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SP registra aumento de 18% em internações por Covid nas redes pública e privada

Reuters
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SP registra aumento de 18% em internações por Covid nas redes pública e privada
Estudante de máscara em escola de São Paulo

16 de novembro de 2020 - 17:03 - Atualizado em 16 de novembro de 2020 - 17:05

Por Eduardo Simões

SÃO PAULO (Reuters) – O Estado de São Paulo registrou um aumento de 18% nas internações hospitalares pela Covid-19 nas redes pública e privada entre a semana encerrada em 7 de novembro e a que foi concluída no último sábado, disse nesta segunda-feira o secretário de Saúde, Jean Gorinchteyn, que alertou que se os índices permanecerem em viés de alta, medidas restritivas voltarão a ser adotadas.

Segundo Gorinchteyn, o aumento das hospitalizações em São Paulo se deu após o feriado prolongado do Dia de Finados, quando muitas pessoas saíram de casa. O secretário fez um apelo para que a população evite aglomerações e respeite medidas sanitárias para conter a disseminação do coronavírus.

“Esses números ocorreram após o feriado e repercutem sobre a questão relacionada à aglomeração e também intimamente relacionada à não vigilância daquelas normas de segurança, como distanciamento, evitando-se aglomerações e uso de máscara”, disse o secretário em entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo estadual.

“Esses dados, porém, ainda não estou consolidados, frente à instabilidade do sistema Sivep-Gripe, do Ministério da Saúde, que vem sendo atualizado. Lembramos que ele ainda pode sofrer novas variações, uma vez que ele ainda encontra-se inoperante”, acrescentou.

De acordo com os dados da secretaria, a média diária de novas internações pela doença foi de 1.009 na semana que terminou no último sábado. Foi a primeira vez desde o início de outubro que a média diária de novas internações na semana superou a casa de 1 mil hospitalizações.

Nas últimas semanas, hospitais da rede privada de São Paulo vinham apontando um aumento no número de internações pela Covid-19, em um momento em que cada vez mais as pessoas flexibilizam suas medidas de isolamento em meio à retomada das atividades no Estado.

Também houve aumento de hospitalizações no Rio de Janeiro, onde a taxa de ocupação de leitos de UTI para Covid-19 na rede municipal subiu para 87%, de acordo com dados da prefeitura da capital fluminense. Na rede pública como um todo –que inclui leitos de unidades municipais, estaduais e federais– a taxa de ocupação no Rio é de 78%.

Para o infectologista Alexandre Naime Barbosa, chefe do departamento de Infectologia da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual Paulista (Unesp), o aumento das internações pela Covid-19 mostram que a tendência de recuo da doença que se observava há algumas semanas está sendo revertida e num momento em que a primeira onda da pandemia segue presente.

“As pessoas literalmente cansaram de fazer o isolamento social e muitas estão também cansadas de seguir as normas de prevenção”, disse ele, que também é consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia.

Esse cansaço, disse Naime, leva as pessoas, principalmente jovens e pessoas de alta renda, a participarem de “eventos super disseminadores”, como festas de casamento, de aniversário, etc, nos quais o vírus acaba sendo transmitindo tanto para quem foi a esses evento como, posteriormente, para outras pessoas, como familiares, por exemplo.

RECLASSIFICAÇÃO ADIADA

Na entrevista coletiva no Bandeirantes, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), anunciou o adiamento da nova reclassificação do plano de reabertura da economia do Estado para o dia 30 de novembro, alegando que a instabilidade no sistema do Ministério da Saúde não permite que as equipes técnicas tenham os dados completos para a tomada de decisão.

Gorinchteyn disse que a reclassificação de regiões do Estado para uma fase mais flexível com base nos dados incompletos disponíveis poderia agravar a situação da pandemia. Por isso, segundo ele, optou-se pelo adiamento por uma questão de cautela.

“Nós não podemos fazer com que o cansaço que temos hoje frente às medidas sanitárias de distanciamento possam ser maiores do que o medo ou o risco do próprio vírus. Temos que manter todas as regras sanitárias evitando as aglomerações”, disse o secretário.

“Se nós tivermos índices aumentados, seguramente medidas muito mais austeras e restritivas serão realizadas no sentido de continuarmos a garantir vidas”, alertou Gorinchteyn.

(Reportagem adicional de Rodrigo Viga Gaier, no Rio de Janeiro)

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