Lucas
Lucas Sarzi

1 de junho de 2020 - 23:27

Atualizado em 1 de julho de 2020 - 14:41

Segurança

Quebradeira em protesto acaba com 8 presos e um PM ferido em Curitiba

Quebradeira em protesto acaba com 8 presos e um PM ferido em Curitiba
Foto: Reprodução

O protesto, que tinha tudo para ser pacífico e acabou em quebradeira e pancadaria, nesta segunda-feira (1), no Centro de Curitiba teve oito pessoas presas. Conforme a Polícia Militar (PM), não foi possível identificar se acabaram sendo duas manifestações ou apenas uma que fugiu do controle dos organizadores.

A confusão aconteceu depois da manifestação na Praça Santos Andrade, no Centro, que foi organizada contra o racismo. Na praça, não houve confusão, conforme informou o coronel Morais, da PM.

“A PM manteve policiamento na Santos Andrade, acompanhando à distância, até mesmo para que não houvesse provocação. Quando soubemos que iriam deslocar para a frente do Palácio Iguaçu, também mantivemos acompanhamento à distância, mas começamos a detectar comportamentos tendentes a violência”.

Coronel Morais, PM/PR.

Segundo o coronel, mesmo com as provocações e a percepção de que o protesto tinha mudado o tom, os policiais acompanharam afim de manter a segurança dos manifestantes. “Tivemos que aguardar até o momento em que não poderia mais ter tolerância, porque tanto as pessoas de bem que estavam em via pública estavam sendo incomodadas, como também o patrimônio privado e público estavam sendo depredados”.

“Nós tivemos a bandeira nacional, que estava em meio mastro em símbolo de luto, pela morte dos servidores em acidente, e queimaram. Tudo isso a PM acompanhou. Todas essas provocações nós tivemos que tolerar até certo ponto, pois é comum tentar inverter o polo e se tornarem vítimas”.

Coronel Morais, PM/PR.

Conforme o coronel, os policiais resolveram primeiro tentar agir de forma moderada, mas não houve conversa ou diálogo e foi preciso usar a força. “Tentamos minimizar o problema, mas não aconteceu. Tivemos que usar força para dispersar e, nessa dispersão, já tinham danificado o Fórum, o Bradesco, pontos de ônibus. Foi uma baderneira que a polícia teve que agir“, destacou Morais.

Baderna no Centro teve oito presos e um PM ferido

Na confusão, um dos policiais se feriu e a PM não teve notícias de feridos entre os manifestantes/baderneiros. “Tivemos um policial ferido, que levou uma pedrada, mas lesão simples. Não temos notícias de nenhum ferido por parte deles, pois dispersaram”.

Ao todo, oito pessoas foram presas e levadas ao Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) da Polícia Civil. Entre os presos, um dos rapazes ainda estava com um pedaço da bandeira nacional que foi arrancada e queimada em frente ao Palácio.

“Agora cabe à Polícia Civil investigar e responsabilizar as pessoas. Foi uma manifestação que poderia ser pacífica, mas que ganhou corpo de vandalismo e violência como foi observado”.

Coronel Morais

Não foram dois protestos diferentes, segundo a PM

A PM acompanhou o convite do protesto pelas redes sociais e, segundo o coronel, a situação registrada no Centro de Curitiba não se deu por um segundo protesto, como havia a suspeita inicial. “Um grupo que se intitula ‘Antifas’ fez o convite, motivados pelos eventos que aconteceram fora do país, pela violência policial nos Estados Unidos. Complementaram o momento antifascismo, antirracismo como argumentos“, disse Morais.

Para o coronel, a liderança da manifestação que acabou em quebradeira era, realmente, do grupo ‘Antifas’. “Pela experiência dos nossos policiais, detectamos presença de outras lideranças também, mas a liderança era do ‘Antifas’. Eram em torno de mil pessoas, talvez um pouco mais em algum momento, chegando em 1200. Fomos implementando o policiamento e acabou sendo necessário de 180 a 200 policiais“.

Protestos diferentes, afirma organização do ato anti-racismo

Através das redes sociais, a organização do ato contra o racismo em Curitiba, deixou claro que “os manifestantes, além de utilizar proteção para evitar a propagação da epidemia de covid-19, comportaram-se de maneira ordeira, em defesa da democracia e contra o racismo“.

Conforme os organizadores do protesto contra o racismo, o ato foi um sucesso. “Reuniu muitas pessoas, teve uma atmosfera esperançosa por dias melhores. Nossa luta é por igualdade, contra o racismo, a violência contra jovens negros nas periferias, a proliferação de grupos que propagam o ódio e o genocídio de brasileiros promovido pela falta de uma política clara de saúde durante esta pandemia“.

Ainda segundo os organizadores do ato pacífico, “infelizmente, no final do ato, em uma dispersão de alguns poucos, houve vandalismo contra o patrimônio público. O que, ao nosso ver, é muito estranho e suspeito e representa a presença organizada de infiltrados que desejam a criminalização do movimento“.

Os organizadores do ato lamentaram que “o uso de força excessiva por parte da polícia demonstra também a incapacidade de diálogo e a opção pela agressão. Conclamamos a união de curitibanos de forma individual ou através dos movimentos sociais para a defesa da democracia contra o racismo”.

A nota foi assinada por movimentos que demonstraram não ter ligação com o ‘Antifas’ citado pela PM. São eles: Movimento Feminista de Mulheres Negras, Bando Cultural Favelados da Rocinha FAVELA, União da Comunidade dos Estudantes e Profissionais Haitianos ( UCEPH), J23 – Juventude do Cidadania, Rede nenhuma Vida a Menos, Apoio do Grupo Dignidade e da Aliança Nacional LGBTI+ e Coletivo Enedina da UTFPR