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Paranaense é diagnosticada com linfoma de Hodgkin dias após dar à luz

A professora perdeu 20 quilos durante a gravidez e ficou tão fraca, que quando seu filho nasceu, mal conseguiu o segurar no colo

Mirian
Mirian Villa

29 de novembro de 2019 - 00:00 - Atualizado em 29 de novembro de 2019 - 00:00

A paranaense Michelle Munhoz perdeu 20 quilos durante à gravidez sem ter um diagnóstico para o sintoma. A professora -que mora em Arapongas- ficou tão fraca, que quando seu filho nasceu, mal conseguiu o segurar no colo.

O diagnóstico só veio depois de um mês do parto, quando a paranaense procurou outro médico. Na ocasião, o especialista ficou surpreso que Michelle Munhoz e o filho estavam vivos, já que o diagnóstico era grave: linfoma de Hodgkin.

Gravidez era sonho de professora e marido

De acordo com a professora, o sonho de se tornar mãe é presente desde criança. Porém, na vida adulta descobriu uma endometriose profunda e uma adenomiose, então, os tratamentos para engravidar começaram em 2016.

Quando descobriu que estava grávida ficou muito feliz, porém, a gestação foi um período intenso e de muito sofrimento. Michelle procurou diversos médicos e apresentou seus sintomas: dores constantes pelo corpo, falta de ar e dificuldade para andar.

Além disso, perdeu 20 quilos na gestação e não tinha ânimo. Para os médicos, os sintomas eram consequência de uma depressão e de fortes enjoos. A paranaense contou que fez o acompanhamento correto, mas que todos os problemas que ela apresentava eram associados pelos médicos à gravidez.

“Desde o início sentia meu corpo estranho e diferente, mas como tive q fazer uma dieta devido ao descolamento da placenta e da adenomiose, achamos que um dos motivos era essa dieta rígida”, contou Michelle sobre a perda de peso na gestação.

Paranaense não conseguiu segurar o filho recém-nascido

Com sete meses de gravidez, Michelle foi levada às presas para o hospital depois de passar mal em casa e sentir dores intensas na barriga. Em seguida, os médicos a avisaram que ela deveria passar por uma cesárea às presas.

“O parto foi muito conturbado, estava muito nervosa pois ele tinha apenas 32 semanas e temia pela vida do meu filho. E como eu estava muito ruim, imaginava que poderia acontecer algo com ele”, desabafou ao lembrar do nascimento do filho.

Quando seu filho nasceu, prematuro, a professora estava tão fraca que mal conseguiu segurar o recém-nascido. Pelo estado em que se encontrava, a professora disse que o parto do filho não foi um momento mágico como ela imaginava.

Com os graves sintomas, Michelle precisou ficar internada sete dias após o parto do seu filho, batizado de Samuel. Nesse período, viu o filho poucas vezes, já que passava a maior parte do dia dormindo.

“O pós-parto foi muito pior…não levantava da cama, não andava, não conseguia ver o Samuel na UTI. Ou até coisas mais simples, como ficar olhando para ele mesmo que sentada…era muito triste viver isso”, afirmou Michelle.

Linfoma de Hodgkin foi diagnosticado 40 dias após parto

Mesmo 40 dias após dar à luz, a paranaense continuava com os sintomas. A aparência já estava causando estranheza entre amigos e familiares, que decidiram levá-la em outro médico. De acordo com a professora, ela precisou receber sangue depois da consulta com o clínico-geral, já que ela havia perdido muito sangue.

Após uma bateria de exames, um exame apontou que Michelle Munhoz estava com linfoma de Hodgkin, que é um tipo de câncer que surge nos gânglios do sistema linfático. A área é composta por órgãos e tecidos que produzem células responsáveis pela imunidade.

“Quando chegamos no consultório o médico já sabia do resultado e o doutor não sabia como explicar, pois estava eu minha mãe e o Samuel. Foi desesperador quando ele me deu o diagnóstico, me lembro de chorar desesperadamente e olhar para meu filho e pensar: ‘o que será dele?’.”

Quando o câncer foi descoberto, ele já havia atingido membranas ao redor do pulmão e do coração de Michelle. Na época, a paranaense foi diagnosticada com o câncer em estágio quatro, considerado o mais grave.

Depois de 20 sessões de quimioterapia, o tratamento foi considerado um sucesso. Michelle contou que pelos próximos cinco anos, ela precisará fazer acompanhamento constante pra avaliar possível recidiva da doença.

Hoje eu encaro como aprendizado, força, luta e muita, mas muita fé. Hoje, diante de tudo que passamos e vivemos, eu jamais duvidaria da presença de Deus em minha vida. É triste, é extremamente difícil e assustador…é uma montanha russa de sentimentos. Aprendemos a valorizar cada minuto, a agradecer pelo nosso dia, pela nossa vida e enxergar tudo que está ao nosso redor”, finalizou Michelle.

Paranaense é diagnosticada com câncer

Michelle e seu filho Samuel (Foto: Michelle Munhoz/Arquivo pessoal)

O que é o linfoma?

O linfoma de Hodgkin surge quando um linfócito (célula de defesa do corpo) se transforma em uma célula maligna, capaz de se multiplicar e se disseminar. A célula maligna começa a produzir, nos linfonodos, cópias idênticas, também chamadas de clones.

Com o passar do tempo, essas células malignas podem se disseminar para tecidos próximos, e, se não tratadas, podem atingir outras partes do corpo. A doença origina-se com maior frequência na região do pescoço e na região do tórax denominada mediastino.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a doença pode ocorrer em qualquer faixa etária; porém é mais comum entre adolescentes e adultos jovens (15 a 29 anos), adultos (30 a 39 anos) e idosos (75 anos ou mais). Os homens têm maior propensão a desenvolver o linfoma de Hodgkin do que as mulheres.