Saúde

A maldição das drogas: conheça dois ex-dependentes que venceram a batalha contra o vício

Um precisou quase morrer para voltar a viver, enquanto o outro teve coragem de procurar ajuda ao perceber que as pessoas tinham medo dele

Redação RIC Mais
Redação RIC Mais com informações de Emanuel Pierin, da RIC Record TV Curitiba
A maldição das drogas: conheça dois ex-dependentes que venceram a batalha contra o vício
Foto: Reprodução/Grupo RIC

13 de outubro de 2021 - 17:32 - Atualizado em 13 de outubro de 2021 - 21:18

Na terceira e última reportagem da série especial ‘A maldição das drogas’, os repórteres Emanuel Pierin e Robson Silva contam a história de dois ex-dependentes químicos que conseguiram vencer a batalha contra o vício. (Assista vídeo abaixo) 

Leandro Teodoro usou crack por dez anos e na maioria deles viveu nas ruas. Como muitos dependentes químicos, ele começou com outras substâncias ilícitas antes de chegar a droga altamente viciante. 

“Eu comecei cheirando cola, cheirando tíner, aí comecei a fumar maconha até que eu tive o encontro com o crack”,

lembra Leandro. 

E assim, logo ele acabou nas ruas, de onde acreditou que jamais sairia. “Para mim aquela vida que eu estava vivendo, ia ser a única vida que eu ia viver. Para mim eu iria morrer daquela forma”, completa. 

Ele conta que precisou quase morrer de verdade para poder viver novamente, para ter coragem de iniciar a batalha contra o vício que o consumia. “Eu fui baleado três vezes: levei um tiro na nuca, que saiu na boca; um tiro no pescoço, que saiu na garganta e levei um tiro na espinha. Fui dado como morto pelos paramédicos que vieram me socorrer. Fiquei morto 40 minutos e uma oração mudou o quadro da minha história. Quando eu encontrei com Jesus, eu encontrei com Jesus na maca de um hospital. Eu acordei de um coma, eu estava lúcido, eu sabia tudo o que tinha acontecido e parece que as ‘escamas’ caíram dos meus olhos e eu falei: ‘Deus me concedeu uma nova chance”, relata emocionado. 

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Hoje, transformado, Leandro é pastor e recebe seus fiéis em uma pequena igreja da Grande Curitiba. Segundo conta, em seus tempos de dependência química, algumas pessoas que tentaram ajudá-lo chegaram a falar sobre espiritualidade, mas ele nunca deu atenção. “Nunca imaginei. Nunca passou pela minha cabeça. Deus já usou algumas pessoas para falar sobre isso, mas eu nunca dei ouvido a isso. Eu nunca me via assim”, explica. 

Além de pastor, ele também mantém um projeto social que ajuda as pessoas que vivem nas ruas a largarem o vício. Conforme o ex-dependente químico, quando ele conseguiu resgatar sua vida, a vontade de estender essa alegria para outras pessoas nasceu naturalmente.

“Começou a nascer essa vontade de ajudar e tirar pessoas dessa vida. A vontade de apresentar o outro lado da moeda para eles”,

diz Leandro. 

Reinaldo Oliveira morou nas ruas por 11 anos. Dependente de álcool e usuário eventual de crack, ele explica que sua ‘chave virou’ o dia em que percebeu que provocava medo nas pessoas

“A gente ficava bebendo, usando drogas. Eu estava na Toaldo Tulio e vinha vindo uma mulher com uma criança, como se fosse ao meu encontro, eu notei que ela olhou para mim e atravessou para o outro lado da rua. Nesse momento, eu olhei para mim e pensei: ‘Nossa’”,

lembra. 

Foi então que ele resolveu procurar uma clínica em recuperação e se entregou de corpo de alma no processo. “Eu cheguei na verdade destruído, para você ter uma ideia, eu fumava crack quando estava muito bêbado, para tirar um pouco da tontura da bebida, para eu ficar um pouco mais são”. 

De lá para cá, já se passaram quase 12 anos, mas Reinaldo admite que a luta é para sempre, que o que transformou sua vida foi a vontade de permanecer longe das drogas e com uma existência digna. 

“Se eu disser para você que eu não sinto, é mentira minha, mas a minha vontade de permanecer de pé, a minha vontade de continuar nos caminhos do senhor Jesus Cristo, é bem maior que a minha vontade de usar droga. Eu agora estou com outro visão, mas nunca esquecendo do lugar de onde eu saí”,

finaliza. 

Assista à reportagem completa: