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Voto impresso abre margens para fraude eleitoral, afirma Barroso

De acordo com o ministro, não há documentação de fraude nas urnas eletrônicas desde sua implantação, em 1996

Redação RIC Mais
Redação RIC Mais com informações da ABN
Voto impresso abre margens para fraude eleitoral, afirma Barroso
(Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados)

9 de junho de 2021 - 16:11 - Atualizado em 9 de junho de 2021 - 16:11

Durante a comissão geral sobre assuntos eleitorais que ocorreu nesta quarta-feira (9) na Câmara dos Deputados, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE),  ministro Luís Roberto Barroso, afirmou que a implementação do voto impresso reduzirá a segurança das eleições, trazendo de volta fraudes e falhas humanas.

Segundo o ministro, esses problemas e outros – como o coronelismo e clientelismo – já foram resolvidos com a implementação das urnas eletrônicas e que voltar atrás seria um retrocesso. Contudo, ele afirmou que se o Congresso aprovar, e o Supremo Tribunal Federal (STF) validar, o TSE implementará o voto impresso.

Para Barroso, além de abrir margem para fraudes, um dos principais problemas do voto impresso é a possibilidade de violação do sigilo do voto, uma vez que por meio do recibo da votação seria possível saber a composição dos votos individuais, facilitando a identificação do eleitor.

“A verificação manual não é verificação, é um perigo, é um risco que nós vamos criar […] Eu acho que o voto impresso vai nos trazer um problema do qual já nos livramos, que é o transporte, a guarda e a contagem manual dos votos”

ressaltou o presidente do TSE, que iniciou sua fala reafirmando

O ministro apontou ainda o que seriam dificuldades administrativas e orçamentárias para a adoção do voto impresso, que segundo a estimativa do TSE custaria R$ 2 bilhões. Para ele, talvez essa não seja a melhor alocação de recursos no momento, uma vez que a realização do Censo, por exemplo, foi recentemente adiada por falta de recursos.

O relator da proposta de emenda à Constituição (PEC) sobre o voto impresso, deputado Filipe Barros (PSL-PR), e o presidente da comissão especial que discute o projeto, Paulo Eduardo Martins (PSC-PR), afirmaram que não basta o sistema eleitoral ser seguro, mas que a população tem que confiar e entender.

“Hoje o eleitor brasileiro tem que ter fé no software. Tem que acreditar que o que ele digitou vai ser contabilizado e depois constar no boletim de urna. Ele não pode olhar e conferir se foi registrado conforme a escolha dele. E por mais que se confie no sistema, pode haver quem desconfie. Tem que haver esta confiança”

declarou Martins

Luís Roberto Barroso trouxe dados de uma pesquisa do instituto Datafolha, divulgada em janeiro deste ano, segundo a qual 73% dos entrevistados confiam na urna eletrônica. Ele argumentou que a adoção do voto impresso não ajudaria a dar mais confiança ao voto e inseriria mais elementos de desconfiança.

“Achar que 2 milhões de pessoas contando votos à mão é mais seguro que um software, que pode ser controlado pelos partidos, é voltar à vida analógica num mundo da revolução digital”

afirmou Barroso

A sessão da comissão geral que discute temas eleitorais segue em andamento no plenário da Câmara, com deputados se revezando nos questionamentos ao ministro Luís Roberto Barroso.