Segurança

Pato Branco: Suspeitos de estupro coletivo contra adolescente negam terem cometido o crime

Mesmo com a negativa, a delegada responsável pelo caso afirma que a versão deles do caso é fantasiosa e que ambos devem ser indiciados por estupro qualificado e estupro coletivo

Julia
Julia Cappeletto / Estagiária com informações de Cícero Bittencourt, da RIC Record TV Oeste
Pato Branco: Suspeitos de estupro coletivo contra adolescente negam terem cometido o crime

17 de setembro de 2021 - 16:38 - Atualizado em 17 de setembro de 2021 - 16:38

Os suspeitos de terem estuprado uma adolescente de 17 anos em Pato Branco, no sudoeste do Paraná, negaram serem autores do crime. O aconteceu no último domingo (12). A menina foi sequestrada em frente à casa dos pais, e passou mais de duas horas sendo agredida pelos criminosos.

De acordo com a polícia, dois homens, de 24 e 26 anos, ambos vizinhos da família, chegaram de carro, chamaram a vítima até o portão e a obrigaram entrar no veículo. Uma prima da jovem, de 11 anos, teria presenciado tudo e ainda teria corrido para dentro de casa para avisar os pais da adolescente que, então, começaram as buscas pela menina.

“A mãe, durante sua oitiva, também se emocionou e chorou muito, dizendo que, para ela, a filha não voltaria viva para casa”,

relata a delegada Franciela Delta.

Após sequestrarem a adolescente, os dois homens levaram a adolescente para uma área de mata, afastada da cidade. No local, os suspeitos agrediram a menina com socos e pontapés, e a estupraram.

“A vítima, extremamente abalada, nem conseguiu falar durante sua oitiva. Está com transtornos pós-crime, ela não quer sair de casa, ela tem apresentado um quadro bastante depressivo e necessitando de tratamento em razão da violência empregada. Além de praticarem o ato, eles bateram nela. Deu pra ver que a violência em si não foi unicamente usada para que a vítima consentisse com o ato sexual, mas sim como uma forma de prazer deles, de violentá-la e agredi-la só por isso mesmo”,

conta a delegada.

Para que a vítima não fosse ouvida, caso gritasse, o local escolhido pelos estupradores era isolado e não tinha casas por perto. Ao terminarem as agressões contra a adolescente, eles mesmos ligaram para o tio da menina e avisaram que a família poderia buscá-la. Além disso, os homens ainda tentaram obrigar a jovem a mentir, e contar para os pais que teria praticado relações sexuais de forma consentida.

“A família toda estava amedrontada logo após os fatos, porque eles tinham certeza de que [os suspeitos] voltariam para matá-los. Diante, não só ameaças que foram feitas à vítima durante o ato sexual, o abuso, como logo depois, mas que também depois foram direcionadas à família, de que se o caso fosse de conhecimento da polícia, eles voltariam e matariam todo mundo”,

afirma a delegada.

As roupas da adolescente ficaram rasgadas e com marcas de sangue.

Ainda durante a quinta-feira (16), os dois homens foram presos preventivamente e ficarão detidos por tempo indeterminado. Apesar dos relatos e ameaças, em depoimento, ambos negaram o crime.

“A versão deles ao serem presos é uma versão extremamente fantasiosa, que foi derrubada por outras provas colhidas logo em seguida à prisão. As testemunhas desmentem as alegações deles, o que dá veracidade às declarações da vítima”,

explica a delegada.

A polícia ainda aguarda o resultado de laudos para concluir o inquérito. Mas, para a Franciela, não há dúvidas sobre o crime. Ela deve indiciar os rapazes por estupro qualificado e estupro coletivo.

“É um crime que chama muita atenção por ter sido praticado por duas pessoas contra uma adolescente, menor de idade, totalmente desprotegida, retirada de frente da sua residência. Uma audácia total, sendo os dois conhecidos da família. Então, surpreende mesmo depois de tantos anos de polícia, é um caso que a gente não vê”,

finaliza a delegada.