Saúde

Sem medicamento, atendimentos do Hospital do Câncer de Londrina precisam ser suspensos

A ausência dos remédios, usados no diagnóstico e tratamento de câncer de tireoide, e a suspensão dos atendimentos afetam pelo menos 40 pacientes

 

Ana Clara
Ana Clara Marçal / Estagiária com informações de Laís Cardoso, da RIC Record TV e supervisão de Giselle Ulbrich
Sem medicamento, atendimentos do Hospital do Câncer de Londrina precisam ser suspensos
Foto: Reprodução/Hospital do Câncer de Londrina

27 de setembro de 2021 - 17:03 - Atualizado em 27 de setembro de 2021 - 17:03

Pelo menos 40 pacientes do Hospital do Câncer de Londrina (HCL), no norte do Paraná, estão passando por momentos de angústia: com uma das salas sem funcionar devido à falta de medicamentos, alguns atendimentos foram suspensos a partir desta segunda-feira (27).

“É muito pesado, né, porque a gente sabe que o câncer tem pressa, as pessoas querem tratar o mais rápido possível. Então quando se fala do atraso de uma semana, preocupa todos os nossos profissionais, porque eles tem que arrumar meios de tentar equacionar da melhor forma possível, muitas vezes fica de mãos amarradas porque não tem um plano B. Então isso realmente traz um alerta significativo, não só para nós mas também para o paciente. Acho que o peso maior é justamente essa questão de não poder tratar nesse momento.”

comenta o administrador geral do hospital, Edmilson da Silva Garcia.

Motivo

Os medicamentos em falta são produzidos pelo Instituo de Pesquisas Nucleares (Ipen), com recursos do Governo Federal. Semana passada, foram liberados R$ 19 milhões para que o instituto faça a importação dos insumos para a fabricação dos remédios.

Como o Ipen é responsável por 85% do fornecimento de remédios do país, fabricando cerca de 25 radiofármacos diferentes, a quantia destinada é insuficiente. A expectativa é que fossem liberados aproximadamente R$ 34.6 milhões. Com o corte de verba do órgão, dois medicamentos usados no diagnóstico e tratamento do câncer de tireoide estão em falta: o Tecnéssio, aplicado horas antes da análise para detectar a doença, e o Iodo 131, usado no pós-operatório.

“Eles são utilizados em três áreas aqui do hospital: na cirurgia, no diagnóstico e, também, no tratamento das doenças oncológicas. Na cirurgia, nós temos um plano B, que é um outro produto que acaba ajudando ao profissional médico durante a cirurgia. Claro que isso acaba demandando mais tempo, é algo um pouquinho mais complexo, mas é possível fazer os procedimentos cirúrgicos.”

explica o administrador geral do HCL.

A esperança é que o atendimento volte ao normal entre os dias 4 e 11 de outubro.