Política

Como devem funcionar as “prévias” do PSDB?

O partido deve adotar um modelo diferente para escolha do candidato que irá disputar a presidência. Entenda como será feita essa seleção.

Como devem funcionar as “prévias” do PSDB?

4 de outubro de 2021 - 22:30 - Atualizado em 4 de outubro de 2021 - 22:30

A eleição de 2018 é um fantasma que o PSDB tenta exorcizar, pois seu candidato Geraldo Alckmin obteve apenas 4,8% do total de votos, número que representou a metade do terceiro colocado, Ciro Gomes (PDT). Além disso, o partido teve uma queda na representação no congresso nacional, saiu de 54 deputados federais para 29 e de 10 senadores para 8.

Seguindo a máxima de que para obter resultados diferentes você precisa agir de forma diferente, o PSDB reformulou o modo de escolher seu representante na disputa pelo Palácio do Planalto e adotou as chamadas “prévias” para isso. Eduardo Leite (RS), Arthur Virgílio Neto (AM), Tasso Jereissati (CE) e João Doria (SP) se inscreveram para a consulta nacional com os filiados do partido para definição do candidato mais viável.

Eduardo Leite, após a desistência do senador cearense em favor dele em setembro, ganhou força. O governador gaúcho conta agora com o apoio declarado de 9 estados: Rio Grande do Sul (RS), Alagoas (AL), Amapá (AP), Bahia (BA), Minas Gerais (MG), Paraná (PR), Ceará (CE), Santa Catarina (SC) e Paraíba (PB). Doria conta com o apoio de cinco diretórios: Acre (AC), Distrito Federal (DF), Pará (PA), Tocantins (TO) e São Paulo (SP).

Assim como Tasso Jereissati, Arthur Virgílio Neto (AM) estuda desistir de sua participação nas prévias, contudo, diferente do colega, o ex-prefeito de Manaus e o diretório do estado devem declarar apoio a João Doria.

A partir de 18 de outubro os candidatos iniciarão uma pré-campanha incluindo a realização de 5 debates, um em cada região do país. O primeiro turno das prévias será no dia 21 de novembro e o segundo turno, em caso de necessidade, no dia 28 de novembro.

Como funciona o sistema de votação?

A contagem e o peso dos votos é dividido da seguinte forma:

– Filiados: 25%

– Deputados Estaduais: 25%

– Deputados Federais, Senadores, Governadores e vices e ex-presidentes do PSDB: 25%

– Prefeitos: 12,5%

– Vereadores: 12,5%

Quantos votos cada estado tem?

EstadoDeputados federais, senadores, governadores e vices e ex-presidentes do partido (25%)Deputados estaduais (25%)Prefeitos (12,5%)Vereadores (12,5%)Total dos MandatáriosFiliados (25%)
SP1482721.2121.506298.173
MG67154731898144.437
SC125726232299.686
RN055524430421.666
RS346223230193.157
MS455323429632.283
PB204920125230.867
GO164518123371.429
BA133017921358.168
PR133916921275.886
PA152314117040.038
MT02209812030.265
MA01199311333.172
PE0114607535.814
CE1110637550.417
ES0310526525.263
AL409375012.593
RJ125334183.584
RO117303916.398
PI014283323.427
AM113273213.137
AC12322286.097
TO023131815.748
AP11110137.372
SE0115710.171
RR100345.000
DF1000119.590
Referência: https://www.tse.jus.br/eleitor/estatisticas-de-eleitorado/filiados

O voto dos filiados não é obrigatório, assim, o candidato que conseguir mobilizar mais filiados em estados estratégicos deverá se beneficiar. Neste cenário, por mais que Eduardo Leite possa ter apoios relevantes, o peso de São Paulo, tanto no número de filiados (concentra 23% de todos os filiados) quanto nas outras categorias de votantes, pode favorecer João Doria.

Realizar as prévias pode ter efeitos benéficos, pois atrai exposição de mídia para os pré-candidatos, possibilita que eles afinem o discurso, testem adesão a certos temas e cheguem melhor preparados para 2022. No entanto, pode significar também alguns problemas como divergências intransponíveis entre os candidatos, o que afetaria o apoio mútuo após a escolha do vencedor, ou expor com muita antecedência os rachas existentes dentro do PSDB, o que convenhamos não são poucas.