Saúde

A maldição das drogas: a luta contra o crack e a dificuldade do tratamento

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), pelo menos 6% de toda a população do planeta tem algum tipo de dependência e a maioria não têm acesso a um tratamento adequado

Redação RIC Mais
Redação RIC Mais com informações de Emanuel Pierin, da RIC Record TV Curitiba
A maldição das drogas: a luta contra o crack e a dificuldade do tratamento
Adilson Gonçalves perdeu família, amigos e o emprego para as drogas. (Foto: Reprodução/Grupo RIC)

12 de outubro de 2021 - 15:37 - Atualizado em 13 de outubro de 2021 - 14:49

Na segunda reportagem da série especial ‘A maldição das drogas’, os repórteres Emanuel Pierin e Robson Silva contam a história de um ex-radialista que deixou a família para viver nas ruas e de Luana Pinheiro, que pediu ajuda ao Balanço Geral Curitiba para tratar a dependência química. A luta dos dois é contra a mesma droga: o crack(Veja vídeo abaixo)

Adilson Gonçalves, de 48 anos, é dependente químico há 18 anos e há 10 vive nas ruas. Conforme conta, ele começou a usar crack depois de uma decepção amorosa e nunca mais conseguiu sair do caminho das drogas. Com o passar do tempo, largou emprego, família e amigos para viver nas ruas. 

“Foi por causa de decepção de mulher, fui traído pela minha mulher. Hoje eu tenho uma filha, graças a Deus, com 17 anos, mora em Araucária. Amo minha filha, é minha única filha, e eu prefiro vir para a rua e deixar a casa para ela e para a mãe dela”,

diz Adilson. 

Emocionado, o dependente químico explica que apesar da saudade e do amor que sente pela filha, não vê a jovem há anos porque tem vergonha

“Dói, eu nunca mais falei com ela. Tenho vergonha, na verdade, de ver ela pela situação que eu me encontro hoje. Ela é a coisa mais linda do mundo”,

conta com os olhos marejados. 

No entanto, apesar de toda a dor que a dependência química causou em sua vida, ele confessa que o vício fala mais alto e quando está em abstinência, chega a implorar por dinheiro.  

“O crack para mim, tipo eu acabei de fumar há 10 minutos atrás, eu e meu amigo. Então, eu estou calmo conversando, quando eu estou estressado e nervoso. O que eu faço? Eu chego e converso com a pessoa: ‘Pelo amor de Deus, me dá uns R$ 5 para comprar um crack. Eu sou sincero e honesto”,

relata Adilson. 

Tratamento

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), pelo menos 6% de toda a população do planeta tem algum tipo de dependência. No Paraná, isso seria algo em torno de 680 mil pessoas com esse mal. A maioria, não tem acesso a um tratamento digno e isso impacta diretamente nas chances dos viciados se recuperarem. 

Com 27 anos, Luana Pinheiro viu no Balanço Geral Curitiba sua oportunidade de ajuda. Ela mandou uma mensagem para o programa, há cerca de dois meses, e pediu auxílio para conseguir uma clínica onde pudesse fazer um tratamento para o vício em crack

“Eu estava lá na minha casa, só no quarto, e tinha uns amigos ali dentro, saindo, entrando, todo mundo bebendo, meu namorado não usa drogas e nem está bebendo. Eu estava ali conversando com ele, na minha cama, muito chapada, eu estava com o celular dele, olhando a pesquisa, de repente apareceu Balanço Geral e o telefone embaixo, eu falei: ‘Ah, vou adicionar. Vai que dá certo’. Simplesmente, eu só mandei o que veio no  meu coração no momento”,

contou, na ocasião. 

Os repórteres da RIC Record TV Curitiba foram até a clínica para saber como está o processo, mas ela não pôde receber a equipe porque está em um período de desintoxicação que dura 60 dias. 

A psicóloga Cleuza Canan cuida de uma clínica para dependentes químicos em Piraquara, na Região Metropolitana da capital. No local, o que não falta é contato com a natureza, rotina, terapia e inúmeras atividades como cultivar hortas. Ela explica que entre os objetivos do tratamento está trazer os dependentes de volta para a sociedade, criar vínculos e sensibilizá-los com relação à vida para que eles voltem a dar valor a tudo o que trocaram pelas drogas. 

“Os dependentes se tornam pessoas à margem da sociedade. Perdem até documentos. Eles não têm trabalho, não têm um vínculo social nem com a família. Aqui tudo é terapêutico, o que a gente faz, tem a finalidade de ajudá-los a terem contato, de novo, com coisas que estão relacionadas a vida, que é o nascer, o crescer, o cuidado, porque eles perdem essa sensibilidade de cuidado consigo mesmo e com as pessoas a sua volta e com as coisas”,

 diz Cleuza.

Assista à reportagem completa: