Segurança

Policiais são filmados enquanto agridem jovens em Capanema; assista!

As imagens foram registradas depois de uma ação policial no centro da cidade; uma jovem foi algemada e detida porque filmou a operação

Caroline
Caroline Berticelli / Editora
Policiais são filmados enquanto agridem jovens em Capanema; assista!
Foto: Reprodução/Redes Sociais

26 de setembro de 2020 - 17:03 - Atualizado em 28 de setembro de 2020 - 10:23

Policiais militares foram filmados no momento em que agrediram jovens com chutes em Capanema, no sudoeste do Paraná, durante a madrugada deste sábado (26), por volta das 2h30. As imagens foram registradas na rua Mato Grosso. (Assista abaixo)

De acordo com o advogado Gabriel Felipe Käfer, o abuso policial ocorreu em frente à sua residência, depois de uma ação no centro do município que iniciou na noite de sexta-feira (25). 

“Foi feita uma operação ‘Tolerância Zero’ aqui em Capanema, em conjunto com a Polícia Civil e a Polícia Militar. […] Eu não estava em casa no momento das agressões e minha namorada me ligou desesperada, falando que tinha policiais aqui na frente da minha casa que estavam agredindo uns rapazes sem motivo nenhum. Os rapazes gritavam o tempo todo que não tinham feito nada e quanto mais eles falavam isso, mais eles eram agredidos. […] Eles foram agredidos ali e depois foram liberados. Os policiais não pegaram nem o nome deles, não fizeram nenhuma ocorrência formal, não fizeram nada. Liberaram eles e fingiram que nada aconteceu. Eles aproveitaram que a rua onde eu moro é um pouco escura e não tem movimento e, acredito eu, que tinham certeza de que não seriam pegos”, disse Käfer. 

O advogado conta que chegou ao local pouco depois que os policiais haviam parado de agredir os jovens

“Quando eu cheguei em casa, já tinha parado a agressão, mas eles estavam ali na frente. Aí, os policiais vieram para cima de mim bem agressivos e aí depois que eu expliquei que era advogado, eles baixaram um pouco o tom e simplesmente disseram assim ‘O pessoal de Capanema está estranhando essa nossa operação porque não estão acostumados com polícia. A gente veio para cá para mostrar o que a polícia faz de verdade’. Aí, eu vi pessoalmente os jovens serem liberados”, completou. 

Violência policial desnecessária 

Os moradores da cidade com pouco mais de 18 mil habitantes estão revoltados com a ação da polícia, a qual, segundo eles, foi violenta, ameaçadora e desnecessária. Entre os relatos de várias pessoas que foram abordadas, existem casos de famílias que não puderam sair dos restaurantes até a serem autorizadas e até de uma jovem que foi presa porque estava filmando a operação policial em Capanema

A garota, que prefere não se identificar por medo, contou que foi algemada, colocada no camburão e levada pelos policiais porque foi flagrada quando fazia o registro com seu celular. 

“Eu estava no bar quando chegaram todos os policiais gritando, mandando todo mundo se levantar. Tinha muita gente com a família. Jogaram bomba. Foi muito abuso de autoridade. Eles xingavam, gritavam, davam risada, batiam nos pias. Tudo bem fazer uma abordagem policial, mas daquele jeito não poderia, daí, eu peguei o meu celular e comecei a filmar. Era um sargento da ROTAM, ele viu eu filmando, ele estava quase batendo em um cara. Quando ele viu eu filmando, ele veio na minha direção com tanta raiva que eu pensei que ele iria me bater. Daí, eu coloquei o celular no bolso e ele queria o meu celular. Eu falei que não iria dar. Ele me pegou tão forte que meus braços estão todos roxos e me algemou na frente de todo mundo. Aí, me colocaram no camburão como se eu fosse um bandido e eu comecei a passar mal. Depois de um tempo, um policial da patrulha rural foi lá e me ajudou e me levou em outra viatura. E eu fui levada para o Batalhão da PM e fiquei lá algemada e depois me levaram para a Polícia Civil. Eu não consegui dormir, só de lembrar eu começo a chorar, com certeza vou ficar traumatizada”, relatou a jovem que foi liberada após assinar um boletim de ocorrência.

Käfer pontua que o trabalho da polícia é insubstituível e necessário, no entanto, para o advogado a forma com que os policiais agiram foi desproporcional para o ‘perigo’ que os moradores da pacata cidade do interior representam. 

“O que nos surpreende é a desproporcionalidade da medida, segundo o relato deles mesmo, fizeram mais de 250 abordagens, deixaram toda a cidade constrangida, todos os clientes dos bares da rua onde ocorreu a ação constrangidos. Existem vídeos nos quais famílias aparecem impedidas de sair de dentro do estabelecimento por mais de duas horas. Para no final relatarem que fizeram cinco ou seis apreensões de pequenas porções de drogas. Foi bem triste ver as pessoas serem tratadas como se fossem bandidos: mão na cabeça e falavam ‘se você falar alguma coisa vou quebrar as suas pernas aqui na frente’. Os absurdos que ocorreram e quem tem dezenas de testemunhas foram incontáveis”, finalizou o advogado. 

Samara Santos da Silva conversou com o RIC Mais e declarou que nunca havia presenciado algo parecido. Conforme ela, que também foi abordada e presenciou a ação, os policiais não agiram conforme é esperado de quem deve proteger os cidadãos. 

“A gente quer policiais que defendam a comunidade, que zelem pela nossa segurança. Só que eles não estavam zelando, eles estavam agindo como se todo mundo fosse criminoso. Eles chegaram apavorando todo mundo, xingavam, ameaçavam, levaram gente presa só porque questionaram a ação. Eles mandavam colocar as mãos na cabeça e as pessoas que não faziam certo, eles chutavam as pernas. Eu só queria mesmo era entender porque aqueles policiais fizeram isso, o por quê de levar uma pessoa para o escuro, para agredir. Porque se os rapazes tivessem feito alguma coisa errada, eles poderiam ter feito algo publicamente”, declarou. 

O que diz a PM

O RIC Mais aguarda o posicionamento do 21º Batalhão da Polícia Militar de Francisco Beltrão, também no sudoeste do estado, o qual seria responsável pela operação.

Veja o vídeo: