Coronavírus

Secretário da Saúde avalia que Paraná pode ter 30 mil casos de coronavírus no pico da epidemia

Lucas
Lucas Sarzi
Secretário da Saúde avalia que Paraná pode ter 30 mil casos de coronavírus no pico da epidemia
Foto: Dálie Felberg/Alep.

25 de março de 2020 - 00:00 - Atualizado em 1 de julho de 2020 - 14:50

Se engana quem pensa que a pandemia do novo coronavírus não é grave. Na tarde desta terça-feira (24), o secretário estadual de saúde, Beto Preto, previu que o Paraná deve ter aproximadamente 10 mil casos do covid-19 quando chegar ao pico da pandemia. Porém, ele disse que o Paraná está se preparando para o pior: esse número pode chegar a 30 mil infectados.

A afirmação veio durante a sessão da Assembleia Legislativa que tinha como objetivo explicar aos deputados os efeitos e também as medidas que estão sendo tomadas pelo Paraná para conter o novo coronavírus. Com a sessão, o decreto de calamidade pública no Estado foi aprovado e vale até o dia 31 de dezembro.

Segundo o secretário, por ora foram destinados 200 leitos de UTI. “Contamos com estes leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) a mais para o caso da epidemia chegar a 40 dias. Se a situação ultrapassar esse período, temos condição de contratar até 600 novos leitos”, afirmou Beto Preto.

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Casos leves

Apesar de os números assustarem, o secretário da saúde estadual explicou que, dos 10 a 20 mil casos previstos para o Paraná, segundo estudos do Ministério da Saúde, 85% devem ser leves. Pelo menos dois terços dos 15% dos casos restantes vão precisar de tratamento em enfermaria e apenas um terço de internamentos. “Sãos esses 15% que nos preocupam e o nosso esforço é para atendê-los da melhor forma, evitando os casos de mortalidade entre os grupos de risco”.

Como se trata de uma situação em que o vírus se espalha muito rapidamente, o secretário explicou aos deputados que não dá para trabalhar com números exatos. Apesar disso, mostrou que o Estado tem três planos diferentes em caso de uma crise aguda.

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Segundo Beto Preto, são 200 novos leitos de UTIs e 300 de enfermaria em um primeiro momento. Caso a situação complique mais, num segundo estágio, são 350 leitos de UTIs e outros 500 leitos de enfermaria. Se piorar, no caso de um pico muito mais alto, podemos chegar aos 600 leitos de UTIs mapeados e contratados da rede de hospitais privados, filantrópicos e próprios exclusivamente para o enfrentamento ao novo coronovírus.

Estamos no começo

Ainda conforme o secretário, o Paraná ainda está no começo da curva de crescimento da pandemia. “Eu acho que nós ainda estamos longe de alcançar o pico. O ministro (da Saúde, Luiz Henrique) Mandetta esta semana falou em 15 de abril. Eu acho que nós no Paraná, se conseguirmos passar esse pico um pouco mais para frente, e não deixar ele muito agudo, e trabalhar para o achatamento dessa curva é cabível que nós possamos passar por um período de menor dificuldade, menor perda de vidas humanas do que outros estados”, disse. “Mas ainda estamos no início do processo. É a ascensão da curva ainda. Epidemiologicamente falando ela ainda vai ter muito para crescer. Na verdade a curva está aumentando”, apontou.

Beto Preto explicou que o combate à doença acontece primeiro com o rastreio epidemiológico e depois com o atendimento. É por isso que as autoridades têm observado o que vem acontecendo na Ásia e na Europa. “O paranaense tem seguido as orientações de prevenção passadas pelo Estado, como a interrupção de atividades e o isolamento domiciliar”, avaliou.

Melhor índice

Segundo o boletim divulgado nesta terça-feira, o Paraná tem 2500 casos notificados, 1844 suspeitos e 70 confirmados. Segundo o secretário, o Estado está comprando 100 mil testes da Fundação Oswaldo Cruz, além dos que são produzidos no Paraná.

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O secretário lembra que “apesar dos números crescerem a cada dia, o Paraná registra um percentual de 0,39% de casos por 100 mil habitantes. O menor índice da região Sul”. A secretaria espera a normalização do sistema do Ministério da Saúde para validar cerca de 600 casos negativos, que já foram diagnosticados e descartados pelo Laboratório Central do Estado (Lacen).