Saúde

Coronavírus: saiba detalhes da vacina russa, 1ª do mundo a ser aprovada

Os testes começaram em 18 de junho em duas instituições russas e incluíram 38 voluntários

Renata
Renata Nicolli Nasrala / Editora com informações do R7
Coronavírus: saiba detalhes da vacina russa, 1ª do mundo a ser aprovada
Foto: Eduardo Matysiak

11 de agosto de 2020 - 11:45 - Atualizado em 11 de agosto de 2020 - 11:45

Para combater o coronavírus, a 1ª vacina aprovada é da Rússia, e foi registrada oficialmente nesta terça-feira (11). Chamada de  Sputnik V, o país já fechou contrato para produzir a vacina em cinco outros países, capacitando a fabricação de 500 milhões de doses no período de um ano.

No Brasil, a Rússia negocia a fabricação da 1ª vacina do mundo com o Instituto Butantan, em São Paulo, e com a Tecpar (Instituto de Tecnologia do Paraná), do governo do Paraná.

Coronavírus: vacina russa é aprovada e usa o mesmo princípio da vacina de Oxford

A vacina Sputnik V utiliza o mesmo princípio da vacina de Oxford, desenvolvida pela Universidade de Oxford com a empresa AstraZeneca, que passa por testes no Brasil, conforme o governo do Paraná.

De acordo com os especialistas à frente de seu desenvolvimento, a vacina é composta por adenovírus enfraquecido, vírus que causa o resfriado comum, além de fragmentos do novo coronavírus para estimular o corpo a produzir anticorpos. A princípio são necessárias duas doses de vacina.

“O gene do adenovírus que causa a infecção é removido e um gene com o código da proteína de outro vírus é inserido. O elemento inserido é pequeno e de uma parte não perigosa do vírus, seguro para o corpo, mas que leva o sistema imunológico a reagir e produzir anticorpos que protegem da infecção”, explicou a agência.

A vacina foi desenvolvida pelo Instituto Gamaleya de Epidemiologia e Microbiologia, em Moscou, em conjunto com o Fundo Russo de Investimentos Diretos (RFPI, na sigla em russo).

As duas primeiras fases de testes foram concluídas e seus resultados serão publicados neste mês, de acordo com a agência.

“A produção em massa da vacina está prevista para setembro. Mas ela começaria a ser distribuída à população russa em 1º de janeiro de 2021”.

A terceira e última fase de testes serão feitas nos Emirados Árabes Unidos, na Arábia Saudita e nas Filipinas, e Cuba deverá começar a produzir o medicamento em novembro, segundo a agência.

A Rússia teria recebido pedido de 20 países, totalizando a produção de 1 bilhão de vacinas, ainda de acordo com o Sputinik News.

Os testes começaram em 18 de junho em duas instituições russas e incluíram 38 voluntários. Desses, todos desenvolveram imunidade. O primeiro grupo recebeu alta em 15 de julho e o segundo, em 20 de julho.

Nesta terça-feira (11), o presidente Vladimir Putin afirmou que a vacina é segura após dois meses de testes em humanos.

“Sei que ela age de forma bastante eficaz, formando uma imunidade estável e, volto a dizer, passou em todos os testes necessários”, afirmou Putin, segundo o Sputinik News.

Além disso, Putin afirmou à imprensa que uma de suas filhas participou dos testes.

“Após a primeira dose teve 38ºC de febre. No dia seguinte, cerca de 37ºC. E é tudo. Depois da segunda dose, a temperatura também subiu um pouco e, logo depois, já estava tudo bem, ela se sente bem e [os anticorpos] estão altos.”, acrescentou.

Vacina continuará passando por testes

Conforme o ministro da Saúde da Rússia, Mikhail Murashko, a vacina continuará passando por testes clínicos com a participação de milhares de pessoas, já que a velocidade do desenvolvimento e a falta de transparência levaram à desconfiança em relação a produção da vacina.

O Reino Unido, os EUA e o Canadá acusaram a Rússia de ter usador hackers para tentar roubar pesquisas sobre a vacina contra o coronavírus. Entretanto, a agência de notícias estatal afirmou nesta terça que a vacina é segura.

“Hoje muitas mídias e políticos ocidentais questionam a rapidez da criação da vacina contra a covid-19 na Rússia, levantando dúvidas sobre sua eficácia e autenticidade. O segredo por trás de tal rapidez é a experiência da Rússia em pesquisa vacinal. Desde a década de 1980, o Centro Gamaleya tem liderado o esforço para desenvolver uma plataforma tecnológica usando adenovírus, normalmente transmitindo o resfriado comum, como veículos que podem induzir material genético de outro vírus dentro de uma célula”, acrescentou. 

Sobre a rapidez da produção, a agência disse que a plataforma tecnológica baseada em adenovírus torna a criação de novas vacinas mais fácil e rápida, por meio da modificação do vetor com o material genético de novos vírus.

“O processo de modificação vetorial e a produção em escala demora poucos meses”. 

Desde 2015, pesquisadores russos têm trabalhado no modelo de dois vetores, daí a ideia de usar dois tipos de vetores adenovirais, Ad5 e Ad26, na vacina contra o coronavírus.

De acordo com a estatal, o uso de dois vetores é uma tecnologia única, desenvolvida pelos cientistas do Centro Gamaleya, o que diferencia a vacina russa de outras vacinas vetoriais de adenovírus em desenvolvimento ao redor do mundo.

Utilizando o método de dois vetores, o Centro Gamaleya desenvolveu e registrou uma vacina contra o ebola, aplicada em 2 mil pessoas no Guiné em 2017 e 2018.

“A Universidade de Oxford está usando um adenovírus de um macaco, o qual nunca foi usado antes em uma vacina aprovada, ao contrário dos adenovírus humanos. A Johnson & Johnson está usando o adenovírus Ad26 e a chinesa CanSino o adenovírus Ad5, os mesmos vetores usados pelo Centro Gamaleya, mas eles ainda terão de dominar a técnica de dois vetores”, finaliza.