Segurança

Jovem que matou marido agressor enquanto ele dormia é solta pela Justiça

Em depoimento, ela confessou o crime e contou detalhes sobre a vida de abuso e violência que ela e os filhos levavam ao lado do homem

Redação RIC Mais
Redação RIC Mais com informações de Thaís Travençoli, da RIC Record TV Curitiba
Jovem que matou marido agressor enquanto ele dormia é solta pela Justiça
Foto: Thaís Travençoli/RIC Record TV Curitiba

18 de junho de 2021 - 13:32 - Atualizado em 18 de junho de 2021 - 13:50

Maria Izabel de Souza Morais, de 22 anos, que confessou ter assassinado seu marido a tiros enquanto ele dormia, foi solta nesta sexta-feira (18) após permanecer presa por oito dias. O crime ocorreu em outubro de 2019 e, segundo a jovem, foi uma forma de colocar fim nas agressões sofridas por ela e por seus filhos

“Não é fácil, na vida tudo tem uma consequência. Infelizmente teve que ser assim. Eu imagino o tamanho da dor que a mãe dele está sentindo. […] Foram três meses horríveis que eu fiquei com ele. Eu tentei ir embora, eu fugi dele a primeira a vez, fui para a minha mãe, ele foi atrás de mim, tentou me sequestrar, me bateu, bater na minha mãe, no meu irmão, comprou um galão de gasolina para tacar fogo na casa dela. Ele maltrata minha filha, batia, tentou matar a minha filha: sufocou ela com o travesseiro, deu tiro perto dela”, 

disse a jovem chorando na saída da delegacia.

Indagada sobre ter procurado ou não a ajuda da polícia, Maria Izabel ressaltou que não teve coragem, pois sabia que ele iria ser solto e as consequências seriam piores do que o que ela já enfrentava. “Não tinha como, eu sabia que ele iria ser solto. Eu sabia. Antes era a minha vida do que a dele. Nenhuma mãe merece passar, eu sei, a dor dela eu nem imagino, mas não tinha o que fazer, completou emocionada Maria Izabel. 

De acordo com o advogado Nilton Ribeiro, que representa Maria Izabel, a defesa tenta provar que Raul Fernandes da Costa, de 27 anos, era um homem violento que colocava a vida da esposa e dos enteados constantemente em risco

“A Justiça já concedeu o direito de ela responder em liberdade, o próprio Ministério Público já está tendo uma reviravolta. Eles já estão entendendo que aqui houve realmente uma legítima defesa. Então, é possível que essa moça não vá nem para o Tribunal do Júri, ela pode ser absolvida em uma fase anterior ao Tribunal do Júri porque as provas são muito fortes. Ela não procurou a polícia antes porque ela era vítima de cárcere privado e não podia sair de casa”,

explica Ribeiro. 

O crime

A execução ocorreu na noite de 28 de outubro de 2019. Raul foi encontrado em cima da cama, morto por vários disparos de arma de fogo. Na época, Maria Izabel chegou a declarar que a residência havia sido invadida por três homens armados, mas, durante a investigação, a Polícia Civil comprovou que a versão era falsa e as pistas indicavam que ele teria sido assassinado pela esposa.

Depois do assassinato, Maria Izabel fugiu da cidade por medo de ser morta pelos comparsas de seu marido que seria traficante. Ela só foi encontrada no dia 10 de junho em Ivaí, na região dos Campos Gerais do Paraná.

Marido agressor

Em depoimento, Maria Izabel contou que o marido prometeu que iria matar ela e a filha. “De noite ele falou para mim que no outro dia ele ia me matar e ia matar a minha filha. Aí de noite eu não ‘tava’ aguentando, ele ‘tava’ dormindo com a pistola dele debaixo do travesseiro, ele levantou para ir ao banheiro e aí eu tirei a pistola. Quando ele deitou, aí eu peguei e matei ele”, explicou.

Ela ainda fez um relato sobre a vida de abuso e violência que o marido impôs a ela e seus filhos. Agressões, ameaças e cárcere privado faziam parte do dia a dia da família.

“Ele me bateu a primeira vez, eu fui parar no hospital. Ele me deu uma surra e eu fui parar no hospital. Quando eu voltei, eu falei que eu não ia mais aceitar, que foi a primeira e a última vez, daí eu fugi. Voltei a morar com a minha mãe, peguei um Uber, juntei minhas coisas e fui embora para a minha mãe”, contou.

“Quando eu cheguei na casa da minha mãe, ele já ‘tava’ lá, ele fez um escarcéu, ele me bateu, ele quis bater na minha mãe, aí eu voltei para ele, eu ‘tava’ grávida […] ele falou para mim que ele ia mudar, que ele ia voltar a trabalhar com a mãe dele, que ele ia ter uma vida digna”, completou Maria Izabel.

No entanto, as agressões nunca pararam. Maria Izabel contou que o marido não a deixava fazer nada, escondia seu celular, proibiu e impedia que ela falasse com os pais e a trancava em casa ao sair e, em um dos episódios, chegou a colocar fogo na residência com ela e filha dentro. Além disso, conforme seu depoimento, Raul não comprava nada para a casa e ela e a menina se alimentavam somente com pão seco. 

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