Segurança

“Trabalhou o dia todo nos dois empregos”, conta esposa de motoboy morto por policial em acidente

O motoboy entregava a última pizza da noite quando o PM furou a preferencial e atingiu a motocicleta em cheio; com sinais de embriaguez, o soldado foi preso em flagrante

Redação RIC Mais
Redação RIC Mais com reportagens de Marcelo Borges, Thais Camargo e Thaís Travençoli da RIC Record TV, Curitiba
“Trabalhou o dia todo nos dois empregos”, conta esposa de motoboy morto por policial em acidente
Daniel trabalhava em dois empregos para sustentar a família. (Foto: Reprodução/RIC Record TV)

26 de abril de 2021 - 14:25 - Atualizado em 26 de abril de 2021 - 14:37

Dois dias após a morte de Daniel Pereira da Silva, de 27 anos, familiares do motoboy que não resistiu após ter a motocicleta atingida por um carro conduzido pelo policial militar Jasiel Rauli, também com 27 anos, conversaram com o Balanço Geral Curitiba e usaram a RIC Record TV para clamar por justiça.

Rosilene Ribeiro Machado, esposa de Daniel, conta que o marido trabalhava durante o dia realizando entregas com um caminhão e a noite complementava a renda da família como motoboy. Na sexta-feira (23), não foi diferente e ele entregava a última pizza da noite na Cidade Industrial de Curitiba (CIC) quando a tragédia ocorreu.

“Trabalhou o dia todo nos dois empregos. O que mais revolta é o fato de ser um PM, por ele saber que é errado tudo o que ele fez, furar sinal e estar bêbado dirigindo”, desabafa Rosilene.

Emocionada, a mãe da vítima, Erondina Pereira, ressalta que o filho era um jovem correto e trabalhador, e que a família não se conforma que ele tenha morrido devido a irresponsabilidade de um policial

“Eu sinto muita dor pelo meu filho, pelo o que fizeram na vida do meu filho. Eu quero uma justiça muito grande para nos ajudar. A família está muito desesperada. Não é justo. Trabalhava de dia com o caminhão, de noite com a moto. A vida dele era só trabalhar. Ele queria um futuro melhor para a esposa e para a filha. A gente sente muita dor. Esse assassino fez isso com meu filho. A gente precisa de justiça, ele não pode ficar solto”, diz a mãe. 

De acordo com o delegado Leonardo Carneiro, da Delegacia de Delitos de Trânsito (Dedetran), o policial foi autuado por homicídio doloso qualificado – pela impossibilidade de defesa da vítima-  e embriaguez ao volante. “Agora as diligências seguem no sentido de coletar imagens, ouvir mais algumas testemunhas. Já foram ouvidas várias testemunhas aqui na Dedetran para que a gente possa entender a dinâmica do acidente. Mas até agora a gente já apurou que ele dirigia de forma extremamente agressiva e irresponsável: em alta velocidade, ultrapassando semáforos vermelhos, ultrapassando preferenciais e foi o que acabou provocando esse acidente.”

Jasiel foi preso em flagrante e permanece detido no Batalhão de Polícia de Guarda em Piraquara, na região metropolitana da capital. 

O acidente 

O motoboy seguia pela rua Arthur Martins Franco quando o carro do PM, que trafegava pela rua Senador Accioly Filho, avançou a preferencial e atingiu a motocicleta em cheio. Com a força do impacto, a vítima foi arrastada junto com a moto por pelo menos 20 metros. Imagens de uma câmera de segurança, que flagraram o acidente, mostram a colisão fatal. 

Uma ambulância chegou a fazer o atendimento de Daniel, mas ele não resistiu aos ferimentos. 

O motoboy foi arrastado por cerca de 20 metros pelo carro do policial. (Foto: Reprodução/RIC Record TV)

Com sinais de embriaguez, o soldado admitiu que havia saído de uma festa e seguia para outra, mas se negou a realizar o teste de bafômetro. Junto com ele estavam três mulheres. Mas tanto o motorista como as passageiras não sofreram ferimentos. 

No local do acidente, familiares e testemunhas ficaram revoltados com o policial. Ele precisou ser colocado dentro de uma viatura para que não fosse agredido. 

“Atropelou meu irmão trabalhando, ele está bêbado, está com bebida dentro do carro, assumiu que estava vindo de uma baladinha, do fervo e meu irmão está ali esticado e morto. Ele trabalha o dia inteiro, sai às 5h horas da manhã e volta a meia-noite. Nós estávamos em casa esperando ele chegar e olha o que aconteceu por causa de uma pessoa que bebe”, declarou Rosilene Garcia ao ver o irmão morto no chão. 

Daniel deixa a esposa, uma filha de 10 anos, os pais e três irmãos. 

Em nota, a Polícia Militar do Paraná ressaltou que Jasiel tem direito a ampla defesa e que aguarda a conclusão da investigação da Polícia Civil. Além disso, caso o PM seja condenado, um procedimento administrativo poderá ser aberto para avaliar sua permanência na corporação.

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