Segurança

Preso por cárcere relatou que agressões aconteciam por não acreditar “em passado” da esposa

Residência onde mulher estava em cárcere, era monitorada 24h por dia, por câmeras de segurança

Aline
Aline Cristina / Repórter
Preso por cárcere relatou que agressões aconteciam por não acreditar “em passado” da esposa
(Foto: ilustrativa)

8 de julho de 2021 - 09:18 - Atualizado em 8 de julho de 2021 - 09:18

A moradora de Toledo ficou trancada durante um ano, passando por violência física e psicológica, que foi presenciada pelo filho do casal de 12 anos. Ela teve o cabelo raspado e a boca costurada.

No bairro tranquilo, os vizinhos  nunca suspeitaram do que acontecia ali perto. Uma mulher vivendo um terror, presa dentro de casa e torturada pelo próprio marido.

“Não via movimento nenhum diferente, tudo normal, tranquilo. Até me surpreendi com a situação” 

Sonora sem identificação

A mulher é casada com o agressor há mais de 13 anos. Juntos, têm um filho de 12 anos. Em depoimento, a vítima contou que o companheiro era agressivo, mas durante as discussões, a violência nunca passou de tapas no rosto, porém de um ano pra cá, as coisas pioraram

Agressões físicas viraram rotina e aconteciam por qualquer motivo, nas situações mais absurdas. A mulher era obrigada a seguir regras do marido.  em nenhum momento podia dizer as palavras “você acha, talvez, não sei, pode ser” ou mesmo reclamar “que dor, não aguento mais, olha meu rosto”.  Ela também era proibida de gritar de dor e se ela descumprisse as normas, era castigada.

A mulher já teria tentado fugir várias vezes onde era mantida presa, mas nunca tinha conseguido. A residência era monitorada por câmeras de segurança. O agressor que vivia uma vida tranquila, sabia de tudo o que estava acontecendo dentro de casa.

Quando finalmente conseguiu fugir, ela procurou ajuda de uma ONG que atende mulheres vítimas de violência.

“Quando ela conseguiu fugir de casa, ela contou que correu, e  foi para delegacia mais próxima”

Giana de Marco – ONG Coletivo Juntas

Os relatos foram chocantes. Ela foi obrigada a escrever em um caderno, os castigos que sofreria se desobedecesse o marido.

“Se eu mentir para o meu marido, eu vou fazer 100 cortes com a faca quente no meu rosto. Se eu não contar a verdade para meu marido eu vou furar a minha língua com pregos”.

relato da vítima

Além disso, a mulher ainda contou que ela mesma se mutilava, pois o companheiro sempre dizia que era melhor ela cumprir o castigo, do que ele fazer nela, pois seria bem pior.

Em depoimento a mulher contou que o marido fez ela costurar a própria boca com linha de costura e de pesca e até furar a língua usando pregos. 

“Pessoalmente, eu jamais tinha visto algo com tamanha brutalidade,  uma agressão tão forte assim, foi um caso que chocou a todos na delegacia.”

Fernanda Lima – Delegada Polícia Civil

O acusado ainda justificava as agressões, fazendo com que a vítima se sentisse culpada.

“ Ele justificou inicialmente, a ter começado com as brigas mais graves, porque ele não acreditava nela, que ele estava investigando o passado dela, que ele sabia das coisas que ela tinha feito, sempre se referindo a relacionamentos anteriores, com muito ciúme, não aceitando os relacionamentos anteriores a ele. E que nada do que ela falava batia com a investigação que ele estava fazendo. Com isso as agressões acabaram aumentando.”

Giana de Marco – ONG Coletivo Juntas 

O filho, que presenciava  toda a violência também foi resgatado, os dois estão acolhidos . O marido foi preso em flagrante e deve ser indiciado pelos crimes de tortura, lesão corporal, ameaça e cárcere. a pena pode chegar a 20 anos. Na delegacia, ele não demonstrou arrependimento.

“ O inquérito já foi relatado e encaminhado para o Ministério Público, dependemos apenas de algumas perícias do material que foi recolhido na casa, onde foi feito uma busca e apreensão”

Fernanda Lima – Delegada Polícia Civil

“Nesse caso, pelas informações que a gente tem é um quadro de obsessão. Ela vai fazer coisas assim para manter a pessoa do lado dela. Querendo ou não, tinha uma questão de prazer para ele também. Então ficam cicatrizes, fora a emocional, a física também.”

Regiane Curta – psicóloga

O caso segue em segredo de justiça.

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