Saúde

Para Queiroga, número de mortes de crianças não justifica pressa em vacinação

“Os óbitos em crianças estão absolutamente dentro de um patamar que não implica em decisões emergenciais”, disse ele

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Para Queiroga, número de mortes de crianças não justifica pressa em vacinação
(Foto: Walterson Rosa/MS)

23 de dezembro de 2021 - 14:41 - Atualizado em 23 de dezembro de 2021 - 15:42

BRASÍLIA (Reuters) – O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse nesta quinta-feira (23) que o número de mortes de crianças entre 5 e 11 anos causadas pela Covid-19 é a baixo e não justifica acelerar a vacinação para a faixa etária, apesar da autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Em fala a jornalistas na entrada do Ministério da Saúde, Queiroga justificou o porquê de o governo ter aberto uma consulta pública para vacinação de crianças, apesar do aval técnico da Anvisa, da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) e da pressão de governadores, secretários de saúde e especialistas.

“Felizmente o número de óbitos nessa faixa etária é baixo. Isso quer dizer que não devamos nos preocupar? Claro que não. Mas mesmo que as vacinas começassem a ser aplicadas amanhã, isso não teria o condão de resolver o problema de forma retrospectiva”, disse Queiroga.

“Os óbitos em crianças estão absolutamente dentro de um patamar que não implica em decisões emergenciais. O Ministério da Saúde tem que tomar suas decisões em evidências científicas.”

As evidências científicas mostram até agora que a dose da vacina Pfizer, aprovada pela Anvisa, é segura para crianças e tem causado efeitos positivos na redução de infecções. Em sua análise técnica para liberar a vacinação, a Anvisa apontou que os benefícios superam em muito os riscos.

Uma nota da Câmara Técnica de Assessoramento em Imunização da Covid-19 (CTAI) aponta que 301 crianças na faixa etária de 5 a 11 morreram de Covid no país, quase uma a cada dois dias.

Formada pelos secretários de saúde e por entidades médicas independentes, a CTAI defendeu, na nota, o início da vacinação infantil, mas o governo não fixou data para o início.

Pelo contrário, presidente Jair Bolsonaro tem se declarado contra a vacinação de crianças. Em live no dia em que ocorreu a autorização pela Anvisa, Bolsonaro chegou a dizer que queria a divulgação do nome dos técnicos da Anvisa que chancelaram o uso da vacina para crianças.

Imediatamente, os servidores passaram a ser ameaçados por e-mail e por redes sociais. A Polícia Federal investiga as ameaças.

(Reportagem de Lisandra Paraguassu)