Política

Partidos manifestam solidariedade ao STF em meio a ataques de Bolsonaro; governadores fazem reunião

Nas notas dos partidos, em uma delas assinada por 10 legendas de oposição a Bolsonaro, é expressa solidariedade com Moraes e com o ministro Luís Roberto Barroso, também alvo de ataques constantes de Bolsonaro

Reuters
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Partidos manifestam solidariedade ao STF em meio a ataques de Bolsonaro; governadores fazem reunião
Estátua da Justiça em frente ao prédio do Supremo Tribunal Federal em Brasília

23 de agosto de 2021 - 11:50 - Atualizado em 23 de agosto de 2021 - 14:03

Por Eduardo Simões

SÃO PAULO (Reuters) – Partidos políticos divulgaram notas em solidariedade ao Supremo Tribunal Federal (STF) no fim de semana, em meios aos constantes ataques do presidente Jair Bolsonaro à corte e após Bolsonaro entrar com pedido de impeachment no Senado contra o ministro Alexandre de Moraes.

Também nesta segunda (23), a maioria dos governadores se reunirá para discutir a crise institucional no Brasil, após a escalada de ataques de Bolsonaro ao Supremo e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do pedido de impeachment feito pelo presidente contra Moraes.

Nas notas dos partidos, em uma delas assinada por 10 legendas de oposição a Bolsonaro é expressa solidariedade com Moraes e com o ministro Luís Roberto Barroso, também alvo de ataques constantes de Bolsonaro, e compromisso com a ordem democrática e a Constituição.

“Não é com ações como essas que Bolsonaro se fará respeitar. No Estado de Direito, cabe recurso de decisões judiciais das quais se discorda, como bem destacou o próprio STF em nota cujos termos subscrevemos”, afirma a nota, assinada pelos presidente de PDT, Carlos Lupi; PSB, Carlos Siqueira; do PT, Gleisi Hoffmann; do Cidadania, Roberto Freire; do PCdoB, Luciana Santos; do PV, Luiz Penna, e da Rede, Heloisa Helena e Wesley Diógenes.

Em uma outra nota, os presidentes do PSDB, Bruno Araújo; do DEM, ACM Neto, e do MDB, Baleia Rossi, também manifestam solidariedade a Moraes, chamando o pedido de impeachment feito por Bolsonaro contra ele de “injustificado” e “claramente revestido de caráter político“.

“É lamentável que em momento de tão grave crise socioeconômica, o Brasil ainda tenha que lidar com a instabilidade política e com o fantasma do autoritarismo. O momento exige sensibilidade, compromisso e entendimento entre as lideranças políticas, as instituições e os Poderes”, afirma a nota.

“Acreditamos que apenas o diálogo será capaz de guiar esse percurso em busca de soluções para as crises econômica, de saúde, e social que assolam o país. E para isso, é imprescindível que as instituições tenham capacidade de exercer suas funções com total liberdade e isenção. Essa é a garantia que o país precisa para seguir fortalecendo sua democracia e os anseios da nação”, finaliza o documento.

Na sexta, Bolsonaro apresentou ao Senado pedido de impeachment de Moraes, esticando a corda e adicionando mais um capítulo à crise institucional entre os Poderes. A peça, no entanto, não deve prosperar, na opinião de senadores e consultores, e até mesmo o presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), a quem cabe dar ou não andamento ao processo, já adiantou que não identifica critérios que justifiquem a destituição do cargo do ministro do STF.