Política

Desigualdade tem de ser prioridade, não o teto de gastos, diz Lula

O ex-presidente voltou a dizer que ainda não decidiu se disputará a Presidência

Reuters
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Desigualdade tem de ser prioridade, não o teto de gastos, diz Lula
Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva

19 de janeiro de 2022 - 11:44 - Atualizado em 19 de janeiro de 2022 - 13:42

SÃO PAULO (Reuters) – Líder nas pesquisas de intenção de voto para a eleição presidencial de outubro, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) isse nesta quarta-feira (19) que a desigualdade social precisa ser a prioridade do governo, e não o teto de gastos ou o que chamou de “compromisso fiscalista” da atual gestão.

Em entrevista a sites independentes, o petista voltou a dizer que ainda não decidiu se disputará a Presidência, mas afirmou que não pode querer ser presidente para resolver os problemas do sistema financeiro e daqueles que ficaram mais ricos durante a pandemia de Covid-19.

“É preciso que a gente recupere a democracia para que a gente possa colocar a desigualdade na ordem do dia como prioridade de um governo e não colocar como prioridade o teto de gastos”, disse Lula.

“Para a gente colocar uma discussão do compromisso com a evolução social da sociedade brasileira e deixar num segundo plano o compromisso fiscalista do governo, que tudo faz para garantir dinheiro para pagar o sistema financeiro e não faz nada para garantir o pagamento da dívida social que é histórica no nosso país.”

disse.

Lula afirmou que é preciso colocar os ricos nos impostos para resolver os problemas do Brasil e disse que o sistema financeiro precisa aprender a discutir os problemas do país e não apenas seus interesses.

“Eu acho que o sistema financeiro vai ter que aprender, quando sentar para conversar com o presidente, não ficar discutindo apenas os seus interesses. Nós precisamos discutir quem é que está preocupado com os milhões de brasileiros que estão dormindo na rua de forma vergonhosa”,

afirmou ele.

O petista disse ainda na entrevista que é necessário começar a fazer perguntas “para aqueles que sempre fizeram perguntas para a gente”.

“Toda vez que a gente vai num debate, as pessoas se inscrevem para fazer pergunta. ‘E a dívida fiscal? E a dívida pública interrna? E a dívida pública externa? E a taxa de juro?’ Ou seja, ninguém pergunta como está vivendo o povo brasileiro”, afirmou.

“Eu não posso querer ser presidente da República para resolver o problema do sistema financeiro, para resolver o problema dos empresários, para resolver o problema daqueles que ficaram mais ricos na pandemia. Só tem uma razão de eu ser candidato a presidente da República: é para tentar provar que esse povo pode voltar a ser feliz.”

finalizou.

Por Eduardo Simões