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Após 4 dias, Bolsonaro autoriza Itamaraty a cumprimentar Boric por eleição no Chile

Em sua transmissão semanal via redes sociais, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que determinou ao Itamaraty que fizesse o cumprimento formal a Boric

Reuters
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Após 4 dias, Bolsonaro autoriza Itamaraty a cumprimentar Boric por eleição no Chile
Presidente Jair Bolsonaro

23 de dezembro de 2021 - 20:37 - Atualizado em 24 de dezembro de 2021 - 09:11

BRASÍLIA (Reuters) – Quatro dias depois do governo chileno confirmar a eleição de Gabriel Boric para a presidência, o governo brasileiro finalmente cumprimentou o eleito, em uma nota do Itamaraty, após autorização do presidente Jair Bolsonaro.

Em sua live semanal, Bolsonaro disse que determinou ao Itamaraty que transmitisse os cumprimentos a Boric. Na nota, o Ministério das Relações Exteriores faz votos de êxito na presidência e acrescenta:

“Ao reafirmar a solidez dos laços de amizade e cooperação, o governo brasileiro assinala a disposição de trabalhar com as autoridades chilenas no fortalecimento das iniciativas bilaterais e regionais em prol dos objetivos de desenvolvimento econômico, de defesa da liberdade e da democracia e de respeito ao Estado de Direito.”

Em sua transmissão semanal via redes sociais, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que determinou ao Itamaraty que fizesse o cumprimento formal a Boric depois de conversar com o embaixador brasileiro em Santiago, Paulo Roberto Soares, e confirmar que as eleições teriam sido fidedignas.

“Falei com embaixador do Chile como é que é as eleições lá; eleição no Chile é com papel. Então não tem ninguém porque levantar qualquer suspeição como é que foram as eleições no Chile porque a recontagem está ali”, afirmou, aproveitando para levantar suspeitas, novamente sobre o sistema brasileiro, que é eletrônico.

disse.

“É confiável, dá margem zero para desconfiar. Quem ganhou, ganhou de verdade, não tem suspeição”, disse, referindo-se à eleição chilena.

Bolsonaro não havia até agora cumprimentado Boric, sendo o último presidente da América do Sul a fazê-lo. Apesar de não levantar suspeitas sobre a eleição, minimizou a escolha do candidato de esquerda ao levantar que o voto no Chile não é obrigatório e metade da população não foi votar.

“Praticamente metade da população se absteve, não foi votar. A outra metade que foi votar deu 55% para o tal do Boric e 44%, 45% para o Kast (José Antonio, candidato de direita)”, disse.

A questão foi suscitada também por seus filhos Eduardo, deputado federal, e Carlos, vereador, nas redes sociais, que criticaram a eleição de Boric e alertaram que o mesmo poderia acontecer no Brasil se os eleitores optassem por voto nulo ou em uma “terceira via”.

(Reportagem de Lisandra Paraguassu; Edição de Maria Carolina Marcello)