Saúde

Oximetria e covid-19: monitoramento ajuda a reduzir mortes entre idosos

Na covid-19, a hipóxia silenciosa representa risco de evolução rápida da doença para um caso grave e irreversível

Daniela
Daniela Borsuk com Prefeitura de Curitiba
Oximetria e covid-19: monitoramento ajuda a reduzir mortes entre idosos
(Foto: Divulgação/ Prefeitura de Curitiba)

25 de fevereiro de 2021 - 13:56 - Atualizado em 25 de fevereiro de 2021 - 13:56

Desde agosto, quando a Secretaria Municipal da Saúde começou o monitoramento por oximetria em grupos de risco, foi registrada uma expressiva redução nos óbitos de pessoas acima de 60 anos diagnosticadas com covid-19.

De março a julho de 2020, dos 3.882 idosos acima de 60 anos diagnosticados com covid-19 na cidade, 659 morreram com a doença. De agosto a fevereiro, com o monitoramento por oximetria, foram 1.536 mortes de um total de 15.795 idosos infectados pelo novo coronavírus. Proporcionalmente, a queda foi de 43%.

Na mesma faixa de idade, o internamento por covid-19 caiu 33% para leitos clínicos e 22% em UTIs, no período analisado.

A oximetria detecta a hipóxia silenciosa, que ocorre quando há queda de oxigênio no sangue sem que a pessoa sinta falta de ar. Na covid-19, a hipóxia silenciosa representa risco de evolução rápida da doença para um caso grave e irreversível.

O monitoramento feito pelas equipes da Secretaria da Saúde é uma parceria da Prefeitura de Curitiba com a Sociedade Brasileira de Infectologia e acontece em todas as regionais da cidade. De agosto a 20 de fevereiro foram monitorados quase 19 mil idosos.

“A oximetria em grupos de risco ajuda a encaminhar para um atendimento hospitalar antes de os pulmões serem gravemente comprometidos, podendo evitar a evolução da doença para um quadro grave, diminuindo os internamentos e, consequentemente, óbitos”.

Explicou Márcia Huçulak, secretária municipal da Saúde de Curitiba.

De casa em casa

De domingo a domingo, equipes das Unidades de Saúde de Curitiba visitam pessoas de grupo de risco, como idosos e alguns doentes crônicos com sintomas ou covid-19 confirmada, para medir o nível de oxigênio no sangue e detectar a hipóxia silenciosa.

As visitas são feitas duas vezes ao dia, entre o 5º e o 9º dia do início dos sintomas, período em que a doença pode agravar.

Sem perceber, Cleide Benedito dos Santos, moradora do bairro Tatuquara, estava em risco. Diabética e no 8º dia dos sintomas da covid-19, ela procurou atendimento médico dado pela equipe da Unidade de Saúde Santa Rita durante uma visita de monitoramento da oximetria. Foi constatada a queda do índice de oxigênio no sangue da paciente.

Em casa mesmo ela recebeu da equipe da unidade uma pulseira vermelha para chegar à UPA com a indicação de caso urgente de covid-19. Depois dos primeiros atendimentos, foi encaminhada para tratamento precoce com oxigênio e corticoides, num hospital com leito do SUS para a covid-19 e ficou internada por menos de cinco dias.

Cleide entrou para a estatística dos casos que não evoluíram a internamento em UTI.

“Se não fosse a ajuda delas (a equipe da Unidade de Saúde) teria sido muito pior, porque eu achava que não era nada, que era só uma gripe”.

Declara Cleide.

Para o médico André Guilherme Marussig, da UPA Tatuquara, a oximetria é um sinal de alerta muito importante para as equipes médicas.

“Quando um paciente chega com saturação baixa, precisa passar por uma avaliação bem completa, e o trabalho de monitoramento que as equipes da oximetria fazem ajuda na agilidade e tem evitado que muitas pessoas agravem o quadro da covid-19”, disse.

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