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Vídeo mostra ambulância de Porecatu (PR) sendo usada para frete de mesas e cadeiras

Os móveis seriam destinados a uma suposta festa

Redação RIC Mais
Redação RIC Mais com informações de Ana Contato, repórter da RIC Record TV Londrina
Vídeo mostra ambulância de Porecatu (PR) sendo usada para frete de mesas e cadeiras
(FOTO: WhatsApp)

21 de abril de 2021 - 13:46 - Atualizado em 22 de abril de 2021 - 12:03

Um vídeo feito em Porecatu, cidade do norte do Paraná, mostra um homem descarregando mesas de uma das ambulâncias da Secretaria de Saúde do município. A suspeita de alguns dos moradores da cidade é de que os móveis seriam para uma festa. De acordo com as primeiras informações, a gravação foi feita na sexta-feira (16). Assista:

O flagrante foi investigado pela equipe do Balanço Geral Londrina. O promotor do Ministério Público do Paraná, Pedro Castelani, comentou sobre o uso de um veículo público para fins particulares:

“Não tínhamos conhecimento nem do vídeo e nem dessa informação desse fato […]. Isso não impede que o Ministério Público investigue este fato para apurar se o transporte desses materiais estava destinado a alguma obra pública, algum órgão público, ou particular. Caso tenham sido utilizados para algum evento particular, isso pode configurar um ato de improbidade administrativa”,

disse o promotor Pedro Castelani, em entrevista ao Balanço Geral de Londrina

Além do uso impróprio do veículo, a suposta comemoração estaria sendo montada em meio a um cenário de pandemia da Covid-19. Aglomerações de pessoas em eventos são proibidos pelos governos estaduais e municipais para evitar o aumento de casos da doença. 

O caso segue em investigação. As pessoas que aparecem no vídeo não foram identificadas até o momento e ninguém atendeu a reportagem da RIC Record TV na casa de eventos. 

O prefeito de Porecatu, Fábio Luiz de Andrade (PSD), foi procurado pela equipe de reportagem, mas as ligações não foram atendidas. A Vigilância Sanitária e a secretária de saúde da cidade, Laila Giota, também não quiseram se manifestar. Um dos funcionários da prefeitura, que preferiu não se identificar, disse que a ambulância é usada para trabalhos voluntários. 

A reportagem entrou em contato com a Secretaria de Saúde de Porecatu, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.

Compra irregular

Atualmente, o prefeito reeleito Fábio Luiz de Andrade responde a um processo sobre a compra de uma ambulância que não foi entregue ao município. A negociação foi feita com uma empresa privada do Goiás ainda no primeiro mandato, em dezembro de 2019. Foram gastos R$ 163 mil dos cofres públicos. Em uma live no Facebook, o prefeito explicou que o atraso aconteceu devido ao início da pandemia e falta de materiais. Ele também afirmou que a empresa teve dificuldade de encontrar o modelo escolhido, foi substituída por outro de valor maior e não aceitou o acordo judicial de devolução do valor investido. 

“A prefeitura efetuou o pagamento. A empresa, alegando seus motivos, não entregou o produto e não quer fazer a devolução em parcela única”,  

explicou Fábio Andrade, em sua página no Facebook

No dia 6 de abril, os bens de Fábio foram bloqueados por suspeita de improbidade nesta mesma compra. O promotor Pedro Castelani informou que foi feito um acordo entre o Ministério Público, Fábio Luiz de Andrade e a empresa fornecedora. O prefeito pagará uma multa de R$ 17 mil por danos aos cofres públicos. O valor será repassado para a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Porecatu. A empresa foi multada em R$ 178 mil.

Atualização: Laila Maria Alves Giota, secretária de saúde de Porecatu, emitiu nota oficial sobre o uso do veículo público para transporte de mesas e cadeiras.

“A Secretaria Municipal de Porecatu esclarece a todos que a VAN denunciada fazendo entrega de cadeiras, não é Ambulância este veículo é para uso exclusivo de transporte de Agentes de Saúde da Dengue e aplicação de inseticida. Quanto ao Funcionário do Município que deu a ordem para que fosse feita a entrega, a Secretaria Municipal de Saúde e Departamento Jurídico Municipal tomará providências cabíveis”.

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