Saúde

Atraso no repasse das vacinas da AstraZeneca não afeta Curitiba, diz prefeitura

Para suprir escassez, São Paulo aplica vacina da Pfizer para completar esquema vacinal de quem tomou a primeira dose da AstraZeneca

Pablo
Pablo Mendes com supervisão de Andrea Torrente
Atraso no repasse das vacinas da AstraZeneca não afeta Curitiba, diz prefeitura
(Foto: Jose Fernando Ogura /AEN)

16 de setembro de 2021 - 09:28 - Atualizado em 16 de setembro de 2021 - 09:32

Em meio às incertezas no repasse da vacina da AstraZeneca, que está afetando a cidade de São Paulo e seis estados – São Paulo, Bahia, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Espírito Santo e Rio Grande do Norte -, a prefeitura de Curitiba negou haver risco de desabastecimento na cidade, pelo menos por enquanto.

A secretaria de Saúde do município afirma que não existem motivos para as pessoas se preocuparem, pois a cidade conta com estoque para as próximas semanas para completar o ciclo de imunização de quem tomou a primeira dose da AstraZeneca.

‘’Não houve, até o momento, informação oficial sobre atraso de envio de doses de Astrazeneca para o município e Curitiba conta com estoque para aplicação de segunda dose de Astrazeneca para as próximas semanas. Se o Ministério da Saúde e a Secretaria de Saúde do Paraná seguirem o calendário de entrega não haverá impacto no cronograma posteriormente.

Informou a prefeitura de Curitiba, em nota.

O atraso nos repasses gerou preocupação nas pessoas que se vacinaram com a primeira dose da AstraZeneca. Para suprir à escassez, o governo paulista orientou o uso da vacina da Pfizer como segunda dose. Segundo a secretaria municipal de Saúde de São Paulo, a aplicação de imunizantes de marcas diferentes ocorre de forma “excepcional e emergencial”.

A prefeitura de Curitiba informou que, além de não sofrer com escassez de doses, não há previsão de usar marcas diferentes da vacina entre uma aplicação e outra e que seguirá as orientações do Programa Nacional de Imunização para qualquer alteração na estratégia de vacinação.

Nesta quarta-feira (15), o ministro da Saúde Marcelo Queiroga negou que haja falta de vacinas e acusou os estados de anteciparem as segundas doses para acelerar o calendário.

“Há excesso de vacina na realidade. O Brasil já distribuiu 170 milhões de doses de vacinas, 210 milhões já foram aplicadas, hoje nós já temos doses pra vacinar todos os brasileiros acima de 18 anos com a primeira dose, agora, naturalmente, há um anseio de avançar, por exemplo, nessa dose de reforço, ou terceira dose, naqueles indivíduos que são mais vulneráveis”

disse Queiroga.

Sobre o uso de marcas diferentes para completar o esquema vacinal, a Anvisa diz que todas as vacinas aprovadas são seguras e eficazes, mas que ainda busca dados científicos para determinar o impacto da imunização com produtos diferentes.

Apesar de recomendar o uso da mesma vacina nas duas aplicações, a Anvisa afirma que “se necessário, em situações de fornecimento interrompido, seria razoável oferecer esquema completo com a vacina disponível, especialmente para indivíduos de alto risco”.

Confira a nota da Anvisa na íntegra

A Anvisa tem feito busca ativa por dados de estudos sobre a dose de reforço e doses heterólogas (uso de duas vacinas diferentes), solicitando aos laboratórios a apresentação dos dados já disponíveis e acompanhando a literatura científica disponível.   

Até o momento não há estudos conclusivos que considerem a utilização da segunda dose ou a dose de reforço com uma vacina heteróloga, ou seja, com vacina diferente daquela que foi utilizada pela pessoa no primeiro esquema de imunização. 

Dessa forma, não há informações conclusivas sobre o impacto da imunização com doses diferentes. 

Por outro lado, todas as vacinas em uso no país têm perfis de risco bem definidos e uma relação de segurança favorável ao seu uso pela população. 

A segurança e eficácia de esquemas vacinais com vacinas diferentes ainda não foi decidido por autoridades regulatórias de referência. 

No momento, a grande maioria dessas autoridades recomendam que ambas as doses do esquema vacinal sejam completadas com a mesmas vacinas contra a COVID-19, ou seja, não há uma posição fechada sobre a intercambialidade das vacinas.   

A estratégia de utilizar uma vacina diferente deve ser avaliada com cautela, considerando a real necessidade clínica dos pacientes, o abastecimento e outros indicadores de saúde pública, incluindo a segurança dos intervalos, o risco de aumentar o perfil das reações adversas e o estabelecimento de um programa de monitoramento.   

O ideal é completar o esquema vacinal com a mesma vacina que foi iniciado, entretanto, se for necessário, por exemplo, em situações de fornecimento interrompido, seria razoável oferecer esquema completo com a vacina disponível, especialmente para indivíduos de alto risco. Além disso, o paciente deveria ser informado sobre o risco de maior reatogenicidade com esquemas de vacinação heterólogos (febre, mal-estar geral, artralgia, mialgia).  

decisão de incluir as doses de reforço ou uso heterólogo no calendário vacinal é do PNI/MS