Segurança

Clima de tensão e mudança de estratégia da defesa marcam 2º dia de júri de Manvailer

O advogado de defesa de Luis Felipe Manvailer, Claudio Dalledone Junior, que argumentava que Tatiane havia se suicidado, mudou a estratégia e agora apresenta outra versão dos acontecimentos

Daniela
Daniela Borsuk
Clima de tensão e mudança de estratégia da defesa marcam 2º dia de júri de Manvailer
(Foto: Camila Andrade/ RIC Record TV Curitiba)

5 de maio de 2021 - 23:22 - Atualizado em 6 de maio de 2021 - 11:24

Nesta quarta-feira (5), foi realizado o segundo dia do júri popular de Luis Felipe Manvailer, acusado de matar a esposa, Tatiane Spitzner. Três testemunhas foram interrogadas, um vizinho que morava no apartamento ao lado do casal – marido de uma testemunha ouvida na terça-feira (4) -, um médico legista do Instituto Médico Legal de Guarapuava, responsável pelo laudo que atesta a causa da morte de Tatiane como asfixia mecânica por esganadura, e o síndico do prédio onde tudo aconteceu.

O vizinho foi interrogado sobre o que ouviu na madrugada de 22 de julho de 2018, já que foi ele quem chamou a polícia. Como testemunha, ele explicou a dinâmica e cronologia dos fatos. O perito foi chamado para esclarecer detalhes técnicos do laudo de necropsia emitido por ele e detalhou cada passo do exame. Já o síndico, esclareceu como foi o acesso às câmeras de segurança do prédio e o que ouviu no local após ser chamado pelos moradores.

Destaques do dia

Mudança de estratégia

O advogado de defesa de Luis Felipe Manvailer, Claudio Dalledone Junior, que argumentava que Tatiane havia se suicidado, mudou a estratégia e agora apresenta outra versão dos acontecimentos do crime.

Nesta quarta-feira (5), Dalledone afirmou que a advogada estaria fazendo chantagem emocional com Manvailer quando, por acidente, caiu da sacada. Para o advogado, no entanto, isso não se trata de uma mudança de tese, já que ele continua afirmando que Manvailer não foi o autor do crime.

“Agora eu não posso, diante de tudo aquilo que eu estudei, que eu refleti, que eu amadureci, dizer que Tatiane Spitzner se suicidou. Não, ela não se suicidou. Ela, com todas as conversas de Whatsapp, áudios, vídeos, ela era uma chantagista emocional. Fez isso a vida inteira com o pai e continuou fazendo com Luis Felipe. ‘Me dá o acesso ao celular, senão você vai ver’, ela ficou ali, fingindo que iria se jogar e uma hora, infelizmente, o acidente aconteceu”.

Descreveu Dalledone.

Para o advogado Gustavo Scandelari, assistente da acusação, o discurso ofende a memória da vítima e agride a família.

“A defesa, surpreendentemente, mudou mais uma vez a versão do réu preso, Luis Felipe Manvailer. Quando ele foi preso em flagrante e foi ouvido na delegacia e depois perante à juíza, sempre deu versões conflitantes, mas afirmando que ela havia se suicidado. Primeiro, segundo ele, Tatiane havia executado um salto direto, depois que ela havia se pendurado no parapeito e se soltado. Agora, diante das provas que estão sendo reforçadas pela acusação, eles optam por mudar de versão. Como eles nunca conseguiram provar que Tatiane tinha indícios clínicos de depressão, o mínimo sinal de tristeza, pois provamos que ela era uma moça alegre e que fazia planos para o futuro, mentalmente saudável, agora a defesa de Manvailer opta por uma versão que agride a memória da vítima e da família, dizendo que ela era uma chantagista emocional. Algo mais uma vez lamentável por parte dos argumentos da defesa e que confirma que a versão do réu preso é absolutamente improcedente, o que deve mais uma vez garantir a sua condenação a uma pena justa, que é uma pena alta”,

declarou o advogado da família de Tatiane.

Testemunhas

Ao todo, três testemunhas foram dispensadas dos interrogatórios do júri, duas delas da acusação e uma da defesa. As testemunhas dispensadas foram entendidas como não imprescindíveis para o processo pelas partes.

Clima de tensão

Na noite de hoje, pouco antes das 20h, uma discussão acalorada entre um dos assistentes de acusação e um advogado de defesa do réu se transformou em uma briga no tribunal. Os advogados se exaltaram, chegaram a trocar gritos e uma das partes proferiu xingamentos e frases em tons de ameaça.

O juiz suspendeu a sessão por 15 minutos para acalmar os ânimos. Os jurados chegaram a sair do plenário e, na volta de todos, o juiz solicitou que o respeito e a cordialidade fossem mantidos no tribunal.

Duração

O júri começou por volta das 9h e terminou somente às 21h. A previsão é que a sessão de quinta-feira comece às 8h30. A equipe do RIC Mais continuará acompanhando o julgamento e fazendo a cobertura em tempo real dos interrogatórios das testemunhas.

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