18 de outubro de 2020 - 12:40

Atualizado em 19 de outubro de 2020 - 16:04

Inteligência Emocional – Quer aumentar a sua? Parte III

Por Alexsandra Dário e Marta Cordeiro

Inteligência Emocional – Quer aumentar a sua? Parte III

Estamos começando a terceira etapa de uma jornada de 4 artigos sobre Inteligência Emocional vista por diferentes abordagens.

Para potencializar seu processo de desenvolvimento nesta competência é importante ler os dois primeiros artigos. Se você ainda não leu, recomendo fortemente.

Uma das abordagens mais fascinantes para este assunto é a da Neurociência. E como é um caminho mais complexo, vamos procurar aqui simplificar para você.

Muitas pessoas perguntam: mas porque não consigo controlar minha raiva? Meu “pavio é muito curto”, tem jeito de mudar?

Outras pessoas reclamam do mal humor, e outras ainda, sentem que a ansiedade faz muito mal para elas.

Certamente as emoções estão presentes em nossas vidas na maior parte do tempo. Elas são necessárias. Mesmo aquelas que consideramos negativas. O medo, por exemplo, é super necessário para nos proteger do perigo. Imagine se uma criança não desenvolve a sensação do medo. Ela pode se colocar em situação muito séria de risco até de vida.

As emoções então, são inerentes ao ser humano. Nenhum ser humano é desprovido de emoções e nem deveria ser. Se assim fosse, seria como um robô. A Neurociência não propõe eliminar as emoções, e sim aprender a lidar com elas de uma forma mais adequada.

Uma das descobertas mais importantes da Neurociência nos últimos anos é o que chamam de plasticidade neural. Áreas do cérebro como lobos frontais, amígdala, e hipocampo se modificam de acordo com as experiências. Estas áreas do cérebro são atingidas de maneira impressionante pelo ambiente emocional onde somos criados e pelas experiências repetidas.

A plasticidade neural pode ser entendida de forma muito simplificada como experiências alterando o cérebro.

Os neurocientistas também descobriram que os neurônios crescem e se renovam durante toda a vida. Isso significa que somos capazes de mudar a forma pela qual lidamos com as emoções.

Podemos “imprimir” no cérebro novas experiências, novos pensamentos e novos sentimentos em consequência.

Aprendemos e incorporamos comportamentos de duas formas principais: por repetição ou por forte impacto emocional. Ou ainda pelos dois juntos. Se quisermos mudar um comportamento, estas são as formas mais eficazes. Treinar, repetir, o novo comportamento precisa fazer parte do processo.

E assim também acontece quando nos propomos a lidar melhor com nossas emoções. Como a maioria das coisas que nos despertam emoções, nós aprendemos na infância e adolescência, precisamos repetir novos comportamentos muitas vezes até eles serem incorporados no lugar dos anteriores. Mas só o fato de saber que a repetição das experiências modifica o cérebro, já pode nos dar motivação para começar o processo.

Segundo um grupo de neurocientistas que trabalhou com Daniel Goleman e Dalai Lama, as emoções podem significar escravidão se não forem trabalhadas racionalmente. E para trazer seu comportamento mais para o racional quando for mais produtivo para você e para os outros, é preciso quebrar este ciclo fisiológico. É função das emoções nos colocar em “movimento” bem depressa, sem ter de pensar. Para amenizar este ciclo, identifique quais são os eventos provocadores mais frequentes (o que chamamos de gatilhos), para estar consciente quando estiver exposto a eles, e procure fazer algo que dê tempo ao seu cérebro de pensar além de sentir.

Se você treinar identificar os gatilhos, aquilo que te provoca, e procurar agir de forma preventiva, a probabilidade de mergulhar em emoções destrutivas começa a diminuir. É como se você fosse desenvolvendo um “sistema imunológico” para lidar com emoções destrutivas e melhorá-las.

No próximo artigo, acompanhe mais práticas de desenvolvimento da Inteligência Emocional. E se precisar de ajuda, conte conosco na Felicitie!