Coronavírus

Variante Delta, que já está no Paraná, é mais transmissível e tem outros sintomas; veja o que diz a especialista

A infectologista Viviane de Macedo esclareceu qual a mutação da variante delta, quais as cuidados necessários para diminuir o contágio e qual a eficácia das vacinas existentes contra a doença

Daniela
Daniela Borsuk com colaboração de Guilherme Fortunato, do RIC Mais
Variante Delta, que já está no Paraná, é mais transmissível e tem outros sintomas; veja o que diz a especialista
(Foto: José Fernando Ogura/ AEN)

29 de julho de 2021 - 15:26 - Atualizado em 29 de julho de 2021 - 16:28

Com cada dia mais confirmações de casos de pacientes infectados com a variante Delta do novo coronavírus no Paraná, o portal RIC Mais entrevistou uma especialista para responder às principais dúvidas sobre a doença. A variante tem se mostrado mais transmissível do que as outras e também apresenta sintomas diferentes do que víamos até então, o que pode fazer com que as pessoas não percebam que estão com a Covid-19 e não façam o isolamento social recomendado.

A médica Viviane de Macedo é infectologista e professora da disciplina de Doenças Infecciosas e Parasitárias do curso de Medicina da Universidade Positivo, ela esclareceu qual a mutação da variante delta, quais as cuidados necessários para diminuir o contágio e qual a eficácia das vacinas existentes contra a doença.

Confira as perguntas e respostas:

  • Porque foi dado o nome Delta para a variante indiana?

Viviane de Macedo: “A Organização Mundial da Saúde (OMS) adotou o alfabeto grego para nomear as variantes de preocupação para evitar o estigma sobre o país de origem.”

  • Qual a principal diferença da variante Delta para as que já estão circulando?

Viviane de Macedo: “Há duas mutações na proteína S: L452R e T478K que favorecem a entrada do vírus na célula e P618R que favorece a ativação do vírus e T19R e a deleção 157-158del que favorece o escape dos anticorpos.”

  • Os sintomas da variante são diferentes? Quais os principais?

Viviane de Macedo: “Os sintomas são mais sutis como dor de cabeça, coriza, mal-estar geral que muitas vezes não são valorizados pela pessoa, que não faz o isolamento social e nem procura ajuda médica para investigação para covid-19.”

  • A variante é mais “mortal” ou transmissível? O que já foi observado nesse sentido?

Viviane de Macedo: “A variante tem se mostrado mais infectante, porém não mais letal. Um estudo do Imperal College mostrou que a Delta é 97% mais infectante do que o coronavírus original, 60% mais infectante do que a beta (África do Sul) e 55% mais infectante do que a variante Alpha do Reino Unido, 34% mais infectante do que a Gamma (Brasil).”

  • Existem cuidados extras que devem ser tomados?

Viviane de Macedo: “Os cuidados são os mesmos de sempre: distanciamento social, uso de máscara, higienização de mãos, e valorização de todos os sintomas gripais e não apenas os sintomas respiratórios para procurar atendimento médico e testagem para a Covid-19.”

  • A variante já está no Paraná, há a perspectiva de que logo ela seja a predominante no Estado?

Viviane de Macedo: “Existe o risco dela se tornar predominante caso não façamos a identificação e o rastreamento mais rápido de novos casos, com o isolamento dos casos suspeitos e seus contatos.”

  • As vacinas existentes são eficazes contra a variante Delta?

Viviane de Macedo: “As vacinas Pfizer e Astrazeneca são eficazes ainda contra essa variante quando a imunização está completa, 88% e 67% em estudos realizados na Inglaterra.”

  • É possível que a variante aumente a quantidade de internamentos e cause uma nova onda da doença no Paraná?

Viviane de Macedo: “É possível. Isso dependerá do ritmo de vacinação e do cumprimento das medidas sanitárias.”

  • Como impedir o aparecimento de novas variantes? É possível?

Viviane de Macedo: “É possível com a redução da transmissão do vírus, que é o que melhora a habilidade do vírus em se tornar mais infectante.”