Segurança

Suspeito de espancamento e tentativa de homicídio afirma que foi preso injustamente

No horário do ocorrido, o rapaz estaria em um restaurante com a esposa e o filho;  imagens de segurança do local comprovam o álibi do rapaz

Mônica
Mônica Ferreira / Estagiária com informações do repórter Nader Khalil da RIC Record TV, de Curitiba e supervisão de Giselle Ulbrich
Suspeito de espancamento e tentativa de homicídio afirma que foi preso injustamente
(Imagem: Reprodução/BG)

28 de setembro de 2021 - 21:02 - Atualizado em 29 de setembro de 2021 - 15:29

Um homem foi preso, na semana passada, suspeito de agressão e tentativa de atear fogo em um homem que furtou uma loja em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba. Alfredo Pio está sendo investigado de fazer justiça com as próprias mãos. Mas a família do rapaz afirmou ter provas que mostram que ele é inocente e está preso injustamente.

No horário do ocorrido, Alfredo estaria em um restaurante com a esposa e o filho recém nascido. Imagens de segurança do local comprovam o álibi do rapaz.

Crime

No último domingo (26), por volta do meio dia, John David Antunes Cardoso, de 23 anos, furtou uma camiseta em uma loja na região de São José dos Pinhais. Logo após o furto, o dono do estabelecimento, Eron, de 47 anos, correu até o rapaz e após um confronto, conseguiu recuperar a roupa.

(Imagem: Reprodução/BG)

No mesmo dia do ocorrido, John David foi encontrado por moradores da região com ferimentos graves. O Corpo de Bombeiros e a Polícia Militar (PM) foram acionados e, segundo as equipes, o rapaz foi espancado e teve 30% do corpo queimado por um produto inflamável, configurando assim uma tentativa de homicídio. O rapaz foi socorrido e levado ao Hospital Evangélico, em Curitiba.

Investigações

Durante investigações, a polícia cumpriu três mandados de prisão. O dono da loja que o rapaz teria furtado e outros dois homens foram presos. Marcos Vinicius Fernandes e Alfredo Pio foram identificados pela polícia como os homens que tentaram fazer justiça com as próprias mãos a mando de Eron Sutil. Mas um dos rapazes preso pode não estar envolvido nessa ação.

A família de Alfredo Pio mostrou à equipe do Balanço Geral imagens do rapaz em um restaurante no dia e horário em que o crime aconteceu, alegando que o paz foi preso injustamente.

“Eu tive que correr para fazer alguma coisa, porque ele vai pagar por uma coisa que ele não fez. Ele não estava aqui no dia, ele não estava aqui na hora, a gente foi no restaurante, a gente almoçou, a gente foi cortar o cabelo do meu filho. A gente veio já era umas 14h, passamos na farmácia, compramos um monte de fralda, viemos aqui no meu sogro pra ele ver a mãe dele mas ela não estava aqui, fomos pra casa da minha mãe. Não tem o que ele ficar lá passando pelo o que ele está passando por uma coisa que ele não fez”,

relatou Maria Carolina, esposa de Alfredo Pio.

Nas imagens gravadas por uma câmera de vigilância de um restaurante no bairro Afonso pena em São José dos Pinhais, a cerca de cinco quilômetros de onde o crime teria acontecido, Alfredo e a esposa aparecem almoçando e depois pagando a conta.

(Imagem: Reprodução/BG)

“Por volta de 12h15 aconteceu isso daí com o menino, e era 12h08 e 12h20, ele estava tirando o almoço pra mim. A gente ficou entre 12h08 até 12h45 no restaurante, não tem como ele estar aqui e estar lá, não tem como”,

afirmou Maria Carolina.

A esposa de Alfredo ficou ainda mais revoltada ao saber que o comerciante, que começou as agressões a John David Antunes Cardoso, foi colocado em liberdade, enquanto seu marido continua preso.

“O cara que foi lá e agrediu, o comerciante, já tá aí, solto. Fiquei sabendo agora, você acha que isso aí não revolta, revolta demais, é um injustiça isso daí, o meu filho pede por ele, meu filho tem um ano e pede pelo pai, ele não tá comendo”,

diz Maria Carolina.

Segundo o advogado Robson Damokoski, quando o comerciante foi pegar a camiseta furtada, percebeu que John estava com tornozeleira eletrônica. Então ele teria deixado o rapaz, com medo de ser agredido saiu do local. Ele diz que seu cliente afirma não ter participado do espancamento e da tentativa de homicídio. E que Eron não conhecia as pessoas que praticaram a agressão e não estava no local. O comerciante já recebeu um alvará de soltura da Justiça e já está em liberdade.

Delegacia

O pai de Alfredo comenta um fato que chama muita atenção. O rapaz contou a ele que quando a agressão repercutiu, moradores do bairro perguntaram se ele participou do crime.

“Ele falou ‘o pai, eu preciso de um dinheiro pra eu ir na delegacia’ aí eu peguei e dei o dinheiro do aplicativo de transporte para ele ir lá na delegacia […] O delegado disse pra ele ‘mas não tem nada aqui acusando você de nada’. Só que passou uma semana ou menos, a polícia veio aqui e prendeu ele”,

relata Ananias Pio de Souza, pai de Alfredo.

O crime aconteceu na Rua Margarida Alves, um local de comércio que há diversas câmeras. Mas o inquérito policial não possui registros da participação de Alfredo.

“Hoje ele tá preso única e exclusivamente por uma questão de reconhecimento fotográfico, o que é vedado pelo STJ e STF . E a família buscou provas contundentes, provas coesas de que o Alfredo, no dia e horário dos fatos, não estava nesse local”,

conta Diago Sakakibara, advogado da família.

Provas não batem

Segundo informações apuradas pelo repórter Nader Khalil, a policia foi no hospital onde John David, está internado e mostrou a ele a imagem de três suspeitos, um deles era Alfredo Pio. O jovem apontou para a imagem de Alfredo acusando-o de ter cometido o crime e ainda disse “Frederico”. A partir desse depoimento, foi expedido o mandado de prisão do suspeito.

Segundo o advogado do comerciante, o depoimento pode ser falso.

“Numa maneira de punir outras pessoas, esse rapaz, essa vítima, acabou apontando outras pessoas que não participaram. O empresário não participou, mas por vingança, por ter sido pego, ele acabou apontando o empresário, pode ter acontecido com outras pessoas”,

afirma Robson Damokoski.

O repórter ainda falou com o delegado responsável pelo caso, Fábio Machado, que afirmou que o inquérito está sendo encaminhado para a Justiça com os mandados cumpridos. Agora cabe ser apresentado à delegacia as imagens para serem anexadas e periciadas.

O delegado acredita que essas imagens possam ser verdadeiras, mas a data e o horário podem não estar corretas e caso estejam seria o álibi que pode tirar esse rapaz realmente inocente de trás das grades.