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Delegado da PF diz que Odebrecht se referia a Palocci como ‘italiano’

Redação RIC Mais
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26 de setembro de 2016 - 00:00 - Atualizado em 26 de setembro de 2016 - 00:00

Coletiva na manhã desta segunda-feira (26) esclareceu detalhes sobre a 35ª fase da Lava Jato (Foto: Reprodução/Youtube)

Fato foi confirmado por meio de e-mail de 2010 de Marcelo Odebrecht, ex-presidente da empresa. Ex-ministro foi preso na manhã desta segunda-feira (26) na 35ª fase da Lava Jato

O delegado da Polícia Federal Felipe Hille Pace, responsável pela força-tarefa da Lava Jato, disse durante a coletiva realizada nesta segunda-feira (26) em Curitiba que a Odebrecht se referia a Antonio Palocci quando usava o codinome “italiano”. A coletiva deu detalhes sobre a 35ª fase da operação, nomeada Omertà, que prendeu o ex-ministro de Dilma e Lula.

Segundo Pace, o fato foi descoberto após depoimento da funcionária da empresa Maria Lúcia Tavares, na 26ª fase da Operação. O delegado explicou que Maria Lúcia não sabia do codinome de Palocci, somente da gíria usada para se referir ao casal João e Mônica Santana, marqueteiros que realizaram campanhas do PT.Porém, após o depoimento, foi possível analisar novamente os documentos apreendidos na 14ª fase da operação, que teve como principal alvo a Odebrecht, e chegar a conclusão de que “Italiano” era Palocci.

O delegado da PF disse que a última dúvida para ligação entre o codinome e Palocci acabou com um e-mail de 2010 de Marcelo Odebrecht, ex-presidente da empresa, que dizia que “o italiano não estava” na diplomação de Dilma Rousseff na Presidência. Mas, segundo Pace, Palocci estava, o que aconteceu é que Marcelo não encontrou o ex-ministro na cerimônia.

Benefícios fiscais
O delegado afirmou que a conversão em lei da Medida Provisória 460/2009, que tratava de benefícios fiscais, faria a União deixar de arrecadar uma quantia de R$ 208 milhões em impostos. Esse montante beneficiaria a construtora Odebrecht, além de outras empresas.

Segundo Pace, o ex-ministro Antonio Palocci pediu à Odebrecht alternativas de compensação caso o Projeto de Lei não fosse aprovado. Palocci teria pedido propina de R$ 10 milhões por gerar o benefício à construtora. 

Pace citou também que a intermediação de encontros e pagamentos feitos pela Odebrecht a Palocci era feita por meio do ex-chefe de gabinete do então ministro, Juscelino Antônio Dourado. O nome do intermediário aparecia nas planilhas da construtora sob a rubrica “JD”. Assim como Palocci, Dourado foi preso na manhã desta segunda-feira, 26, durante a 35ª fase da Lava Jato.