Segurança

Caso Tatiane Spitzner: juiz nega que Ratinho Júnior preste depoimento

A defesa de Luís Felipe Manvailer solicitou que o governador do Paraná fosse ouvido para falar sobre o Dia de Combate ao Feminicídio no estado; o acusado irá a júri popular nos dias 03 e 04 de dezembro de 2020

Caroline
Caroline Berticelli / Editora com reportagem de Thaís Travençoli da RIC Record TV, Curitiba
Caso Tatiane Spitzner: juiz nega que Ratinho Júnior preste depoimento
(Foto: Reprodução/RIC Record TV

14 de setembro de 2020 - 15:00 - Atualizado em 14 de setembro de 2020 - 17:05

O juiz Adriano Scussiato Eyng negou nesta segunda-feira (14) o pedido para que o governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), preste depoimento no caso da morte da advogada Tatiane Spitzner

A solicitação para que o governante fosse depor foi feita pelo advogado Cláudio Dalledone, que defende Luís Felipe Manvailer, acusado pelo assassinato da esposa. Para a defesa, a lei estadual, sancionada por Ratinho Júnior em 2019, que instituiu o Dia de Combate ao Feminicídio no dia 22 de julho – mesmo dia da morte de Tatiane – pode influenciar a opinião pública e o resultado do julgamento. 

Júri popular em dezembro

Em uma segunda decisão, o magistrado estabeleceu ainda as datas para o júri popular de Manvailer, que irá ocorrer nos dias 03 e 04 de dezembro deste ano.

Entre as deliberações da Justiça sobre o julgamento, também foi definido que o júri poderá ser prorrogado caso necessário e que o sorteio das pessoas que irão compor o grupo de jurados será realizado no dia 9 de novembro.

Mudança de cidade  

Dalledone também solicitou que o julgamento de Manvailer que deve ocorrer em Guarapuava, no centro-oeste do Paraná e onde aconteceu o crime, fosse transferido para Foz do Iguaçu, no oeste do estado. A justificativa é de que os cidadãos de Guarapuava não serão imparciais no julgamento do acusado. Entre os exemplos de imparcialidade, ele citou as manifestações realizadas em memória à Tatiane no município.

Para o advogado Gustavo Scandelari, que representa a família de Tatiane, o pedido não se justifica, uma vez que a causa ganhou ampla repercussão nacional e até internacional. No Facebook, por exemplo, a página Todos por Tatiane Spitzner, criada pela família, reúne mais de 44 mil pessoas, de diferentes regiões do país.

 “A própria defesa se contradiz quando afirma, no pedido, que também Curitiba seria uma cidade inadequada para a realização do Júri, por conta de manifestações que houve na capital. A defesa parece acreditar que pode ela mesma escolher o local do julgamento e os jurados”, declara Scandelari.

Relembre a morte da advogada Tatiane Spitzner

A advogada Tatiane Spitzner foi encontrada morta na madrugada do dia 22 de julho de 2018 no apartamento em que vivia com o marido Luís Felipe Manvailer em Guarapuava. Ele foi preso horas depois quando se envolveu em um acidente de carro em São Miguel do Iguaçu, no oeste do estado. 

Imagens de câmeras de segurança mostram Manvailer agrediu a esposa dentro do carro, antes dos dois entrarem no prédio onde ficava o apartamento. As câmeras internas flagraram também Tatiane sendo agredida pelo marido no estacionamento do edifício e dentro do elevador

De acordo com a denúncia do Ministério Público do Paraná (MP-PR), depois de entrarem no apartamento, Manvailer jogou o corpo de Tatiane do quarto andar e, na sequência, levou de volta para o apartamento. Ele foi indiciado por homicídio duplamente qualificado, por meio cruel e feminicídio,  e por fraude processual.

Assista ao vídeo: