Segurança

[EXCLUSIVO]: Suspeito de matar mulher e levar filha em carro com cadáver dá detalhes do crime

A delegada responsável pelo caso já ouviu testemunhas que, segundo ela, foram unânimes em dizer que o relacionamento do suspeito e da vítima era conturbado

Daniela
Daniela Borsuk com informações de Emanuel Pierin e Nader Khalil, da RIC Record TV Curitiba
[EXCLUSIVO]: Suspeito de matar mulher e levar filha em carro com cadáver dá detalhes do crime
(Foto: RIC Record TV Curitiba)

17 de setembro de 2021 - 14:10 - Atualizado em 17 de setembro de 2021 - 14:10

A RIC Record TV Curitiba teve acesso, com exclusividade, ao depoimento de Francisco Jovino da Silva, de 35 anos, suspeito de matar a esposa, Juceli Cristina Pesato, também de 35 anos, e levar a filha no carro junto com o cadáver da mãe. Francisco foi preso pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) nesta quinta-feira (16) em Irati, enquanto tentava fugir de carro e, em depoimento, confessou o crime e deu detalhes de como tudo aconteceu.

De acordo com o relato de Francisco para a polícia, ele e a esposa estavam juntos há 12 anos, mas a mulher decidiu pedir o divórcio. O suspeito ainda contou que acreditava que Juceli estava se relacionando com outro homem.

“Ela tava assim de divórcio, divórcio, e querendo que eu saísse sem nada também. Eu depois que aconteceu essa parte de casa que eu vi o que aconteceu e ela diz que não, que eu ‘tô’ doido”.

disse Francisco.

O homem ainda disse que estava com problemas psicológicos e que não conseguia dormir direito à noite desde que caiu em um golpe na internet. No boletim de ocorrência feito por Francisco, há o relato de que ele teria sido extorquido após enviar fotos com conteúdo de nudez para uma jovem que conheceu no Facebook. O fato teria acontecido em junho deste ano e, desde então, Juceli teria pedido a separação, conforme a babá da filha do casal.

“Ela começou a dar indireta, falar que o cara agora não tem mais medo e do nada nós voltamos e tinha uma faquinha do lado, ela foi, bateu a mão assim, aí quando ela quis começar, eu fui e catei e dei duas [facadas]. Uma aqui e outra aqui. Daí a gente ficou andando mais ou menos uma hora dentro de Curitiba.”

“Daí depois eu peguei, depois de tudo isso, levei minha filha lá na casa da tia que ela cuida, peguei e levei ela [esposa] em casa, tirei ela, coloquei no sofá, fui, tirei a roupa suja, coloquei uma limpa, abasteci o carro e fui para o Norte”, explicou Francisco ao ser questionado sobre a fuga. “Na hora que eu dei os golpes ela caiu no meu colo, isso dentro do carro. Dentro de casa eu só peguei ela e coloquei no sofá”. 

Veja o depoimento na íntegra:

Investigações

A delegada Vanessa Alice, da Delegacia da Mulher, confirmou que a criança esteve no carro junto com a mãe morta. Ainda, ao questionar para o pai, Francisco disse à criança, de sete anos, que a mãe estava passando mal e que, por isso, permaneceu deitada no veículo.

Francisco foi transferido de Irati até Curitiba, onde o casal morava, e deve ser interrogado pela delegada Vanessa nesta sexta-feira (17).

“O que as testemunhas nos relataram é de ele tinha um ciúmes extremo, excessivo, uma relação doentia, da Juceli, e que ele não permitia sequer que ele falasse com os familiares. Ela tinha poucos familiares em Curitiba, a maioria está no interior do Paraná, e quando ela queria falar com a família ela saia de casa, dizia que iria comprar ração para o cachorro, e no caminho ela ligava para a família”.

relatou a delegada.
Francisco chega à Delegacia da Mulher em Curitiba (Foto: RIC Record TV Curitiba)

Vanessa Alice também disse que, conforme testemunhas, o relacionamento do casal sempre foi conturbado e que, várias vezes, Juceli teria chego ao trabalho chorando, mas não falava o motivo para os colegas da empresa. “Todas as testemunhas, familiares, foram todos unânimes em afirmar que o relacionamento deles sempre foi conturbado”, disse a delegada.

A delegada contou que foi a babá que ficou com a criança que ligou para a empresa na qual o suspeito e a vítima trabalhavam para perguntar sobre o paradeiro deles, já que nenhum deles havia voltado para buscar a filha. Como eles não haviam aparecido no trabalho, o advogado e representantes do estabelecimento foram até a casa, encontraram a casa fechada e viram marcas de sangue. Na sequência, entraram em contato com a polícia, que encontrou o corpo durante as diligências.