Segurança

Sexto caso do ano: mais uma baleia jubarte morre encalhada no Litoral do Paraná

O animal estava vivo quando foi localizado, enrolado em uma rede de pesca na zona de arrebentação, mas não resistiu

Daniela
Daniela Borsuk com informações do Laboratório de Ecologia e Conservação da UFPR
Sexto caso do ano: mais uma baleia jubarte morre encalhada no Litoral do Paraná
(Foto: LEC-UFPR)

27 de julho de 2021 - 15:31 - Atualizado em 27 de julho de 2021 - 15:31

Uma baleia jubarte morreu no final da tarde de segunda-feira (26), após encalhar na praia de Coroados, em Guaratuba, no Litoral do Paraná. O animal estava vivo quando foi localizado, enrolado em uma rede de pesca na zona de arrebentação, mas não resistiu.

De acordo com informações do Laboratório de Ecologia e Conservação (LEC) da Universidade Federal do Paraná (UFPR), a baleia estava na arrebentação possivelmente ainda lutando para retirar a rede que a prendia na cabeça, no entanto, cansada e, provavelmente por conta da maré que vazava com força, o animal encalhou de ventre para cima e morreu rapidamente. A jubarte era uma fêmea de 8,5 metros, tinha marcas de rede no pedúnculo e lóbulo caudal, além do petrecho de pesca aderido ao longo da cabeça.

Os técnicos do laboratório da UFPR registraram o encalhe, avaliram a carcaça, e não tiveram condições de realizar a necropsia no período noturno. Por isso, a partir das 6h desta terça-feira (27) duas equipes se deslocaram até o local para o procedimento de necropsia do animal e coleta de materiais biológicos para analisar a saúde do animal e a possível causa da morte. Segundo os pesquisadores, somente por meio de uma investigação mais aprofundada com auxílio de exames complementares laboratoriais será possível identificar a causa de morte da baleia.

Baleias encalhadas

De acordo com o Instituto Baleia Jubarte, os encalhes têm ocorrido por diversos motivos, entre eles, morte natural, aproximação dos animais à costa e aumento da interação destes com redes de pesca e embarcações, causando assim riscos de emalhe e colisão com os barcos e navios. Esta aproximação da zona costeira é motivo de investigação pelos cientistas, pois pode ser apenas uma resposta à recuperação da população, mas também pode ser reflexo das mudanças climáticas no continente Antártico.

O aquecimento global tem sido responsável pela redução na disponibilidade de krills (principal alimento destas baleias) na Antártica e as baleias possivelmente precisam buscar por alimento durante a migração para as áreas quentes brasileiras e fazem isto utilizando águas mais rasas.

“Estas são ainda hipóteses científicas a serem avaliadas, mas já evidenciam desafios que chegam em resposta à degradação do oceano e mudanças climáticas! A década do oceano, iniciativa global capitaneada pela Unesco, está só começando, e garantir um ecossistema saudável e resiliência à biodiversidade é responsabilidade de todos nós. Se a fauna estiver bem, nós humanos estaremos bem”.

ressalta a bióloga e coordenadora do laboratório, Camila Domit.

Outros casos

Considerando os três últimos meses, esta é a sexta baleia jubarte encalhada no litoral do Paraná, sendo uma registrada na Ilha do Mel, duas na Ilha do Superagui, uma no Balneário Shangrilá, em Pontal do Paraná, uma em Brejatuba e outra em Coroados, em Guaratuba.

Desde o início do PMP-BS, em 2015, já foram registrados encalhes de 18 baleias da mesma espécie no litoral paranaense, incluindo indivíduos adultos e jovens.

As baleias jubartes da população do oceano Atlântico Sul vem ao Brasil anualmente para reprodução, mas passam o verão se alimentando na região Antártica. A principal área brasileira de reprodução é o litoral da Bahia, mas jubartes têm sido avistadas com frequência na região sudeste e sul do Brasil.