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Sérgio Machado diz que repassou propina para Temer e outros 20 políticos

Redação RIC Mais
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15 de junho de 2016 - 00:00 - Atualizado em 15 de junho de 2016 - 00:00

Sérgio Machado disse que Michel Temer pediu recursos para a Campanha de Gabriel Chalita a prefeitura de SP e que o dinheiro era ilegal

O ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado listou em seu depoimento de delação premiada os nomes do presidente interino Michel Temer (PMDB) e outros 20 políticos que teriam recebido propinas no esquema de corrupção na subsidiária da Petrobras. De acordo com o delator, Temer teria pedido a ele recursos ilícitos para a campanha de Gabriel Chalita (PMDB) à Prefeitura de São Paulo em 2012.

Sérgio Machado prestou depoimento no início de maio, mas o teor das delações só foram revelados nesta quarta-feira (15).

Segundo o delator, todos os políticos citados por ele “sabiam” do funcionamento do esquema de corrupção capitaneado por ele na estatal e “embora a palavra propina não fosse dita, esses políticos sabiam, ao procurarem o depoente, não obteriam dele doação com recursos próprios, nem da Transpetro, e sim de empresas que tinham relacionamento contratual com a estatal”. Ainda segundo Machado, nenhuma das doações solicitadas por ele às empresas era lícita.

De acordo com Machado, empreiteiras que mantinham contrato com a estatal realizavam pagamentos mensais de propinas para políticos. Parte dos recursos ilegais era entregue em dinheiro vivo e parte era feita por meio de doações oficiais como forma de garantir os contratos com a estatal, que era área de influência do PMDB.

O delator assumiu a presidência da estatal em 2003, por indicação do presidente do Senado Renan Calheiros, dos senadores Jader Barbalho, Romero Jucá e Edison Lobão e do ex-presidente José Sarney, todos da cúpula do PMDB e que foram beneficiados com propinas do esquema.

Sérgio Machado admitiu ainda que administrava a estatal visando “extrair o máximo possível de eficiência das empresas contratadas pela estatal, tanto em qualidade quanto em preço” e que outros políticos, além dos responsáveis por sua indicação ao cargo, também se beneficiaram das propinas.

“O depoente também repassou propina, via doação oficial, para os seguintes políticos: Cândido Vaccarezza (PT), Jandira Feghali (PCdoB), Luis Sérgio (PT), Edson Santos (PT), Francisco Dornelles (PP), Henrique Eduardo Alves (PMDB), Ideli Salvatti (PT); Jorge Bittar (PT), Garibaldi Alves (PMDB), Valter Alves, José Agripino Maia (DEM), Felipe Maia (DEM), Sergio Guerra (PSDB, morto em 2014), Heráclito Fortes (PMDB), Valdir Raupp (PMDB); que Michel Temer pediu ao depoente que obtivesse doações oficiais para Gabriel Chalita, então candidato a prefeito de São Paulo”.

Sarney

Em um dos depoimentos à Lava Jato, o ex-presidente da Transpetro esclareceu pontos da conversa que ele próprio gravou no dia 10 de março com o ex-senador José Sarney (PMDB-AP). Naquela ocasião Sérgio Machado disse a Sarney: “Pro Michel eu dei”.

Aos procuradores da Lava Jato, ele afirmou que se referia ao presidente em exercício Michel Temer(PMDB).

Os procuradores questionaram o ex-presidente da Transpetro sobre o significado da frase. Ele contou que se referia à operação para uma suposta captação de propinas para abastecer a campanha de Chalita na disputa pela Prefeitura de São Paulo em 2012.

“Sobre a conversa gravada de 10 de março com Sarney, o depoente esclarece que, quando disse ‘pro Michel eu dei’ referiu-se ao vice-presidente Michel Temer; que Michel Temer apoiava, na eleição municipal de 2012, salvo engano, o candidato a prefeito de São Paulo Gabriel Chalita”, declarou.
A reportagem encaminhou um e-mail à assessoria de imprensa de Michel Temer pedindo seu posicionamento sobre a delação de Sérgio Machado.

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