Saúde

Neurocirurgia pode beneficiar pacientes com epilepsia que não respondem aos medicamentos

26 de março é o dia escolhido para refletir sobre as formas de tratamento e prevenção da epilepsia, assim como conscientizar a sociedade sobre a discriminação com os portadores da síndrome

Redação RIC Mais
Redação RIC Mais com Assessoria de Imprensa
Neurocirurgia pode beneficiar pacientes com epilepsia que não respondem aos medicamentos
Foto: Pixabay

25 de março de 2021 - 22:30 - Atualizado em 25 de março de 2021 - 22:37

No Brasil, há uma estimativa de que cerca de 3 milhões de pessoas têm epilepsia, uma doença causada por descargas elétricas anormais que provocam alteração nos neurônios. Essa desordem cerebral pode ocorrer por distúrbio genético ou ser adquirida por lesões cerebrais, como traumatismo ou ruptura de um aneurisma, além de condições metabólicas, infecciosas e até existência de tumores. O mais importante é que se tenha acesso a um diagnóstico e tratamento adequados, tendo em vista que 70% dessas pessoas vão controlar as crises com medicamentos.

“A conscientização do público em geral é muito importante, para que fique claro que esta é uma condição que pode ser tratada”, reforça o neurocirurgião Dr. Murilo Meneses, chefe da Unidade de Cirurgia de Epilepsia do Hospital INC.

“Ter epilepsia não significa estar condenado a ter uma vida com limitações. Na maioria dos casos, com o tratamento adequado a pessoa fica bem, e nessas circunstâncias pode trabalhar e levar uma vida normal, inclusive, deve ser estimulada a isso. A pessoa com epilepsia ainda convive com o preconceito”. O médico, que é especialista em Neurocirurgia Funcional – área que abrange o tratamento da epilepsia – explica que os outros 30% dos pacientes, que são refratários ao tratamento, podem se beneficiar da cirurgia que retira ou controla o foco epiléptico, indicação que será determinada após investigação com exames médicos, como ressonância magnética e eletroencefalograma prolongado.

De acordo com doutor Murilo Meneses, a indicação para cirurgia de epilepsia ainda avalia outros fatores como qualidade de vida, o trabalho e função que essa pessoa exerce, se está em idade escolar, e o impacto da medicação na saúde. “Trabalhar com cirurgia de epilepsia é uma das coisas mais gratificantes que existem na neurocirurgia. Geralmente quem que tem epilepsia, que não é controlada por medicamentos, torna-se a pessoa dependente e problemática da família, ela carrega esse estigma. Temos muitos casos de pacientes em que a cirurgia contribuiu para mudar radicalmente a vida dele e da família, e possibilitar isso é muito emocionante”.

O Dr. Murilo Meneses é chefe da Unidade de Cirurgia de Epilepsia do Hospital INC. (Foto: Celso Pilati)

Dentre as pessoas com epilepsia que são resistentes aos medicamentos, há aquelas que acabam apresentando um quadro mais grave, com perdas cognitivas e outras alterações neurológicas. A depender da causa da epilepsia, muitos pacientes podem se curar ou ter um maior controle das crises, após ser submetido a cirurgia. “O tratamento com neurocirurgia vai desde remover a parte do cérebro doente até implantes de estimulação cerebral ou do Nervo Vago – um pequeno computador que pode detectar a chegada de uma crise e evitar que ela ocorra por meio de estímulos – são técnicas bem modernas e sofisticadas que estão evoluindo constantemente”.

“Se a lesão estiver numa área muito específica, vamos investigar se é possível remover aquela área por meio de uma microcirurgia. E com a monitorização das áreas cerebrais, podemos fazer a remoção da causa da epilepsia sem déficits ou sequelas para o paciente”.

É válido acrescentar que mesmo as técnicas mais complexas de estimulação cerebral ou do Nervo Vago já fazem parte do rol da ANS (Agência Nacional de Saúde) e Anvisa que já reconhecem esses procedimentos e, consequentemente, são cobertos pelos planos de saúde.

Doença pode iniciar na infância, adulto ou idoso

A epilepsia abrange um grupo grande de pessoas com problemas que não são exatamente os mesmos, segundo Dr. Murilo Meneses. Pode surgir na infância e boa parte é benigna e desaparece com algum tempo de tratamento, mas também há formas mais graves – que recebem o nome de epilepsias catastróficas da infância. A doença também pode começar no adulto e até na pessoa idosa.

As crises epilépticas são bem distintas umas das outras. As focais são provocadas por descargas elétricas numa determinada área cerebral. Quando essas descargas se espalham no cérebro, a pessoa apresenta uma crise generalizada, sendo chamada a mais conhecida de tônico-clônica. Existem ainda as crises atônicas, que levam a pessoa a quedas repentinas, e a bater o rosto e a cabeça (nesses casos, pode ser indicado o uso de um capacete). O eletroencefalograma é o exame que vai mostrar essa atividade elétrica cerebral.

O especialista ainda recomenda que, se houver alguma suspeita de ter crises, a pessoa precisa procurar um médico.

“É possível ter uma crise dormindo e acordar com a língua mordida. Às vezes, acordar no chão, fora da cama ou perceber que perdeu urina. A crise ainda pode ocorrer quando a pessoa está sozinha, levando-a a uma perda de consciência”.

Purple Day

O “Dia Roxo” é celebrado em 26 de março, desde 2008. Foi criado por uma criança canadense de nove anos de idade, na época, com a ajuda da Associação de Epilepsia da Nova Escócia (EANS). A menina escolheu a cor roxa para representar a epilepsia, fazendo relação com a flor de lavanda que costuma ser associada a solidão, sentimento compartilhado por muitas pessoas com epilepsia. A campanha propõe, além de refletir sobre as formas de tratamento e prevenção, conscientizar a sociedade sobre a discriminação com os portadores da síndrome, que jamais devem ser isolados ou se sentir sozinhos.

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