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Vinho é espumante? Conheça a história que soma mais de 300 anos

Nem tudo que tem bolhas é Champagne, mas todo Champagne é espumante

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Renata Nicolli Nasrala / Editora
Vinho é espumante? Conheça a história que soma mais de 300 anos
A definição exata da bebida está nos detalhes. Entenda! (Foto: Renata Nicolli, editora do RIC Mais)

3 de setembro de 2019 - 00:00 - Atualizado em 3 de setembro de 2019 - 00:00

Pode parecer óbvio, mas espumante também é vinho. De origem francesa, a Champagne, que também é chamado de espumante, nasceu na região de Champagne, próximo a Paris, há aproximadamente 344 anos.

A definição exata da bebida está nos detalhes: a presença de gás carbônico natural, as famosas bolhas que dão o toque diferenciado ao vinho.

Champagne é vinho, mas nem todo espumante é Champagne

Para quem vê de fora, o ar sofisticado torna praticamente imperceptível uma informação bastante curiosa: a bebida nasceu meramente por acaso, quando o vinho era engarrafado antes do final da fermentação alcoólica – que continuava dentro da garrafa produzindo gás carbônico indesejado, a princípio.

Como tudo de início gera estranheza, as bolhas também foram rejeitadas de cara. Mas, logo depois essa forma de produção parou de ser o patinho feio da história, e veio a se tornar encantadora.

Champagne: o nome e a exclusividade no método champenoise

A exclusividade do título Champagne é dada a bebidas da região de mesmo nome, cerca de 150 quilômetros de Paris, sendo todas produzidas pelo método champenoise.

Dessa maneira, ao contrário do que muitos dizem, nem tudo que tem bolhas é Champagne, mas todo Champagne é espumante. 

Para que entenda melhor, a denominação Champagne pode ser exclusivamente usada para caracterizar as bebidas feitas na província francesa citada acima, já que possui um método específico de fabricação: uma efervescência natural  certificada com o selo AOC,  Appellation d’origine contrôlée.

Finalizadas em túneis profundos bem originários da região, o clima na província é equilibrado no que diz respeito a temperatura, profundidade e tudo que tem direito.

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A exclusividade do título Champagne é dada a bebidas da região de mesmo nome, cerca de 150 quilômetros de Paris. (Foto: Pixabay)

Além disso, as uvas predominantes no método são a Chardonnay, Pinot Noir e Pinot Meunier, todas colhidas também na região, e o gás da bebida é resultado de uma segunda fermentação natural que ocorre dentro das próprias garrafas, ao contrário do método usado para os espumantes.

Método Charmat

A diferença entre o método champenoise e o método charmat é simples. Mas é nos detalhes que se encontram as maiores riquezas.

Ao contrário da Champagne, que faz a segunda fermentação dentro das próprias garrafas, os espumantes trouxeram simplicidade e praticidade ao processo das bolhas.

Para a fermentação dos espumantes são usados tanques, geralmente de inox, ou seja, um processo bem mais industrial e em grande escala.

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O espumante é produzidos através do método Charmat. (Foto: Renata Nicolli, editora do RIC Mais)

Esses tanques tem como base as autoclaves e trabalham sempre a pressão. Para desenvolver a refermentação, transfere-se o vinho base, adiciona-se açúcar e culturas de leveduras. Todo o processo pode durar dias ou meses, tudo dependendo do produto que se deseja fabricar.

No processo, as leveduras transformam o açúcar em álcool e gás carbônico e tim tim: as bolhas se formam e permanecem no produto, já que não há a liberação do gás.

Pai do espumante: o problema que virou sucesso

Dom Périgon não criou o espumante, mas o chamaremos de pai porque foi ele quem viu a bebida como solução ao mercado e não como um problema. 

Ele era o responsável por adegas da abadia – mosteiros, de Hautvilleres, no Mame, no nordeste da França, e mergulhou a fundo nos estudos sobre a bebida após provar uma taça e concluir que “estava bebendo estrelas”, ainda em 1668.

Dom Perigon

Dom Périgon não criou o espumante, mas foi até homenageado com uma das garrafas mais caras da bebida. (Foto: reprodução divulgação)

De cabeça nos estudos, o monge percebeu o que acontecia dentro das garrafas, e montou critérios importantes para o aperfeiçoamento, como por exemplo, garrafas mais fortes e resistentes e rolhas amarradas em arame.

Mas o pai da espumante não parou por aí. Após fomentar os detalhes mencionados acima, Dom Périgon deu a ideia dos produtores de toda época realizarem o método assemblage, conhecido por misturar entre dois ou mais vinhos para a elaboração da bebida. 

Técnica aprimorada e novas ideias permitiram o crescimento da champagne, que desde então consegue controlar sua efervescência e proporcionar uma explosão de sabores digna de reconhecimento. Obrigada, Dom Périgon!

Veuve Clicquot e a remuage e o dégorgement

A contribuição do monge é inegável, e a partir de todo seu conhecimento e aprofundamento tudo foi se aprimorando. 

Apesar de quase 100% tecnicamente, visualmente a Champagne ainda mantinha resíduos da segunda fermentação que causavam um aspecto turvo e não compatível com a experiência que a bebida vinha proporcionando. 

Foi por conta da aparência feia do líquido que uma mulher conhecida como Veuve Clicquot entrou para a história, fazendo com que a Champagne ficasse cristalina e perfeita ao paladar e aos olhos após passar pelo processo de remuage, que nada mais é do que o ato de girar as garrafas.

Além da remuage, a inovadora mulher do século 19 também criou o processo de dégorgement, que retira os sedimentos do gargalo, que é congelado e retirado por pressão, sendo em seguida acrescentado o Liqueur d’Expédition, mais conhecido como dosagem de doçura que aquela determinada garrafa de bebida vai ter. 

Antes de tudo, Barbe-Nicole

Entretanto, antes de ser Veuve Clicquot a jovem visionária era Barbe-Nicole, filha de um dos grandes empresários da indústria têxtil da época. 

Adulta, por volta de 1798, Barbe-Nicole se casou com François Clicquot, responsável pela empresa de seu pai: a Maison Clicquot-Muiron, que prestava serviços bancários, comércio de lã e fabricação de bebidas.

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Barbe-Nicole, mais conhecida como a mulher Viúve Clicquot. (Foto: reprodução do site oficial da marca)

Pelo envolvimento do marido nos negócios, Barbe-Nicole sempre curiosa muitas vezes o acompanhou em viagens e reuniões, mesmo que não tivesse experiência no ramo. 

Infelizmente – ou felizmente, sua conduta mudou após François falecer em 1805. A partir de então, Barbe-Nicole resolveu assumir o império do marido e se dedicar aos negócios, principalmente ao universo da produção de bebidas, setor que a mais lhe interessava. 

Veuve Clicquot

A Veuve Clicquot é uma das Champagnes mais renomadas do mundo. (Foto: Renata Nicolli, editora do RIC Mais)

Nos negócios, o sucesso foi garantido, e aos 40 anos Clicquot – como ficou conhecida, era uma das mulheres mais ricas da época

Além dos importantes processos criados para o aperfeiçoamento da Champagne, a mulher transformou a empresa que leva o sobrenome da família do marido em um dos vinhos mais importantes do mundo, comercializada no Brasil a partir de R$ 300 a garrafa.