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Uma feira para criar o prazer da leitura

Redação RIC Mais
Redação RIC Mais

28 de setembro de 2019 - 00:00 - Atualizado em 28 de setembro de 2019 - 00:00

Incentivar a leitura, estimular o gosto pela escrita e, consequentemente, ajudar alunos a desenvolver a interpretação de textos. Esse é o desafio da Escola Estadual Jornalista Ruy Mesquita, localizada na Brasilândia, bairro da periferia da zona norte de São Paulo.

Para motivar os estudantes, professores e coordenadores decidiram organizar a 1.ª Semana Literária. O objetivo da ação, entre segunda-feira e ontem, foi proporcionar um momento diferente aos alunos do 6.º ao 9.º ano. Para muitos jovens, foi o primeiro contato com diversas atividades culturais em um mesmo ambiente.

Nos corredores, era nítida a animação dos adolescentes que participariam das peças teatrais. Caracterizados, eles ainda ensaiavam, nos últimos instantes, as falas que encenariam. O evento também teve música. Muitos estudantes mostraram habilidades no canto e no violão.

A estudante Sara Souza da Silva, de 14 anos, que está no 9.º ano, participou de uma peça e estava animada com a semana literária. “Já tivemos atividades, mas esta semana foi muito diferente. Os professores trabalharam bastante com a gente. Fizemos a peça, tivemos atividades para aprender a nos colocarmos no lugar do próximo.” A aluna Nikelli Hannah Celestina Alves, de 14 anos, do 9.º ano, também estava animada com as atividades. “Foi muito diferente, uma forma fácil e interessante de aprender. Seria bom ter mais.”

Um dos espetáculos que atraíram a atenção dos alunos foi o monólogo sobre a vida de Carolina Maria de Jesus, catadora de papel e moradora da Favela do Canindé, no centro. Na década de 1960, ela lançou Quarto de Despejo – Diário de uma Favelada. Ela foi interpretada pelo professor de Geografia e História, Maicon Dias de Jesus, de 26 anos. “A leitura do livro de Carolina traz uma identidade, porque aqui é uma escola da periferia. Carolina nos representa. Em vida, ela publicou três livros em folhas de caderno que encontrou no lixo. Trazer Carolina é mostrar que há expectativa. Também somos capazes”, disse Jesus.

Dentro das salas de aula, a confecção de poesias estava presente em recortes colados nas paredes, iniciativa que mobilizou principalmente alunos do 6.º ano. Até um livro de fábulas foi escrito sob a supervisão da professora Claudete Rodrigues dos Santos Silva, de 41 anos. Um deles abordou a história de um gato que “tirou sarro” de um cachorro que era deficiente. Arrependido, depois se desculpou. “Essa é uma forma também de conscientizar e combater o bullying dentro da escola. Quando percebemos algo, já chamamos os alunos e conversamos”, disse Claudete. “É a primeira vez que estamos fazendo a semana literária. Muitos alunos abraçaram a iniciativa. Só com educação podemos transformar o mundo.”

A doação de livros também fez parte do evento. Curiosos, os estudantes folheavam publicações dispostas em prateleiras em um dos corredores da escola. Entre elas, obras de Machado de Assis, Agatha Christie e Pablo Neruda. O Estado participou da ação com publicações doadas por funcionários da empresa. A diretora, Aparecida de Cássia Rodrigues da Silva, de 49 anos, ressalta que ainda são muitos os desafios. Muitos alunos, diz, têm pouco contato com livros. “É preciso trabalhar com competências que eles ainda não aprenderam. Queremos ampliar o interesse pela leitura, para que eles comecem a escrever mais.”

Futuro

Criada em 2012, a Escola Estadual Jornalista Ruy Mesquita tem 905 alunos matriculados, do 6.º ao 9.º ano do ensino fundamental 2, na faixa etária de 11 aos 14 anos.

Animados com a participação dos estudantes, os professores já pensam em ampliar a iniciativa. Cogitam o desenvolvimento de ações na Semana da Consciência Negra, em novembro. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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