Saúde

Trombose: Redução de atividade física durante isolamento social é fator de risco

Hábitos saudáveis, como a prática de exercícios e alimentação equilibrada, são essenciais para evitar a doença que afeta a circulação, alerta especialista

Leonardo
Leonardo Pedrollo Com supervisão de Larissa Ilaídes
Trombose: Redução de atividade física durante isolamento social é fator de risco
Foto: Pixabay

13 de outubro de 2020 - 17:32 - Atualizado em 13 de outubro de 2020 - 17:46

Apesar de necessário, o isolamento social imposto para evitar o
contágio do coronavírus, acabou trazendo outros problemas à tona para
muitas pessoas. Os maus hábitos impostos pela pandemia, em especial o
sedentarismo e ficar muito tempo sentado, são comportamentos que
merecem atenção da população, já que contribuem para agravar os
problemas vasculares, entre elas a Trombose Venosa Profunda (TVP).

Conforme explica o médico especialista em angiologia, cirurgia vascular
e endovascular, Dr. José Fernando Macedo, diretor do Instituto de
Angiologia e Cirurgia Vascular (IACVC), nossas veias e nossas artérias
precisam do movimento do corpo para funcionarem bem, por isso, o
imobilismo e o sedentarismo são inimigos de nossa circulação.

“Uma das consequências mais graves é a Trombose Venosa Profunda. Trata-se de uma doença que pode ser muito grave e é causada pela formação de coágulos – também chamados trombos – no interior das veias profundas, principalmente na panturrilha, a conhecida batata da perna”, alerta o médico

Dor e inchaço na região das pernas e dos pés, mudanças na
temperatura local e na cor da pele, sensação de peso nos membros
inferiores. Esses são alguns sinais da trombose, doença muitas vezes
silenciosa, ou seja, sem sintomas explícitos. Quando não tratada, pode
trazer sérias complicações, como úlceras de perna, embolia pulmonar
e até mesmo levar ao óbito.

Dia mundial da trombose

Para alertar a população sobre a importância da prevenção e
tratamento da doença, são realizadas campanhas como a do Dia Mundial
de Combate à Trombose
, em 13 outubro. Conforme destaca Macedo, a
recomendação é que a pessoa procure o médico se começar a sentir
uma dor e cansaço nas pernas que não quer passar. Segundo ele, o mais
importante é alertar que a principal causa da trombose é a
imobilidade
.

Pessoas que realizam trabalhos em que ficam muito tempo
sentadas. Longas viagens de avião. Hábitos sedentários. Estas são as
verdadeiras causas por trás da TVP, uma doença que acomete cerca de 60
pessoas a cada 100.000 habitantes por ano segundo a Sociedade Brasileira
de Angiologia e Cirurgia Vascular, destaca.

“Caminhe, nem que seja dentro de casa. Crie seu circuito doméstico.
Não fique sentado por mais de uma hora na frente do computador.
Levante. Mexa as pernas. Faça agachamentos. Se alongue. Não faça da
imobilidade um hábito. Você vai ter mais saúde e mais disposição se
tiver o hábito de se mexer e se exercitar”, orienta o especialista.

Trombose no Paraná e tratamento

No ano passado, segundo a Secretaria Estadual da Saúde, foram
realizados 3.742 tratamentos de trombose venosa profunda na rede
pública do Paraná
, e 100 atendimentos para a colocação percutânea
de filtro de veia cava (trombose periférica e embolia pulmonar). O
total gasto nos procedimentos foi de R$ 2.866.280,51.

Hoje, ao contrário de antigamente, na maioria dos casos diagnosticados
não é necessária a internação.

“Além do uso de meias elásticas, o paciente toma anticoagulantes orais, por um período de 3 a 6 meses, dependendo dos sintomas. Nas situações mais raras pode ser necessária medicação para o resto da vida”, afirma Macedo. Ele conclui: “cuidar da saúde é melhor do que tratar da doença. Procure os consultórios, que estão adotando todas as medidas de higiene durante a pandemia, e verifique como está a sua saúde vascular”, recomenda.

Grupos de risco

Macedo reforça as orientações para os grupos de risco: grávidas,
pessoas com histórico da doença na família e pessoas acima de 50
anos. Além disso, fatores como obesidade, tabagismo e uso de
anticoncepcional, podem agravar a situação.