando vistorias conjuntamente com os moradores para início das obras. A construtora já deu início aos reparos nas unidades que receberam a vistoria.

A Construtora Veloso, assim como seus sócios, estão impedidos de operar em novos projetos com o banco.

Veja a reportagem: