Saúde

Quatro casos de raiva bovina são identificados na região de Cascavel

O foco da zoonose é no distrito de São João do Oeste; focos foram identificados pela Agência de Defesa Agropecuária

Aline
Aline Cristina / Repórter
Quatro casos de raiva bovina são identificados na região de Cascavel
(Foto: arquivo RICtv)

6 de janeiro de 2022 - 13:41 - Atualizado em 6 de janeiro de 2022 - 13:43

A Adapar (Agência de Defesa Agropecuária) de Cascavel, no Oeste do Paraná registrou só no começo deste ano, quatro novos casos de raiva bovina na cidade. O foco da zoonose é no distrito de São João do Oeste

A raiva é causada por um vírus e pode ser adquirida por todos os mamíferos, transmitida principalmente pela espécie de morcego hematófago (se alimenta de sangue) Desmodus rotundus, a zoonose (que também passa para humanos) precisa ser dada atenção.

O morcego geralmente ataca animais em locais abertos, devido à facilidade. Eles mordem a presa e sugam o sangue. Se o animal não está imunizado, ele é contaminado com o vírus, que possui um período de incubação bastante variável.

“Nos morcegos, por exemplo, pode demorar até 250 dias até aparecer os primeiros sinais. Nos bovinos, pode variar de 30 a 90 dias. Nos homens, de 20 a 60. Após a manifestação dos sintomas, aí não há mais o que fazer.”

Luciana Riboldi – médica veterinária da Adapar

A raiva em animais herbívoros é uma das preocupações constantes dos pecuaristas da região Oeste do Paraná. Com o Parque Nacional do Iguaçu como reservatório da doença, não é raro que casos acometam os rebanhos de bovinos, equinos e ovinos dos municípios ao entorno e também dos mais afastados.

Sinais de infecção

Os sinais compatíveis com suspeita de raiva nos herbívoros são o isolamento, perda de apetite, salivação abundante, perda de equilíbrio e consequentes quedas, opistótono (estiramento do pescoço), entre outras.

“Quando o produtor notar qualquer alteração ou sintomas neurológicos nos animais, contate imediatamente a Adapar. Isso vale também quando descobrir algum abrigo de morcegos.”

Luciana Riboldi – médica veterinária da Adapar

A raiva nos herbívoros é a paralítica e não a raiva furiosa, como nos cães. Quando um médico veterinário identifica animais com sintomatologia de doenças nervosas, ele precisa informar obrigatoriamente a Adapar.

Prevenção

A prevenção em humanos é a vacinação e, após a mordida e durante o período de incubação, é possível tratar com soro. Os médicos veterinários e produtores que podem ter contato com os animais, precisam sempre estar também imunizados. Os animais contaminados após o óbito devem ser enterrados em covas fundas, minimizando assim os riscos de transmissão.

A imunização através do uso de vacina é a forma de previnir os rebanhos contra esta enfermidade. Em 2021, diversos casos foram registrados no município.

“Destacamos a importância do custo da vacina em relação ao custo dos animais e o custo benefício no investimento na prevenção da raiva. Também é importante informar que a vacina antirrábica é elaborada com diluente aquoso e, portanto não provoca abcessos nem febre nos animais desde que administrada sob condições adequadas de higiene. O número de casos pode aumentar para 6, já que foram feitas novas coletas na tarde de quarta-feira (5).”

Luciana Riboldi – médica veterinária da Adapar

Os morcegos

Quando o produtor rural desconfiar de algum abrigo de morcegos e notar ataques aos animais, é preciso chamar a Adapar. Eles são facilmente identificados pelas fezes. Os demais morcegos possuem as fezes semelhantes às dos ratos.

Após comunicação de possível abrigo de morcegos, os servidores da Adapar vão até o local, fazem a captura dos animais e, em alguns casos, fazem o controle da população com pasta vampiricida.

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