Segurança

Ao ver mãe ser ameaçada, criança de 3 anos afirma querer arma para prender e matar o pai

Tomada pelo medo e impotência, Lislaine chegou a buscar ajuda da polícia e até do Ministério Público, mas tudo que conseguiu foi uma orientação para deixar o atual endereço onde mora e trabalha

Renata
Renata Nicolli Nasrala / Editora
Ao ver mãe ser ameaçada, criança de 3 anos afirma querer arma para prender e matar o pai
Foto: reprodução das redes sociais

29 de setembro de 2020 - 14:09 - Atualizado em 29 de setembro de 2020 - 14:20

Separada há sete meses do ex-companheiro, Lislaine Camargo tem vivido um pesadelo com frequentes ameaças e atitudes que a fazem temer pela própria vida.

Tomada pelo medo e impotência, Lislaine chegou a buscar ajuda da polícia e até do Ministério Público, mas tudo que conseguiu foi uma orientação para deixar o atual endereço onde mora e trabalha.

Para Lislaine, o sentimento é impotência e desespero. E não só pra ela. Com o ex-companheiro, a mulher tem um filho de três anos que tem presenciado diversas ameaças e atitudes violentas.

Criança afirma querer arma para prender e matar o pai; veja o relato

Com o ex, Lislaine foi casada durante 13 anos, e de acordo com ela por muitas vezes a relação foi abusiva.

“Foi uma relacionamento abusivo durante todos esses 13 anos, até que teve alguns agravantes. Eu fiz algumas denúncias, tem uns três processos aí correndo. Comecei um tratamento psicológico que a minha psicóloga foi me encorajando a desistir desse relacionamento”.

Ao longo do casamento, Lislaine conta que compartilhou com o ex-companheiro o uso de drogas, mas que conseguiu se recuperar do vício há sete anos – ao contrário do indivíduo, que além de permanecer com o uso de entorpecentes entrou ainda mais em situações de agressões e ameaças.

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Lislaine Camargo

Na última quinta-feira (24), imagens da câmera de segurança instalada em frente a propriedade da vítima flagrou o homem visivelmente alterado em frente ao portão. No local, o motivo da visita foi a cobrança de uma dívida.

“Eu entrei no quarto, tranquei a porta do quarto, ele teria que pular e arrombar duas portas. Entrei em uma ‘caverninha’ que tem embaixo da minha escada e fiquei lá com meu filho. Pedi pro meu filho ficar quieto. Totalmente desesperada”, conta a vítima.

A polícia, conforme Lislaine, chegou 30 minutos depois e foi surpreendida por uma frase bastante impactante vinda do filho do casal, uma criança de três anos.

“Tio, eu quero crescer e ter uma arma para prender e matar o meu pai”.

No local, o medo e as marcas da agressividade eram visíveis: furos na lona, vidros quebrados e pedras arremessadas pelo agressor.

Segundo a vítima, muitas vezes ela chegou a dar dinheiro ao ex-companheiro. “Ele chegava aqui, pedia, e pra não fazer escândalo, não quebrar e fazer o que ele fez, eu dava. Só que de uns tempos pra cá eu decidi dizer não, e só piorou”.

Tia da vítima conta as ameaças sofridas pela sobrinha

De acordo com a tia da mulher, as situações de ameaças são constantes mesmo após o registro de boletim de ocorrência.

“Ele fala: tia, eu vou matar ela. Eu vou matar ela. E eu sei que ele não está brincando. Ele só não fez ainda porque ele não conseguiu”.

Para Lislaine, o posicionamento recebido na Delegacia da Mulher não é o suficiente para conter o medo e as ameaças do ex, e por isso ela procurou a reportagem da RIC Record TV para pedir amparo.

“O Ministério Público falou que iria fazer a parte deles, mas que se eu quisesse ter sossego era melhor sair da minha casa. A Delegacia da Mulher falou que iria fazer o caso chegar ao juiz, mas pediu pra eu sair de casa. Como eu vou deixar o meu local de trabalho? Sair daqui sem saber como eu vou trabalhar? Eu to desesperada. Ele fala que se ele for preso ele sai de lá e vem direto me matar. Eu corro risco e estou bem desesperada quanto a isso”, finaliza a mulher.

Nota da Polícia Civil

Em nota, a Polícia Civil do Paraná informou que a denúncia foi aberta, e que o pedido de medida protetiva cautelar foi encaminhada à justiça, que segue investigando o caso.

Até o momento, a medida preventiva não foi cumprida porque o denunciado não foi encontrado.