Segurança

Pai que deixou bebê de 10 meses morrer por omissão é solto em Curitiba

A causa da morte ainda é desconhecida, mas a criança teria ficado quase 24h sem comer ou beber água; ela foi encontrada morta de bruços no berço

Redação RIC Mais
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Pai que deixou bebê de 10 meses morrer por omissão é solto em Curitiba
Foto: Daniela Servieri/RIC Record TV

22 de fevereiro de 2021 - 16:05 - Atualizado em 22 de fevereiro de 2021 - 16:10

O pai de um bebê de 10 meses que morreu após permanecer quase 24 horas sem comer e beber água, na última sexta-feira (19), em Curitiba, foi solto depois de passar por uma audiência de custódia. Em entrevista concedida a RIC Record TV, o delegado Tito Barichello, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa, explicou que ele deverá ser indiciado por homicídio doloso, mas poderá responder pelo crime em liberdade. 

“Nós trouxemos todos aqui num primeiro momento, poderia ser que houvesse omissão de socorro, maus-tratos ou algum outro crime. Mas nós compreendemos que ocorreu homicídio doloso porque ele é o garantidor por lei, ele tem obrigação de cuidar da criança. […] A omissão dele foi tão grande, que nós entendemos que ele não cometeu omissão, cometeu homicídio”, disse Barichello. 

Ainda conforme o delegado, o responsável pela criança era o pai porque a mãe do bebê trabalhava o dia todo para manter a família. 

“Tomamos ciência, através do próprio pai, que ele era responsável por cuidar dessa criança. Ele não trabalhava, estava só para cuidar da criança. Quem trabalhava era a mãe. Ele só tinha que cuidar dessa criança e o que ele fez? No dia 18, no dia anterior à morte, ele colocou a criança no berço na posição de bruços, cobriu e sabe quando ele foi ver de novo a criança? Vinte e três horas e meia depois”, completou. 

Barichello ressalta ainda que o bebê estava todo o tempo coberto, mesmo sob o intenso calor na cidade. 

Na residência, localizada na Cidade Industrial de Curitiba, viviam, além do casal, o bebê de 10 meses e suas duas irmãs, de 5 e 2 anos. As meninas foram internadas no Hospital Pequeno Príncipe para passarem por atendimento psicológico, devido a morte prematura da irmã. 

“A casa é relativamente estruturada, eu abri a geladeira, verifiquei que tinha leite, que tinha carte. Então, havia uma estrutura mínima ali. Não havia o desleixo por parte da mãe, que trabalhava o dia inteiro, que chegou a noite do dia anterior, normal, cansada e foi dormir”, contou o delegado. 

A polícia espera o laudo do Instituto Médico-Legal (IML) para saber se a criança morreu de fome, sede ou alguma outra causa.

Paralelamente, o Conselho Tutelar apura se as crianças passavam por maus-tratos

“Trata-se de um caso de uma família que é oriunda de outro estado, então, nós estamos fazendo todo esse levantamento. Conversando com a família, principalmente, a mãe para entender a dinâmica e depois de tudo isso poder dar um retorno tanto para essa mãe como para a sociedade”, disse o conselheiro tutelar João Carlos Alves. 

Bebê é encontrado morto 

A menina foi encontrada morta no berço no início da noite de sexta-feira depois que sua mãe chegou em casa. À polícia, o pai, um homem com aproximadamente 30 anos, confessou que ele era o responsável por tomar conta das três filhas, pois a esposa costuma sair para trabalhar durante a madrugada e só retorna a noite. 

Conforme seu depoimento, o bebê comeu pela última vez na quinta-feira (18), por volta das 17h. Durante a sexta-feira, ele dormiu e deixou mamadeira pronta em cima da mesa, para que a criança mais velha, de cinco anos, desse ao bebê. Mas não soube dizer se a filha havia alimentado a irmã.

Ainda não é possível saber que horas o bebê o morreu, mas a mãe afirma que ao sair da residência, chegou a ouvir gemidinhos vindos do berço. 

O pai é usuário de cocaína e foi, inclusive, abordado pela polícia há duas semanas. No entanto, conforme vizinhos, ele estava há alguns dias em abstinência de drogas e indo à igreja, na tentativa de largar o vício.

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