Segurança

Disputa entre duas facções pelo tráfico de drogas aumenta número de crimes no Litoral do Paraná

Segundo a polícia, 80% dos homicídios estão relacionados a briga entre grupos criminosos

Redação RIC Mais
Redação RIC Mais com informações de Willian Bittar RIC Record TV - Curitiba
Disputa entre duas facções pelo tráfico de drogas aumenta número de crimes no Litoral do Paraná
(Foto: Claudio Nunes / AEN)

9 de junho de 2021 - 16:18 - Atualizado em 9 de junho de 2021 - 16:18

Com mais de 150 mil habitantes, Paranaguá é a principal cidade do Litoral do Paraná e o município mais antigo do estado. A cidade tem um importante porto, que quebra recordes de exportação a cada ano. Mas esse não é o único número crescente no município. O tráfico de drogas está trazendo recordes negativos para a região histórica

De acordo com a Polícia Civil, nos últimos anos, um conflito entre facções criminosas fez disparar as estatísticas de crimes relacionados ao tráfico de drogas. Segundo a polícia, foram atendidas 800 ocorrências somente no primeiro trimestre de 2021. É o maior índice registrado entre todas as áreas levantadas pela Secretaria Estadual de Segurança Pública.  

“As facções buscam ampliar a base territorial do município para facilitar a logística de inserção da droga no Porto de Paranaguá. A grande maioria dos homicídios está vinculada com essa disputa entre dois grupos rivais”, diz o delegado Nilson Diniz. 

A reportagem da RIC Record TV ouviu um caminhoneiro, que não quis se identificar. Ele relata o medo de esperar por muito tempo para descarregar ou carregar mercadorias no porto. “Não pode parar de qualquer maneira em um posto, pois você já é abordado. A segurança está bem precária e o receio é permanente”, explica. 

O receio do motorista não é exagero. Não é difícil encontrar notícias de pessoas assassinadas na região, até mesmo famílias inteiras. O caso mais recente aconteceu em 20 de maio. Jhonatan Lourenço Nunes, a esposa, Kailane Freitas, e a filha do casal de apenas dois anos, foram mortos dentro de casa, na Vila Rute, vítimas de disparos de arma de fogo. 

Os investigadores acreditam que a execução foi ordenada por integrantes da facção criminosa inimiga do casal, que tinham envolvimento com tráfico internacional de entorpecentes. 

“As facções trabalham com alvos específicos, direcionam os crimes e os executores precisam cumprir a risca”, detalha o delegado Nilson Diniz. 

Outro caso que chamou a atenção foi o de Jeferson Barcellos de Oliveira, um ex-guarda municipal que foi executado em plena luz do dia, na Vila Cruzeiro, em maio do ano passado. 

Na versão da polícia, Jefferson também era um dos responsáveis pelo tráfico de drogas de uma facção criminosa. O guarda municipal teria sido morto em um “tribunal do crime”.

São quase 500 câmeras para vigiar o terminal de contêineres do porto, mesmo assim, os traficantes sempre buscam formas de entrar para enviar a droga para outros países.

“Os grupos procuram diminuir a quantidade de drogas enviadas. Isso ajuda a diminuir a perda deles de entorpecentes. Eles colocam a droga dentro do motor dos containers que são refrigerados”, conta Gerson Zanetti Faucz, delegado adjunto da Receita Federal. 

Segundo a Polícia Civil, desde o início do ano, foram registrados mais de 60 assassinatos no Litoral do Estado. 80% desses homicídios estão relacionados com a disputa do domínio do tráfico internacional de drogas. 

Veja a reportagem: